{"id":606,"date":"2009-11-09T08:00:39","date_gmt":"2009-11-09T11:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/ancoradouro\/?p=606"},"modified":"2009-11-09T08:00:39","modified_gmt":"2009-11-09T11:00:39","slug":"teilhard-de-chardin-e-as-duas-guerras-mundiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/2009\/11\/09\/teilhard-de-chardin-e-as-duas-guerras-mundiais\/","title":{"rendered":"Teilhard de Chardin e as Duas Guerras Mundiais"},"content":{"rendered":"<p>Anteriormente publiquei um material sobre Teilhard de Chardin (vide no p\u00f4st relacionado), um pensador jesuita cujo pensamento torna-se conhecido no meio acad\u00eamico, n\u00e3o s\u00f3 teol\u00f3gico, mas de outras especialidades como paleontologia, arqueologia e outros. Esse pr\u00f3ximo artigo trata da participa\u00e7\u00e3o de Chardin nas duas Conflagra\u00e7\u00f5es Mundiais.<\/p>\n<p>P. Teilhard participou das duas guerras mundiais. Na primeira, tr\u00eas anos ap\u00f3s sua ordena\u00e7\u00e3o, serve como padioleiro, no oitavo regimento de atiradores marroquinos, a recolher mortos e feridos em campo de batalha. Terminada a guerra mereceu \u2018duas cita\u00e7\u00f5es, uma medalha militar e a ordem da legi\u00e3o de Honra.\u2019<a href=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=3241-1141-vvq6.2.6line3#_ftn1\">[1]<\/a>Na segunda Guerra Mundial foi confinado em ex\u00edlio em Pequim.<\/p>\n<p>Foi nos anos da primeira Guerra Mundial que surgiram os primeiros escritos, sendo o primaz deles <em>Vida C\u00f3smica <\/em>(1916)<em>. <\/em>\u00a0Tamb\u00e9m neste per\u00edodo suas convic\u00e7\u00f5es foram refor\u00e7adas e a intui\u00e7\u00e3o de que existia um sentido maior do que aquilo que simplesmente se apresentava o impulsionava a prosseguir. Foi uma experi\u00eancia marcante e necess\u00e1ria para o seu pensamento, como escreveu:<\/p>\n<p>Afirmo, por minha parte, que sem a guerra haveria um mundo de sentimentos que eu jamais teria conhecido nem suspeitado. Ningu\u00e9m afora aqueles que ali estiveram, ter\u00e1 id\u00e9ia da lembran\u00e7a carregada de deslumbramento que um pode guardar das planuras de Ypr\u00e9 em abril de 1915, quando o ar de Flandres rescendia a cloro e as granadas decepavam os choupos ao longo do ypel\u00e8.<a href=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=3241-1141-vvq6.2.6line3#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>P. Teilhard n\u00e3o se deixou abater nestes anos dif\u00edceis, nem mergulhou num pessimismo, que por ocasi\u00e3o se generalizava. Acreditava que daquela cruel purifica\u00e7\u00e3o pela qual passavam os homens, surgia uma humanidade mais bela e potente.<\/p>\n<p>Suas convic\u00e7\u00f5es enraizadas no solo sangrento da guerra o fizeram despontar para uma nova realidade. Cada vez mais o Jesu\u00edta de Auvergne acreditava que o mundo estava preso a um processo evolutivo e caminhava irremediavelmente para um ponto de converg\u00eancia.<\/p>\n<p>O mundo para ele era um vir-a-ser org\u00e2nico que se centralizava no homem. Depois da forma\u00e7\u00e3o da pessoa humana n\u00e3o entender\u00edamos este processo se ele n\u00e3o desembocasse no centro da converg\u00eancia e da perfei\u00e7\u00e3o, <em>o Omega.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0Todos os temas fundamentais Teilhardiano tais como processo, humanidade, personaliza\u00e7\u00e3o, converg\u00eancia, foram cunhados nos tempos de guerra. Da\u00ed nasceu tamb\u00e9m a necessidade de escrever e comunicar estas intui\u00e7\u00f5es interiores. Queria contribuir com a humanidade deixando algo mais dur\u00e1vel do que ele.<\/p>\n<p>\u00a0N\u00e3o obstante isso sabia das dificuldades existentes devido a rea\u00e7\u00e3o que gerava a novidade deste pensamento para aqueles que estavam acomodados numa elabora\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica antiga e perpetrada num sistema est\u00e1tico.<\/p>\n<p>P. Teilhard manteve-se fiel \u00e0s suas convic\u00e7\u00f5es e exarou tudo o que estava em sua mente. Seu interesse por aquilo que era humano f\u00e9-lo, mesmo diante das adversidades, prosseguir e deixar sua contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que eu me solicita profundamente na vida \u00e9 poder colaborar numa obra, numa realidade, mais dur\u00e1vel do que eu. \u00c9 nesse esp\u00edrito e nesta perspectiva que procuro aperfei\u00e7oar-me e dominar um pouco mais as coisas.<a href=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=3241-1141-vvq6.2.6line3#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr size=\"1\" \/><a href=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=3241-1141-vvq6.2.6line3#_ftnref1\">[1]<\/a> ARCHANJO, Prof.Jos\u00e9 Luiz, Ph.D.<em> O Pensamento Vivo de Teilhard de Chardin<\/em>,<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=3241-1141-vvq6.2.6line3#_ftnref2\">[2]<\/a> <em>La Nostalgie du Front<\/em>, texto citado por Grenet, P., Teilhard de Chardin un \u00e9volutionniste Chr\u00e9tien, Seghers, Paris, 1961, p. 165, apud MARTINAZZO, Eus\u00e9bio. P.43<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/pasteword.htm?ver=3241-1141-vvq6.2.6line3#_ftnref3\">[3]<\/a> Ibid. , p. 45.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anteriormente publiquei um material sobre Teilhard de Chardin (vide no p\u00f4st relacionado), um pensador jesuita cujo pensamento torna-se conhecido no meio acad\u00eamico, n\u00e3o s\u00f3 teol\u00f3gico,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":141,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[366],"tags":[90],"class_list":["post-606","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teilhard-de-chardin","tag-teilhard-de-chardin"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}