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O “baby Federer” desencantou?

O búlgaro venceu o torneio de Cincinnati sem perder sets. Foto: Divulgação

Considerado por muitos o sucessor de Roger Federer, o búlgaro Grigor Dimitrov, ao longo dos anos, não fez jus em termos de resultado à expectativa dos amantes de tênis no mundo.

Com estilo de jogo semelhante ao do maior vencedor de Slams da história do esporte — revés de uma mão, boa técnica de variação e excelente movimentação dentro de quadra — a promessa evoluiu bem nos últimos anos, de forma sólida no ranking da ATP, mas não conseguiu marcas que se esperam de um tenista da qualidade que apresenta nos torneios do circuito mundial.

Aos 26 anos, o búlgado passeou diversas vezes pelo top 10 (desde 2014), mas nunca havia conquistado um título da robustez de um Cincinnati, como ocorreu na semana passada. Menos importante apenas do que os Grand Slams, os Masters medem o tamanho de cada jogador.

Federer tem 26, Novak Djokovic venceu 30, o mesmo número de Rafael Nadal. O búlgaro venceu o seu primeiro apenas aos 26 anos. Ele diz que pode ser que a partir de agora seja diferente, que muitos possam vir na carreira.

A conquista de um título dessa importância de forma “tardia” não traz tanto entusiasmo aos fãs e patrocinadores à trajetória de Grigor para os próximos torneios. É uma sensação de: “finalmente veio, já era hora”.

É certo que entre 26 e 29 anos é o intervalo médio de idade em que os tenistas chegam ao seu ápice. Dimitrov pode estar chegando ao seu melhor momento na carreira. Fez um torneio excepcional vencendo todos os jogos em dois sets. Uma performance irreparável. Não se sabe, porém, se manterá o ritmo no US Open, ainda este mês.

Mesmo que comece a vencer grandes torneios daqui para frente, é pouco provável que o búlgaro atinja números que o suíço atingiu. Ganhar o apelido de “baby Federer” como ganhou desde o início da sua carreira pode ter sido um peso que comprometeu seus resultados.

Pelo bem do tênis, a torcida é que finalmente o tal “baby Federer” tenha desencantado, que possa elevar o nível dos jogos e deixar torneios imprevisíveis. Mas que ele seja o Dimitrov, o búlgaro e que possa influenciar novos tenistas com os seus próprios resultados e performances dentro de quadra, e não em referência ou substituição a uma lenda viva do esporte.

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