Sincronicidade

A maravilhosa linguagem arquetípica dos Orixás

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As cartas dos OrixásFoi com os Orixás que entendi um pouco mais da alma humana. É verdade, os Orixás estão muito próximos de nós; diz a lenda que a maioria já foi ser humano. Eles não são modelos perfeitos de conduta, nem são irreais. Viveram primeiro como seres humanos e depois se transformaram em forças da natureza.

Celina Fioravanti

[Fioravanti, Celina. As cartas dos orixás: a resposta dos orixás para todas as suas dúvidas sobre amor saúde e dinheiro. Ilustrações de Vagner Vargas. – São Paulo: Pensamento, 2009, p. 8.]

Há muito tempo sou fascinado pelo universo dos Orixás. Desde que me iniciei no estudo da Umbanda e do Candomblé, desconfiei que essas maravilhosas divindades africanas se prestavam a uma boa abordagem psicológica, na perspectiva da psicologia arquetípica junguiana. Com o tempo, minha hipótese foi ganhando consistência. Encontrei um bom respaldo para ela nos livros do francês Pierre Verger, que de fotógrafo passaria a etnólogo ao enveredar pelo estudo do Candomblé. Li também belos e alentadores textos sobre o assunto na obra de outro francês, Roger Bastide, outro apaixonado pelo tema, e que viveu muitos anos no Brasil, desenvolvendo estudos sobre o assunto.

Pois bem, ontem fui agradavelmente surpreendido ao receber de uma amiga, a Ana Izabel, o livro “As cartas dos Orixás”, de autoria de Celina Fioravanti. O livro vem acompanhado de dezesseis cartas com imagens dos Orixás, belamente desenhadas pelo artista plástico Vagner Vargas. Um auspicioso presente de aniversário, que apreciei imensamente.

Conforme a autora, “Cada Orixá tem a sua história, que conta sobre o tempo em que ele era um ser humano. Nessa história, está a origem do seu poder e as ligações simbólicas que constituem o seu valor arquetípico” (p. 9). O livro, pois, é um convite a que, de posse das cartas, usemo-las como oráculo, tentando desvendar o que, na perspectiva da linguagem simbólica própria dos Orixás, eles nos dizem.

Às quatro horas da madrugada de hoje encontrava-me inic iando meu ritual, fazendo uma consulta inicial ao Oráculo dos Orixás. Uma maravilha! Foi com deleite e emoção que li no texto relativo à Carta de Iansã: “Esse Orixá descobre segredos, investiga sozinha os caminhos mais ocultos e quer profundidade e verdade acima de tudo. Nada escapa à sua percepção aguçada. Por essa razão, ela ajuda quem quer interpretar oráculos” (p. 79). Para quem, como eu, estava abrindo pela primeira vez as cartas em busca de uma possível orientação, nada mais auspicioso que obter uma resposta exatamente do Orixá que “ajuda quem quer interpretar oráculos”.

Igualmente auspiciosa foi a orientação vinda de Xangô: “Xangô é um orixá muito benéfico. A carta dele indica aberturas, equilíbrio, prosperidade e fartura. Em qualquer situação negativa, ele traz alívio e uma energia favorável, que corrige o que não vai bem” (p. 53).

Defendo o ponto de vista de que nenhum oráculo deve ser utilizado de forma determinista. Na verdade, os oráculos são meios simbólicos, arquetípicos, de orientação para a vida. É nessa perspectiva que busco a Astrologia e o Tarô. No caso dos Orixás, eles guardam uma relação muito estreita com as características próprias daqueles que os cultuam. Creio que haja uma correspondência perfeita entre o Orixá e seu filho ou filha. No caso do livro de Celina Fioravani, sua leitura pode ser um bom caminho para adentrar aspectos inconscientes nossos ainda não desvendados, mediados pela consulta às cartas.

Celina Fioravanti formou-se em Belas-Artes pela Universidade Federal do Paraná (1967) e fez licenciatura em Desenho (1972). Dedicou-se ainda jovem a instruir-se sobre diversas correntes espiritualistas. Faleceu em abril de 2007. O site que ela mantinha continua ativo, sendo hoje administrado por seu filho, Raphael, e sua nora, Cláudia. O endereço do site é o seguinte: http://www.celinafioravanti.com.br/. As cartas foram desenhadas pelo artista plástico Vagner Vargas. Seus desenhos e ilustrações podem ser apreciados no site: http://vagnervargas.com.br/.