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US Open 2015: O que esperar da chave feminina

Serena busca o 22º Grand Slam da carreira.

Serena Williams busca o 22º Grand Slam da carreira.

Serena Williams em quadra é favorita. Atrai a atenção do mundo inteiro em qualquer torneio que participa. No US Open 2015 certamente os holofotes terão uma justificativa a mais. Imprensa, fãs e amantes do esporte vão estar ainda mais atentos, desta vez, para acompanhar os sete passos que faltam para a americana cravar seu nome na história em mais uma marca expressiva: vencer os quatro Grand Slams na mesma temporada.

Williams já venceu por duas vezes os quatro torneios de forma consecutiva: Austrália Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. No entanto, não na mesma temporada. A essa marca foi apelidado de Serena Slam. Multicampeã e uma das melhores tenistas de todos os tempos, Serena tem pela frente sete jogos que podem lhe consagrar e lhe deixar ainda maior do que é.

O questionamento que podemos fazer é: a melhor do mundo sente a pressão dessa marca nesse momento da carreira? Isso deverá refletir dentro de quadra? A líder no ranking da WTA perdeu apenas dois jogos na temporada. Petra Kvitova e Belinda Bencic foram as algozes da norte-americana em 2015.

Quais percalços de Serena nas primeiras rodadas

As primeiras rodadas da norte-americana deverão ser, dentro da normalidade, tranquilas. A suposta “facilidade” de Serena nos primeiros jogos deverá ser acompanhada de uma atenção redobrada com jogadoras que não têm “nada a perder”. Coco Vandeweghe, Sloane Stephens e Madison Keys são jogadoras muito jovens, mas que dificultam a vida das adversárias veteranas do circuito internacional. A atual campeã do aberto dos Estados Unidos sabe muito bem disso. Entre elas, até as oitavas de final, Williams pode enfrentar a experiente Agniezka Radwanska. Firme, a polonesa tem um estilo de jogo conhecido no circuito. As adversárias precisam de paciência para definir o ponto. Aga devolve quase todas.

Nas quartas poderá enfrentar a recém-chegada ao top 10, a tcheca Karolina Pliskova, ou a irmã Vênus Williams. As duas irmãs juntas possuem oito títulos do US Open. Vênus, no entanto, não vem de grandes resultados e não deve oferecer resistências à Serena, como ocorria no início da década passada quando as duas decidiram vários Slams.

Quem pode atrapalhar ou facilitar os planos de Serena

Das candidatas ao título (além de Serena), acredito em, na ordem do ranking, Simona Halep, Petra Kvitova e Victoria Azarenka. Entre as que podem surpreender, aponto Lucie Safarova e Ana Ivanovic. Jelena Jankovic, pela chave que tem, pode ir longe na competição.

Campeã em New Haven, Kvitova é uma das favoritas ao título nos Estados Unidos.

Campeã em New Haven, Kvitova é uma das favoritas ao título nos Estados Unidos.

Kvitova venceu neste final de semana o torneio de New Haven, se tornando tricampeã. Bateu a compatriota Safarova por 2 sets a 1 de virada e vem em um bom ritmo. Capaz de enfrentar qualquer jogadora do circuito em tom de igualdade (em condições normais), a tcheca vive um bom momento físico e técnico e aparece como uma opção ao título. A bielorussa Azarenka faz um trabalho de recuperação no ranking desde o ano passado após ter ficado de fora do top 50 depois de meses fora das quadras tratando de lesão. A ex-número 1 do mundo, e agora top 20, Vicka tem tênis atualmente para o título inédito.

Praticamente recuperada (acredito eu) de uma lesão na coxa, a romena Simona Halep fez final em Cincinnati contra Serena. Foi derrotada, mas deixou a quadra satisfeita, sorrindo. Sabe que melhorou fisicamente e que pode decidir um torneio de tal magnitude. Desistiu de jogar New Haven para estar 100% no US Open.

Sem ritmo e lesionada, a russa não é favorita no torneio. Foto: Divulgação

Sem ritmo e lesionada, a russa desistiu do torneio. Foto: Divulgação

Figuras “carimbadas” do top 10 não devem ir muito longe, a analisar pelos últimos torneios. Caroline Wozniacki, atual vice-campeã do Slam, está em baixa consigo mesma. A dinamarquesa não saiu das primeiras rodadas em Montreal e Cincinnati, torneios preparatórios para US Open. A russa Maria Sharapova nem entrou em quadra nos torneios preparatórios e acabou desistindo também do US Open com lesão na coxa. Sharapova, que fez apenas a terceira rodada ano passado, deverá perder os pontos conquistados.

Por outro lado, Ana Ivanovic, a sérvia ex-número 1 do mundo, passa por uma boa fase. Fez quartas em Montreal (sendo derrotada pela campeã Bencic) e em Cincinnati (derrotada pela campeã Serena). Pode manter o bom nível e surpreender nesse torneio. É bom estar de olho na jovem Bencic. Derrotou grandes nomes do tênis da atualidade e foi campeã no Canadá jogando no piso duro.

A única brasileira no torneio

No melhor momento da carreira, Teliana quer ir longe no US Open. Foto: Reprodução

No melhor momento da carreira, Teliana quer ir longe no US Open. Foto: Reprodução

Teliana Pereira, atual 53 do ranking da WTA, pega uma pedreira logo na estreia, a russa Ekaterina Makarova. Ainda precisando melhorar muito o seu jogo na quadra rápida, a pernambucana vai precisar jogar muito para passar à segunda rodada. Teliana é o orgulho brasileiro no tênis feminino, tem posto fim a jejuns, atingido marcas expressivas e vem colocando o esporte em evidência. Em seu melhor momento na carreira, a nordestina radicalizada no sul vem evoluindo e, apesar do jogo duro que terá pela frente, tem reais condições de vencer a russa.

Zebras

E quanto às zebras… Bem, zebras são zebras. Não há como prever. O melhor mesmo é acompanhar todos os jogos.

Veja também a análise sobre a chave masculina aqui no blog Slice.

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