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Desacreditado, Federer faz história no Austrália Open

Roger Federer venceu seu 18° Slam e quebra mais uma marca histórica no tênis. Foto: Divulgação/AO

Roger Federer venceu seu 18° Grand Slam, quebrou mais um recorde histórico no tênis mundial e voltou ao top 10. Foto: Divulgação/AO

Seis meses longe das quadras. Lesões. 35 anos. Cinco temporadas sem vencer Grand Slams. Descrédito da crítica especializada e dos próprios fãs. Fora ao auge. Carta fora do baralho entre as apostas. Roger Federer driblou tudo isso, venceu mais um Austrália Open, neste domingo, 29, e bateu mais uma marca histórica conquistando seu 18° major e se consolidando ainda mais como o maior tenista da história do tênis mundial.

Como escrevi na véspera do Fedal, era um duelo que todo fã de tênis queria, mas que ninguém acreditava. Não se podia sonhar com essa final por muitos fatores. Um deles era a fase nada promissora que Rafael Nadal e Roger Federer viviam no momento. Os dois ex-líderes do ranking mundial encerraram antecipadamente suas temporadas em 2016 por lesões. O suíço ficou seis meses tratando do joelho. O espanhol, mais de três meses tentando se recuperar do punho que tanto perturbou sua cabeça desde o início do ano passado.

O primeiro grande teste de Federer no ano, no primeiro torneio da temporada — que foi o Slam australiano —, foi o duelo contra o japonês Kei Nishikori, nas oitavas de finais. Era no enfrentamento com o número cinco do mundo que o suíço poderia medir a quantas andava o seu nível do jogo depois de tanto tempo sem disputar um torneio oficial. Foi sofrido. Foram cinco sets. Mas a lenda viva do tênis passou para as quartas de finais surpreendendo com o bom nível de tênis apresentado.

Ali, nas quartas, mediria forças (e talento) com o número 1, Andy Murray. Mas Mischa Zverev tinha tratado de eliminar o britânico na rodada anterior em mais uma zebra do Aberto da Austrália. O jogo contra o alemão? Tranquilo. Três sets a zero. Na semifinal, enfrentou o compatriota Stan Wawrinka. Quem sabe, o grande teste do suíço antes de chegar à final. Mais uma batalha de cinco sets e Federer passa para uma final que nem ele, nem a imprensa, nem os próprios fãs acreditavam. E passa jogando um tênis de primeira linha. Impressionante.

O espanhol é vice-campeão da edição do AusOpen 2017. Foto: Divulgação/AO

O espanhol é vice-campeão da edição do AusOpen 2017. Foto: Divulgação/AO

A chave de Rafael Nadal foi ainda mais difícil, exigindo ainda maior resistência e determinação. O espanhol, em comparação com o suíço, ficou cinco horas a mais na quadra com longas batalhas para passar de rodada. Logo no terceiro jogo, enfrentou o talentoso e promissor Alexander Zverev. O detentor de 14 Grand Slams precisou de cinco sets para eliminar o alemão de 19 anos. Foi suado.

Nas oitavas, mais um jogo difícil contra o francês Gael Monfils. O jogo em si não tão dramático quanto o da rodada anterior. Três sets a um. Um dos grandes desafios de Nadal, no entanto, foi o jogo contra o canadense Milos Raonic. O resultado de três sets a zero foi surpreendente. O tenista do Canadá evoluiu seu jogo na temporada passada e vem obtendo resultado espetaculares. É a grande promessa para vencer um Slam na temporada 2017. Nadal passou com um tênis sólido, consistente.

Contra o búlgaro Grigor Dimitrov, na semifinal, uma batalha também de cinco sets. Acredito que foi o duelo em que o espanhol teve razões para acreditar em uma derrota. Também criticado bastante pela imprensa especializada sobre ser uma “eterna promessa”, Dimitrov, de 25 anos, mostrou que pode conquistar algo maior na sua carreira na temporada. Jogou um tênis absurdo contra Nadal e deixou claro que evoluiu muito para a temporada. No confronto duro, ficou provado que a confiança do espanhol estava a todo vapor.

A final do Austrália Open com duas lendas do tênis não poderia ser diferente. Foi decidida no quinto set, com parciais de 6/4, 3/6, 6/1, 3/6 e 6/3. Cheio de nostalgia, paixão e admiração, o duelo mexeu com a cabeça do fã de tênis que lotou a Rod Laver Arena para acompanhar a grande decisão entre dois tenistas que construíram uma das maiores rivalidades na história recente do esporte. Foi bonito de se ver. Inspirador e impressionante.

E a temporada só está começando.

Histórico entre Nadal e Federer

O primeiro confronto oficial entre Rafael Nadal e Roger Federer ocorreu em 2004 no ATP de Miami, com vitória fácil do espanhol por 2 sets a 0. Em 2005, no mesmo torneio, as duas lendas fazem final, dessa vez com vitória do suíço de virada no quinto set.

Começava aí uma das maiores rivalidades entre os dois ex-líderes do ranking mundial. Até aqui são 35 confrontos, com ampla vantagem para Nadal. São 23 vitórias contra 12 de Federer. A primeira final de Slam entre os dois ocorreu em 2006, em Roland Garros, com vitória do espanhol. Ao todo são nove finais, com seis títulos do canhoto contra três do maior vencedor de Slams da história do tênis.

Confrontos em finais de Slams

Roland Garros (saibro)
2006, 2007, 2008 e 2011. Todas vencidas por Nadal.

Wimbledon (grama)
2006 e 2007 vencidas por Federer, Nadal ficou com o título em 2008.

Australia Open
2009 (Nadal) e 2017 (Federer).

Confrontos no Australia Open
Nadal 3 x 1 Federer

Histórico de vitórias e derrotas nos pisos

Saibro
Federer: 2
Nadal: 13

Piso duro
Federer: 8
Nadal: 9

Grama
Federer: 2
Nadal: 1

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