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A má fase dos líderes do ranking mundial de tênis

N° 1 do mundo, Murray faz uma temporada morna no circuito internacional de tênis

A matemática no mundo do tênis pode ser enganadora para quem olha apenas os números secos, sem enxergar a conjuntura do momento. Os favoritos nos rankings nem sempre são de fato. O favoritismo em um duelo se faz em cada jogo. Cada disputa é uma história diferente, como em todo esporte. Se assim não fosse, as chamadas “zebras” não existiriam.

Para as casas de apostas, os líderes dos rankings da ATP e WTA devem ter causado um prejuízo enorme na atual temporada. Aliás, para os apostadores que não acompanham o esporte e tomam como base os números unicamente. Para o fã de tênis, um ar de frustração.

Andy Murray, que tomou a liderança do circuito no ano passado do sérvio Novak Djokovic, começou o ano frio após uma temporada completamente regular e exitosa em 2016. Em 2017, foram 13 vitórias e 4 derrotas. Uma dessas derrotas para o polonês Vasek Pospisil, então 129 no ranking, em Indian Wells.

O adversário de Andy não era um Juan Martin Del Potro na Olimpíada do Rio de Janeiro, que tinha um ranking alto, porém o circuito inteiro sabia do talento e do que poderia fazer em quadra o argentino contra o então número 1 do mundo Novak Djojovic. Pospisil não apresenta um tênis tão consistente a ponto de ameaçar uma vitória de tenistas top 10.

Diante de um duelo em que Murray vinha abaixo do esperado, Pospisil se fez favorito e venceu a partida. Assim como Misha Zverev, então 50 do mundo, derrotou o britânico no Australia Open. Outro resultado que chamou a atenção dos fãs de tênis.

Ainda com uma larga margem de vantagem para o segundo colocado no ranking da ATP (Djokovic), Andy se beneficia do que fez no ano passado. Caso os pontos de 2016 zerassem no começo de 2017, o então líder do ranking seria apenas o 11º. Além de M. Zverev e Vasek Pospisil, o britânico perdeu para Novak DJokovic (2°) na final do Qatar e Albert Ramos-Vinolas (24°), na segunda rodada de Monte Carlo. O líder tem apenas um título no ano.

WTA

A situação de Angelique Kerber, “líder” do feminino, é ainda mais intrigante. Ela jogou mais torneios que Murray e perdeu mais. Apesar de ter perdido a liderança do ranking da WTA há duas semanas, a alemã segue como “líder” já que Serena Williams deu uma pausa no circuito por causa da gravidez. Mesmo fora dos jogos de tênis e tendo disputado apenas um torneio em 2017, Serena ainda voltou a ser líder após Kerber ir mal em Stuttgart, em casa.

Angelique, que venceu dois Grand Slams no ano passado, batendo em um deles a norte-americana, segue sem título na atual temporada e apresentando um tênis bem abaixo do que sabe. Em entrevistas, ela já havia dado declarações sobre a pressão de ser número 1, mas pelo visto não acostumou ainda com o momento mais esperado na carreira de qualquer tenista. Os resultados vão de mal a pior. Foram 17 vitórias e 9 derrotas neste ano.

Só para a ucraniana Elina Svitolina, que recentemente entrou no top 10, a alemã perdeu quatro vezes no ano. O melhor resultado de Kerber foi a final no mediano torneio de Monterrey, no México, atingindo a final. No Australia Open foi derrotada na segunda rodada pela jovem Daria Kasatkina. Assim como Murray, Kerber seria a 11° caso a pontuação de 2016 fosse zerada com o início deste ano.

A situação dos cabeças do circuito internacional não é nada promissora. Enquanto isso, Federer e Nadal vão abocanhando os principais torneios na atual temporada e Karolina Pliskova assumiu a liderança no ranking no ano no feminino. É, até agora, a tenista mais regular do circuito, seguida de Caroline Wozniacki, ex-líder do ranking feminino.

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