Sincronicidade

Uma jornada mítica através do Tarô

No mundo da psique, as experiências não estão ligadas pela causalidade, mas pelo significado. Existem outros padrões, que não os concretos, operando dentro de nós e, a menos que possamos compreender alguma coisa sobre a psique, as estranhas coincidências das cartas do Tarô poderão se apresentar diante de nós como altamente assustadoras ou mesmo profundamente perturbadoras. As ligações entre os fatos de nossa vida cotidiana e o Tarô não existem porque as cartas sejam mágicas, mas sim porque há um significado associado. É o que queremos dizer com o nascimento, a morte e a puberdade enquanto experiências externas e internas. Deparamo-nos com essas experiências em diferentes níveis e em diferentes momentos da vida e dessa maneira haverá sempre uma carta do Tarô que poderá descrever cada uma delas e que irá aparecer misteriosamente num jogo, sem qualquer motivo aparente, num momento em que estejamos experimentando, talvez interiormente, aquela situação arquetípica.

Juliet Sharman-Burke e Liz Greene

[Sharman-Burke, Juliet e Greene, Liz. O tarô mitológico. 14a. ed. Tradução Anna Maria Dalle Luche. – São Paulo: Siciliano, 1988, p. 14.]

O meu interesse pelo Tarô nasceu em 1994. Naquela ocasião adquiri dois tarôs, o Tarô de Marselha e o Tarô mitológico, cada qual acompanhado por um excelente livro que seriam responsáveis por minha iniciação ao assunto. Desde então, o que era apenas uma curiosidade se tornaria, com o passar dos anos, uma paixão. Não parei mais de adquirir tarôs, e minha coleção já soma mais de vinte baralhos.

Quando faço uma consulta, depois de obtida a resposta passo dias e dias me debruçando sobre os diferentes tarôs, estudando as diversas  formas de representação  do arcano respectivo, analisando os desenhos, as estruturas geométricas, os símbolos, as cores, estabelecendo conexões e anotando tudo o que me vem à mente. O manuseio dos arcanos do Tarô tem se revelado sempre um manancial inesgotável de acesso às imagens e conteúdos do inconsciente.

Nesses momentos, em geral faço algumas fotocópias dos diversos arcanos e as colo no Diário, sempre acompanhadas de anotações.

Arcano Seis de Paus, do Tarô mitológico

 Depois, releio tudo, para ter uma percepção de conjunto das possibilidades com relação à questão por mim proposta inicialmente.

Dentre os diversos Tarôs da minha coleção, há alguns pelos quais tenho predileção e que uso com mais frequência. Na verdade, são tarôs que escolhi para minhas consultas particulares. Um desses é o Tarô mitológico, das tarólogas Juliet Sharman-Burke e Liz Greene, editado no Brasil pela editora Siciliano. O Tarô vem acompanhado de um excelente livro com uma interpretação para cada um dos arcanos, tanto os maiores quanto os menores, além de um excelente texto introdutório no qual as autoras esboçam um breve histórico das cartas.

No Tarô mitológico, Juliet Sharman-Burke e Liz Greene conseguiram estabelecer uma conexão perfeita entre os arcanos, a mitologia grega e a psicologia junguiana, e é isso que me faz ter tanta afinidade com ele, pois sou um aficionado pelos três: Tarô, Jung e Mitologia.

A proposta do Tarô mitológico é a de uma leitura da jornada pessoal calcada nos arquétipos simbolizados por personagens da mitologia grega, representados nos arcanos maiores e menores. É uma proposta que me parece absolutamente viável e rica em possibilidades. De minha parte, tenho obtido excelentes resultados e sido muito beneficiado pela consulta aos arcanos, conduzido pelas interpretações arquetípicas propostas no livro que acompanha as cartas.

Para terminar este breve texto, transcrevo algumas observações feitas pelas autoras na conclusão do livro O Tarô mitológico, onde elas explicam sua proposta:   

As figuras mitológicas nos colocam em contato com o universo do inconsciente, profundo e sem fronteiras, que é a maneira encontrada pela psicologia atual para descrever aquilo que – em tempos menos científicos e muito menos racionais – era tido como a relação do homem com o divino.

Dessa maneira, as imagens e o significado do Tarô, que se expressam muito melhor por meio dos antigos mitos que o originaram, não são nem sobrenaturais nem ocultos, mas profundamente humanos e naturais, estando à disposição de todos os que se propuserem a aprendê-los (p. 243).