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Ame o problema, não sua solução

ame o problema, não sua solução

Se hoje você conseguiu fugir do trânsito – ou pelo menos demorar um pouco menos para chegar em casa na hora do rush – muito provavelmente o responsável por isso é Uri Levine, o israelense por trás de um dos aplicativos mais utilizados por pessoas hoje ao redor do globo, o Waze. Ele garante que um dos maiores responsáveis pelo sucesso do negócio é o mantra no título desse texto.

Muito provavelmente você deve ter uma geladeira em casa para conservar o que você compra no mercado, né? Mas você já parou para pensar como as pessoas conservavam seus alimentos no passado?

No inverno, uma das profissões mais populares que existia nos Estados Unidos era a de cortadores de gelo. Homens e mulheres de todo o país se encaminhavam até rios e lagos congelados para serrar enormes blocos de gelo e levar até as cidades. Na época, a maior parte do investimento era em aumentar a capacidade de transporte até os grandes centros metropolitanos, com carroças, trens, navios e tudo aquilo que pudesse ajudar nessa árdua tarefa.

Essa atividade se estendeu durante a segunda metade do século XIX. Graças aos avanços tecnológicos, foi inventada uma maneira de fazer gelo artificialmente. Foram criadas então as primeiras fábricas de gelo, que foram construídas perto dos grandes centros urbanos, o que acabou falindo a indústria dos cortadores de gelo, fazendo com que milhares de trabalhadores ficassem desempregados.

Num ciclo ainda menor – cerca de 3 décadas – os avanços tecnológicos foram ainda mais disruptivos, desenvolvendo “fábricas de gelo portáteis”, isso é, a geladeira que existe hoje na sua casa. Novamente, milhares de pessoas que trabalhavam nas fábricas de gelo também perderam seus empregos.

Iniciei esse texto com essa história a fim de destacar dois prontos principais: primeiro, a velocidade em que duas grandes indústrias foram apagadas do mapa em menos de um século, sendo a segunda quase na metade do tempo da primeira. Segundo – e provavelmente o ponto mais crítico dessa história – nenhum cortador de gelo fundou uma fábrica de gelo e nem um empresário do setor da fabricação de gelos jamais imaginou criar uma geladeira. Em outras palavras, eles estavam focados demais em melhorar sua solução – no caso dos cortadores de gelo, aumentando sua capacidade logística – e esqueceram da relevância do problema que eles resolviam de fato para os seus clientes, que é exatamente o que essas três indústrias tem em comum: entregar a forma mais viável, rápida e barata que as pessoas pudessem conservar seus alimentos por mais tempo.

“Ame o problema, não sua solução”. Esse mantra seria assertivo para ambas industrias que sofreram com a disrupção estivessem sempre em busca da melhor maneira de resolver o problema de seus clientes – e assim evitassem seus próprios fins. Hoje temos geladeiras em casa, mas e amanhã – qual é a próxima curva do seu negócio?

Se você escolheu o caminho de abrir uma pequena empresa, você deve estar atento ao fato que você precisa ser um solucionador de problemas. Se você não ama seu problema – sinto lhe informar mas – você não pode resolve-lo. Aqui na Casa Azul nós acreditamos que o foco de nossas startups deve ser em construir produtos que criem mudanças no comportamento a fim de ajudar pessoas a levarem vidas melhores e mais felizes.

Mas, antes de reunir informações para um plano de negócio, recomendo que cheque com você mesmo primeiro. Pergunte-se: “porque eu quero começar um negócio?”. Considere se você tem a motivação necessária, as habilidades e os recursos para percorrer uma jornada empreendedora. Mais do que isso, você tem de ter certeza qual é a sua motivação. Por que? Porque você deve entender que essa é uma das escolhas mais importantes da sua vida. Você precisará assumir inúmeros riscos. Você não deve ter medo de falhar. Os estudos mostram que apenas 1 em cada 10 startups conseguem ter sucesso de fato.

Nós vivemos em um mundo que está cheio de pessoas com ideias incríveis que podem muda-lo. A pergunta é: o que sua ideia oferece para resolver um problema de pessoas reais? E não menos importante: que problema é esse; e o quão disposto você está para resolve-lo cada vez mais rápido e em maior escala? Vamos responder tudo isso na continuação desse texto que sai ainda essa semana, fiquem ligados! 😊

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