Varanda Casa Azul

O curioso caso designers x startups

Texto por Leslie Possidonio, head de comunicação da Casa Azul. Leslie é designer pela UFC, curte a área de branding e design gráfico. Mande fotos de bichinhos fofos.

 

Como membro de carteirinha da Associação dos Criativos Anônimos, digamos que eu tenha passado por diversas experiências bem diferentes nesse meio ano que estou em contato com startups. Aprendi muita coisa nova tanto como designer quanto como startupeira. E, se me permitem, vou contar um pouco dessa história pra vocês, tentando chegar a algumas conclusões (ou não) sobre o quanto o perfil do designer é importante para uma startup e vice-versa. Claro, não estou aqui pra falar de verdades absolutas, apenas refletir alguns pontos da minha própria vivência.

Acho que a primeira coisa legal de falar é sobre a bolha criativa do designer, que, teoricamente (e bastante estereotipadamente), é aquela pessoa que tem seus surtos criativos, gosta de café, usa óculos da moda, se veste bem, faz umas artes bonitas e impressiona a galera. Pode até ter muita realidade nisso, mas toda ‘‘arte’’ tem uma história por trás, e são essas histórias e algumas ferramentas, como tipografias e formas, que podem ser muito úteis na hora de vender uma ideia (ou produto).

Essa bolha, pra mim, foi estourada quando me dei conta da rapidez com que tudo caminha nas startups. Projetos que poderiam levar um ano entre concepção e aperfeiçoamento precisam ser feitos em um mês ou não vale nem a pena. Assim, tive que me desacostumar com o ritmo conceitual estabelecido por mim mesma dentro da faculdade, e aprender a otimizar meus recursos não para trazer o resultado perfeito, mas para trazer aquele bom  o suficiente pra resolver o problema. O que também é uma premissa do design, mas nem sempre a gente cumpre, rs.

Daí conectamos com o que, pra mim, foi uma das maiores dificuldades: no design, a gente é cheio de regras, processos, planejamento e queremos seguir tudo tim-tim por tim-tim. Pra uma startup, isso não é nem um pouco interessante. Eles estão mais preocupados em entender o que seus clientes querem e fazer um produto que atenda às suas necessidades, entende? E aí, cabe à nós, como profissionais, aprendermos a ser bem mais fluidos e deixarmos de lado todas as ideias quadradas, pra dar espaço a um caminho bem mais dinâmico.

Outra coisa que todo mundo já sabe é que ter um criativo no perfil de seu time é o ideal para começar uma startup, certo? O ideal, mas nem sempre acontece. E nem sempre é um designer. Porque, apesar de os UX/UI Design serem bem lembrados no processo de concepção das ideias, além das metodologias utilizando o design thinking, tem alguns tipos de áreas do design e da ‘‘grande área’’ da comunicação que ninguém lembra, mas são tão importantes quanto.

O design gráfico, por exemplo, é uma área subvalorizada e – bom, pelo menos até onde eu vi – deixada pra depois, porque realmente não é a prioridade quando se trata de startup. O que considero um ponto negativo, pois um conteúdo fica bem mais interessante quando passado de forma esteticamente agradável, não é? Me digam, por exemplo, quantas marcas vocês já escolheram só porque a embalagem era bonitinha? Ou quantos instagrams de algum restaurante ou loja vocês não já seguiram de volta só por que o feed era legal?

Agora, se tem algo que aprendi e tenho até como crítica à minha bolha, é que nós não entendemos nada de negócios. É, nadica. Mesmo com disciplinas de gestão fazendo parte de alguns currículos, acabamos não aprofundando muito e não levando muito a sério nos projetos a viabilização deles. Geralmente, a gente faz um protótipo que não vai pra frente e acaba esquecendo de como deve agir pra colocar um produto no mercado, precificar, colocar tudo em planilhas (PASME), e tudo o mais que não vemos ou nos deparamos muito rasamente na faculdade.

Basicamente, são dois mundo que, por mais proximidade que tenham, ainda não aproveitam completamente tudo que um tem a oferecer ao outro. Nós, designers, temos muito a aprender com as startups e também temos muito a oferecer a esses times. Pra ficar mais fácil de entender, por exemplo, segue uma imagem de tudo que eu tentei explicar!

Mais simples, né? O design tem o poder de ajudar a ilustrar tudo isso que escrevi, ou todas as ideias que uma startup tiver, em imagens. O que é muito bom, porque assim conseguimos expressar para o consumidor final tudo o que ele precisa saber de forma mais rápida e esteticamente agradável… sem se perder e ficar pra trás na velocidade dos negócios 😉

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