Sincronicidade

Aparições de Fátima, um insistente apelo à oração

No verbete Oração, escrito especialmente para a magistral Enciclopédia de Fátima, Manuel de Fátima e Oliveira Morujão afirma: “A oração é um ponto essencial para compreender as aparições e o fenômeno de Fátima. Sem oração, Fátima seria incompreensível, degeneraria em esoterismo ou folclore, num mero fenômeno de massa” (p. 175).

O Anjo da Paz, que antecedendo Nossa Senhora, apareceu por três vezes aos pastorinhos entre a primavera e o outono de 1916, logo na primeira manifestação se dirige aos três infantes com estas palavras: “Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo”. A seguir, pondo-se de joelhos, inclina a fronte até o chão e convida os três para que rezem com ele a oração: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”. E a própria Virgem, na última aparição, no dia 13 de outubro de 1917, se apresenta com essas palavras: “Sou a Senhora do Rosário”, fazendo, a seguir, a conclamação: “Rezai diariamente o terço”.

Usando a expressão do autor citado no início deste artigo, pode-se afirmar que Fátima se tornou, ao longo destes cem anos de história, uma “Escola de oração”. É impossível postar-se ante a imagem compassiva de Nossa Senhora de Fátima sem que nos sintamos imediatamente compungidos a nos recolher em uma prece silente e atenciosa. É como se o doce e compassivo olhar da Virgem penetrasse diretamente a nossa intimidade sussurrando quase num murmúrio: “Acolhe o meu convite para que eu acolha tuas súplicas e as leve ao meu Filho que muito te ama”.     

Há dez anos tive o privilégio de peregrinar a Fátima, ocasião em que pude testemunhar a veracidade da assertiva de Manuel de Fátima e Oliveira Morujão: “De fato, é isso que se faz em Fátima: reza-se de muitos modos, cumprindo promessas de joelhos em terra e terço na mão, participando na Eucaristia, ouvindo a palavra de Deus, desfiando as contas do rosário, cantando, pedindo e agradecendo, de olhos fitos na imagem de Nossa Senhora e num silêncio que diz tudo…” (p. 378).