{"id":6753,"date":"2011-03-11T22:43:02","date_gmt":"2011-03-12T01:43:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/ancoradouro\/?p=6753"},"modified":"2011-03-11T22:43:02","modified_gmt":"2011-03-12T01:43:02","slug":"eloa-e-desdemonas-dois-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/2011\/03\/11\/eloa-e-desdemonas-dois-anos-depois\/","title":{"rendered":"Elo\u00e1 e Desd\u00eamona, dois anos depois"},"content":{"rendered":"<p>Logo ap\u00f3s o desastre que desembocou na morte de Elo\u00e1, escrevi um artigo para a editoria de opini\u00e3o de O Globo On-line sobre o assunto. Fiz uma analogia com a trag\u00e9dia Shakesperiana &#8220;Otelo&#8221;. Em ambas as hist\u00f3rias um fim triste, mulheres mortas por homens cegos pela paix\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_6754\" style=\"width: 263px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-6754\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/ancoradouro\/eloa-e-desdemonas-dois-anos-depois\/desdemona\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6754\" class=\"size-full wp-image-6754\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2011\/03\/desdemona.jpg\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"199\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2011\/03\/desdemona.jpg 253w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2011\/03\/desdemona-120x94.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 253px) 100vw, 253px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6754\" class=\"wp-caption-text\">Desd\u00eamona e Elo\u00e1 tiveram finais tr\u00e1gicos<\/p><\/div>\n<p>Em todas as \u00e9pocas da trag\u00e9dia, o ci\u00fame sempre foi um item indispens\u00e1vel. O ingl\u00eas William Shakespeare notabilizou este movimento da natureza humana em sua mais enfurecida sanha no per\u00edodo moderno em cl\u00e1ssicos como &#8220;Otelo&#8221;. Iago, um dos personagens da hist\u00f3ria, apaixonado por Desd\u00eamona, envenena o cora\u00e7\u00e3o do marido da jovem com o ci\u00fame, insinuando que ela tem um caso com C\u00e1ssio. Isto fez Otelo ensandecer, desesperar-se, matar sua amada e ao descobrir toda verdade, suicidar-se.<\/p>\n<p>Com a mesma f\u00faria o ci\u00fame tomou posse de Lindemberg, o jovem metal\u00fargico que cruzou o limiar da criminalidade ao fazer ref\u00e9m sua ex-namorada e amigos. O Brasil assistiu ao seq\u00fcestro das jovens torcendo por um final tranq\u00fcilo, o que n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>A ilha de Chipre em &#8220;Otelo&#8221; foi o palco da hist\u00f3ria de final sangrento; em Santo Andr\u00e9 foi um apartamento de um conjunto habitacional. Nele, durante mais de 100 horas a jovem Elo\u00e1 permaneceu sob a mira de um rev\u00f3lver.<\/p>\n<p>Algumas m\u00eddias insistiram em apresentar Lindemberg como um criminoso incomum, um tanto quanto inofensivo, pois n\u00e3o exigia moeda de troca em seu crime passional. Isso causava a sensa\u00e7\u00e3o que terminaria tudo bem. Teria sido esse pueril racioc\u00ednio que fundamentou a atitude da pol\u00edcia em liberar a jovem Nayara a voltar ao c\u00e1rcere, coisa, ali\u00e1s, proibida pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente? Seria ainda por essa inconsistente l\u00f3gica que os policiais invadiram o apartamento sem artilharia letal, apenas com muni\u00e7\u00e3o de borracha?<\/p>\n<p>Se a m\u00eddia, a pol\u00edcia e a popula\u00e7\u00e3o nutriam grande certeza que Lindemberg n\u00e3o fosse capaz de causar um desfecho tr\u00e1gico ao seq\u00fcestro, o mesmo jovem tinha a convic\u00e7\u00e3o que o apartamento seria invadido pela pol\u00edcia, por isso, mesmo ap\u00f3s cinco dias sob tens\u00e3o, o seq\u00fcestrador ainda resistiu \u00e0 pris\u00e3o, lutando contra os policiais.<\/p>\n<p>Ao final dessa hist\u00f3ria real, Elo\u00e1, como a Desd\u00eamona da hist\u00f3ria fict\u00edcia, \u00e9 v\u00edtima da a\u00e7\u00e3o ignominiosa de um homem que troca o agir segundo a raz\u00e3o pela atitude segundo o instinto, comportando-se como um ser de alta periculosidade, diferente do Linderberg conhecido pela fam\u00edlia e apresentado na cobertura do seq\u00fcestro.<\/p>\n<p><em>Artigo publicado em 21\/10\/2008 no jornal O Globo On-line <\/em><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/mat\/2008\/10\/21\/eloa_desdemona-586044139.asp\"><em>http:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/mat\/2008\/10\/21\/eloa_desdemona-586044139.asp<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo ap\u00f3s o desastre que desembocou na morte de Elo\u00e1, escrevi um artigo para a editoria de opini\u00e3o de O Globo On-line sobre o assunto. 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