{"id":7588,"date":"2011-05-22T10:16:54","date_gmt":"2011-05-22T13:16:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/ancoradouro\/?p=7588"},"modified":"2011-05-22T10:16:54","modified_gmt":"2011-05-22T13:16:54","slug":"familia-que-coisa-mais-nojenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/2011\/05\/22\/familia-que-coisa-mais-nojenta\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia, que coisa mais nojenta"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea que um adolescente de 15 anos tem a maturidade de decidir sobre a mudan\u00e7a de sua sexualidade? Ou voc\u00ea gostaria que um travesti aconselhasse seu filho tamb\u00e9m adolescente a fazer esta experi\u00eancia? Acredito que sua resposta seja um n\u00e3o. A menos que voc\u00ea seja como uma m\u00e3e que eu ouvi falar entregou para o filho de 12 anos uma cartela de camisinha e \u00e0 filha de treze uma outra cartela, esta de p\u00edlulas do dia seguinte.<\/p>\n<p>Pois bem, o MEC acha que seu filho\u00a0 \u00e9 maduro o suficiente para tratar de quest\u00f5es t\u00e3o delicadas ainda em tenra idade. Para eles \u00e9 normal exibir na escola um v\u00eddeo de beijo entre duas garotas. Ali\u00e1s at\u00e9 riem sobre como tiveram que tomar a decis\u00e3o (mais abaixo v\u00eddeo com a cena).<\/p>\n<p>O titular do ANCORADOURO n\u00e3o \u00e9 homof\u00f3bico, apenas n\u00e3o concorda com a ditadura que deseja impor a minoria gay \u00e0s massas. Ou isto n\u00e3o posso expressar? Pois a palavra homofobia al\u00e9m de seu significado origin\u00e1rio tamb\u00e9m serve para rotular quem pensa diferente, a utilizam como uma morda\u00e7a lingu\u00edstica.<\/p>\n<p>O tal kit-gay realmente ser\u00e1 distribu\u00eddo na escolas. Lament\u00e1vel. Como afirmou o ex-governador do Rio Grande do Norte querem ensinar \u00e0s nossas crian\u00e7as que \u00e9 bonito ser homossexual. Com ele repito o questionamento, ser\u00e1 que n\u00e3o se pode ensinar que tamb\u00e9m \u00e9 bonito ser heterossxual, ou n\u00e3o pode? Pelo visto, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Do contr\u00e1rio como\u00a0 venho fazendo, este ser\u00e1 um p\u00f4st grande. Quero abordar v\u00e1rios aspectos e voc\u00ea ler aquilo que mais lhe interessa, muito embora o conte\u00fado todo seja de extrema import\u00e2ncia para quem ainda ver na fam\u00edlia formada por homem e mulher a c\u00e9lula mater da sociedade. Nesta minha reflex\u00e3o em muito ajudar\u00e1 o pensamento do colunista e blogueiro da revista Veja Reinaldo Azevedo, a quem pertence o t\u00edtulo desta postagem.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 onde\u00a0entra a \u00a0l\u00edngua\u00a0 num beijo l\u00e9sbico?<\/strong><\/p>\n<p>Esssa foi a \u00fanica d\u00favida para a comiss\u00e3o do MEC que preparava o kit-gay.<\/p>\n<p>Sevoc\u00ea tiver est\u00f4mago assista ao v\u00eddeo Ap\u00f3s volto com texto do Reinaldo Azevedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PTW-1WsaoMs&amp;feature=player_embedded[\/youtube]\n<p>Na plat\u00e9ia, n\u00e3o havia pais, educadores ou coisa parecida. Era composta, basicamente, de correntes, as mais variadas, do movimento gay. Os gays t\u00eam todo o direito de reivindicar direitos, prote\u00e7\u00e3o, o que seja. Na democracia, todos s\u00e3o livres para se organizar. Mas n\u00e3o lhes cabe dizer como os nossos filhos devem ser educados, eis o ponto. N\u00e3o s\u00f3 isso: N\u00c3O CABE AO ESTADO FAZER ESSA ESCOLHA EM LUGAR DAS FAM\u00cdLIAS.<\/p>\n<p>Que a escola deva defender valores como toler\u00e2ncia, conviv\u00eancia com a diferen\u00e7a, respeito ao outro, disso tudo n\u00e3o tenho a menor d\u00favida. Mas tomar o lugar dos pais, da fam\u00edlia, em mat\u00e9ria que diz respeito a valore morais? A\u00ed n\u00e3o d\u00e1! \u00c9 simplesmente espantoso que uma autoridade do MEC se d\u00ea ao desfrute de, numa comiss\u00e3o da C\u00e2mara, afirmar que a equipe s\u00f3 divergiu quanto \u00e0 profundidade do beijo de l\u00edngua entre duas meninas. \u00c9 um tro\u00e7o acintoso. \u201cOh, que moralismo! Oh, que carola!\u201d<\/p>\n<p>Ainda que fosse isso, o estado, como elemento neutro, tem de assumir que lida com valores diversos e que n\u00e3o lhe cabe abrir m\u00e3o dessa neutralidade. Mas meu ponto \u00e9 outro. Ser\u00e1 mesmo esse o papel da escola? Os professores s\u00e3o incapazes de debater conceitualmente um assunto? \u00c9 preciso mostrar o beijo l\u00e9sbico para que se possa falar em toler\u00e2ncia? \u00c9 preciso exibir um garoto cantando outro no banheiro para que se possa tratar do assunto? Daqui a pouco algu\u00e9m advoga que n\u00e3o se poder\u00e1 falar de educa\u00e7\u00e3o sexual sem exibir o ato em sala de aula. Tenham paci\u00eancia!<\/p>\n<p>O Brasil tem uma das piores escolas do mundo! Se formos estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre o tamanho da economia e a qualidade do ensino, certamente \u00e9 aquele que exibe a pior rela\u00e7\u00e3o. Nessa toada, entraremos, em breve, num processo de involu\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o, na m\u00e9dia, \u00e9 um lixo. Em contrapartida \u2014 como se contrapartida fosse \u2014, devemos ter um dos ensinos mais ideologizados do planeta. H\u00e1 alguma coisa muito errada no pa\u00eds que tem, ent\u00e3o, o pior ensino \u201cprogressista\u201d do mundo, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<h1><a rel=\"bookmark\" href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/reinaldo\/geral\/%e2%80%9cfamilia-que-coisa-mais-nojenta%e2%80%9d\/\">\u201cFam\u00edlia??? Que coisa mais nojenta!!!\u201d<\/a><\/h1>\n<div>\n<p>\u00c9 vergonhoso o material did\u00e1tico que o MEC preparou para distribuir nas escolas. Se vai dar seq\u00fc\u00eancia a seu del\u00edrio ou n\u00e3o, isso n\u00e3o sei. Mas aquilo \u00e9 uma viol\u00eancia. Os professores deveriam \u00e9 discutir em detalhes o Artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o com os alunos. Ali est\u00e1 quase tudo do que a gente precisa e deve saber sobre toler\u00e2ncia e combate ao preconceito.<\/p>\n<p>Os filminhos do garoto que decidiu ser travesti e das meninas l\u00e9sbicas s\u00f3 servem para atender \u00e0 f\u00faria militante dos\u2026 militantes. \u00c9 o famoso \u201cesfregar na cara dessa gente a verdade\u201d, entenderam? Isso atende mais aos princ\u00edpios da milit\u00e2ncia gay do que aos interesses da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A milit\u00e2ncia gay tem o direito de dizer o que quer? Tem, sim! Mas n\u00e3o tem o direito de impor ao estado o seu padr\u00e3o, menos ainda \u00e0s fam\u00edlias brasileiras. Querem transformar Jair Bolsonaro num ogro? Pois \u00e9\u2026 Eu quero saber o que fazer com os \u201cogros\u201d da milit\u00e2ncia. E os pa\u00eds que n\u00e3o aceitam que seus filhos sejam expostos \u00e0quele tipo de material? Os militantes seq\u00fcestraram tamb\u00e9m os direitos da fam\u00edlia?<\/p>\n<p>\u201cFam\u00edlia??? Que coisa mais nojenta!!!\u201d<\/p>\n<p>Pois \u00e9\u2026 Tentem organizar uma razo\u00e1vel sem ela\u2026<\/p>\n<\/div>\n<h1><a rel=\"bookmark\" href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/reinaldo\/geral\/o-kit-anti-homofobia-e-as-inverdades-do-ministro-da-educacao-ou-o-dia-em-que-um-articulista-mandou-a-democracia-as-favas-em-nome-do-bem\/\">O kit anti-homofobia e as inverdades do ministro da Educa\u00e7\u00e3o. Ou: O dia em que um articulista mandou a democracia \u00e0s favas em nome do\u2026 bem!<\/a><\/h1>\n<div>\n<p>O ministro Fernando Haddad, da Educa\u00e7\u00e3o, encontrou-se ontem com deputados cat\u00f3licos e evang\u00e9licos para conversar sobre o kit gay \u2014 tamb\u00e9m chamado \u201canti-homofobia\u201d \u2014 que o governo federal pretende distribuir nas escolas. Uma comiss\u00e3o de parlamentares ser\u00e1 formada para examinar o material. \u00c9 a primeira vez que brasileiros n\u00e3o-gays est\u00e3o sendo chamados a debater o assunto. At\u00e9 havia pouco, a quest\u00e3o estava entregue apenas a ONGs estrangeiras e \u00e0 milit\u00e2ncia gay, como se o p\u00fablico-alvo do programa n\u00e3o fosse o conjunto dos estudantes. Seja para discutir floresta, seja para discutir sexo, o Brasil parece um laborat\u00f3rio de teses de organiza\u00e7\u00f5es estrangeiras, que se comportam como leg\u00edtimas representantes do povo, embora n\u00e3o tenham sido eleitas por ningu\u00e9m. Curiosamente, em seus pa\u00edses de origem, n\u00e3o conseguem aprovar algumas das propostas que tentam ver implementadas aqui \u2014 na floresta ou no sexo\u2026<\/p>\n<p>Haddad, um dos pr\u00e9-candidatos do PT \u00e0 Prefeitura de S\u00e3o Paulo, parece ter descoberto que precisa de voto caso seja o escolhido do partido para disputar o cargo, conforme gostaria Lula. S\u00f3 com a simpatia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e dos homossexuais militantes, talvez n\u00e3o lograsse o seu intento. Aos congressistas, assegurou que filmes e cartilhas que circulam por a\u00ed ainda n\u00e3o s\u00e3o de responsabilidade do Minist\u00e9rio. Teria vazado das organiza\u00e7\u00f5es contratadas para produzir o material. Conversa mole, e ele sabe disso muito bem. Pode ainda n\u00e3o ser o produto final, mas tudo foi elaborado sob o comando do governo federal.<\/p>\n<p>Quem coordenou os trabalhos foi a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o e Diversidade (Secad), \u00f3rg\u00e3o ligado ao MEC, mas quem se encarregou da produ\u00e7\u00e3o propriamente foram a Global Alliance for LGBT Education (Gale), uma funda\u00e7\u00e3o holandesa; a Pathfinder do Brasil, associada \u00e0 Pathfinder Iternational, dos EUA; a Reprolatina, entidade brasileira que trabalha em parceria com a Universidade de Michigan, e duas outras ONGs ligadas \u00e0 miit\u00e2ncia homossexual: a Ecos &#8211; Comunica\u00e7\u00e3o em Sexualidade e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.<\/p>\n<p><strong>Perceberam? A sexualidade das crian\u00e7as brasileiras seria assunto importante demais para ficar sob o cuidado dos nativos \u2014 a menos que sejam gays. Isso lhes parece razo\u00e1vel? Infelizmente, Haddad est\u00e1 contando o oposto da verdade. O material vazou, sim, mas o MEC acompanhou tudo no detalhe. E \u00e9 f\u00e1cil provar.<\/strong><\/p>\n<p>No dia 31 de mar\u00e7o, publiquei aqui\u00a0 o v\u00eddeo que segue abaixo. Reproduz parte da sess\u00e3o da Comiss\u00e3o de Legisla\u00e7\u00e3o Participativa da C\u00e2mara, ocorrida no dia 23 de novembro de 2010. Apresentou-se ali o tal material did\u00e1tico sobre homossexualidade. O destaque da sess\u00e3o \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 L\u00e1zaro, ent\u00e3o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o e Diversidade do MEC.<strong>Ao discutir um dos filmes que o minist\u00e9rio pretende exibir nas escolas, ele deixa claro que houve uma certa hesita\u00e7\u00e3o da equipe: \u201cAt\u00e9 onde entrava a l\u00edngua\u201d num beijo l\u00e9sbico.<\/strong>\u00a0Essa era a \u00fanica d\u00favida. As palavras s\u00e3o dele, como voc\u00eas podem ver, n\u00e3o minhas. L\u00e1zaro n\u00e3o est\u00e1 mais no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Agora ele \u00e9 secret\u00e1rio executivo de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Na sess\u00e3o, tamb\u00e9m foi apresentado o filme em que um adolescente chamado Jos\u00e9 Ricardo diz ser, na verdade, \u201cBianca\u201d. O v\u00eddeo \u00e9 bem ruim, mas \u00e9 bastante ilustrativo. ISSO PROVA A VERDADE DAS PALAVRAS DE HADDAD.\u00a0<\/p>\n<div>\n<p><strong>Voltei<br \/>\n<\/strong>A Folha noticiou a reuni\u00e3o do ministro com os representantes do povo. H\u00e9lio Schwartsman, colunista do jornal, n\u00e3o gostou. \u00c9 um senhor que costuma escrever coisas pertinentes, menos quando se deixa conduzir pelo dogmatismo anti-religioso. Como funcion\u00e1rio de uma obsess\u00e3o, \u00e9 capaz de dizer\u00a0 grandes besteiras. Num texto que mereceu a rubrica \u201cAn\u00e1lise\u201d, escreveu o que vai em vermelho. Comento em azul.<\/p>\n<p>Chamar a bancada da B\u00edblia para discutir o conte\u00fado de um programa anti-homofobia s\u00f3 \u00e9 uma boa id\u00e9ia se o objetivo for n\u00e3o fazer nada.<br \/>\nChamar os deputados cat\u00f3licos e evang\u00e9licos de \u201cBancada da B\u00edblia\u201d revela o lado \u201cBolsonaro intelectualizado\u201d de Schwartsman. \u00c9 uma pecha, n\u00e3o uma express\u00e3o anal\u00edtica. Seria o mesmo que chamar os parlamentares que defendem o material de \u201cBancada dos Veados\u201d.<\/p>\n<p>A democracia tem pegadinhas. Em tese n\u00e3o h\u00e1 nada mais democr\u00e1tico do que ouvir todos os envolvidos numa quest\u00e3o e tirar um consenso.<br \/>\nMas, na pr\u00e1tica, o m\u00e9todo s\u00f3 funciona se n\u00e3o h\u00e1 desaven\u00e7a relevante, o que \u00e9 raro.<br \/>\n\u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o no conceito de democracia, que o articulista prop\u00f5e substituir, ent\u00e3o, pelo \u201cquem pode mais, chora menos\u201d. A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 impasse nenhum. Por que n\u00e3o se submete a quest\u00e3o ao crivo da sociedade? Com efeito, n\u00e3o h\u00e1 consenso. No caso do material did\u00e1tico, trata-se de uma minoria tentando impor sua vontade \u00e0 maioria. Mas aten\u00e7\u00e3o para o grande momento do texto do articulista. Ele vai dividir o mundo, agora, em duas metades.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a sociedade n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea. Enquanto certos grupos, por raz\u00f5es que lhes parecem leg\u00edtimas, como \u201cseguir a palavra de Deus\u201d, permanecem irredutivelmente homof\u00f3bicos, outros est\u00e3o convictos de que \u00e9 moralmente errado definir a cidadania de algu\u00e9m por h\u00e1bitos sexuais ou outras caracter\u00edsticas incidentais, como a cor da pele e a pr\u00f3pria f\u00e9.<br \/>\nPara Schwartsman, a \u00fanica clivagem poss\u00edvel nesse debate se d\u00e1 entre os \u201chomof\u00f3bicos\u201d, que \u201cseguem a palavra de Deus\u201d, e os iluminados, como ele, que acham \u201cerrado definir a cidadania de algu\u00e9m por h\u00e1bitos sexuais\u201d. E quem acha isso certo? Ele descarta que possa haver n\u00e3o-homof\u00f3bicos que discordem da abordagem; ele descarta que possa haver homossexuais que repudiem a forma como se pretende fazer o debate nas escolas; ele descarta que possa haver agn\u00f3sticos e ateus que igualmente rejeitem as escolhas do governo; ele descarta que possa haver simplesmente quem se oponha a esse grau de intromiss\u00e3o do estado na vida das fam\u00edlias e dos indiv\u00edduos. N\u00e3o \u00e9 que ele seja especialmente simp\u00e1tico aos gays; \u00e9 que ele \u00e9 notoriamente hostil \u00e0s religi\u00f5es.<\/p>\n<p>Muitos especialistas em educa\u00e7\u00e3o antev\u00eaem, em debates privados, s\u00e9rios dissabores em sala de aula quando o material chegar \u00e0s m\u00e3os dos alunos. H\u00e1 quem tema que preconceitos se exacerbem em raz\u00e3o da falta de habilidade daqueles que ser\u00e3o convertidos, da noite para o dia, em psic\u00f3logos e \u201cte\u00f3ricos da homoafetividade\u201d. Quem j\u00e1 pisou numa sala de aula sabe como temas nessa natureza podem avan\u00e7ar facilmente para a piada e a chacota \u2014 no Brasil ou na Holanda. E por que esses especialistas silenciam? Porque temem a patrulha dos gays e da imprensa. Se Schwartsman, que\u00a0 tem janela, faz uma oposi\u00e7\u00e3o tosca e populista (populismo junto aos descolados) como a que se l\u00ea acima, imaginem como agiriam aqueles bem menos espertos do que ele. Sigamos.<\/p>\n<p>Impasses como esse, atrelados a princ\u00edpios vistos como inegoci\u00e1veis, s\u00f3 s\u00e3o solucionados atrav\u00e9s de decis\u00f5es arbitr\u00e1rias, que necessariamente estabelecem vencedores e perdedores.<br \/>\nOu Schwartsman diz de quem ser\u00e1 o \u201carb\u00edtrio\u201d, ou terei de concluir que est\u00e1 com saudades da ditadura.<\/p>\n<p>Idealmente, os casos mais emblem\u00e1ticos seriam resolvidos no Parlamento. O problema aqui \u00e9 que o pr\u00f3prio Congresso reflete, e de forma exagerada, as heterogeneidades sociais, de modo que \u00e9 o primeiro a imobilizar-se diante de temas pol\u00eamicos.<br \/>\nEntendi. Ele acha que o problema do nosso Parlamento \u00e9 ser representativo da sociedade \u2014 uma representatividade \u201cexagerada\u201d!!!<\/p>\n<p>Nessas situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso que surjam autoridades do Executivo ou Judici\u00e1rio que se disponham a enfrentar o \u00f4nus pol\u00edtico da decis\u00e3o, como o fez o STF, ao estender a casais homossexuais os efeitos da uni\u00e3o est\u00e1vel.<br \/>\nO STF n\u00e3o enfrenta \u00f4nus pol\u00edtico nenhum porque todos os que l\u00e1 est\u00e3o t\u00eam emprego garantido at\u00e9 os 70 anos e n\u00e3o dependem do voto de ningu\u00e9m. O articulista nos d\u00e1 mais uma li\u00e7\u00e3o de democracia: se o Congresso n\u00e3o resolveu, ent\u00e3o que o Executivo e o Judici\u00e1rio atuem. Segundo entendi, devem faz\u00ea-lo mesmo exorbitando de suas fun\u00e7\u00f5es e surrupiando prerrogativas que s\u00e3o do outro Poder.<\/p>\n<p>A democracia n\u00e3o tem o dom de eliminar o conflito da sociedade. Ela apenas procura disciplin\u00e1-lo, de modo a que as disputas se resolvam por vias institucionais e n\u00e3o as de fato. Funciona, desde que n\u00e3o falte coragem para definir perdedores.<br \/>\nNo caso do STF, que decidiu contra a letra expl\u00edcita da Constitui\u00e7\u00e3o, a \u201cvia institucional\u201d consistiu em violar as institui\u00e7\u00f5es. Mas, admito, nesse caso, h\u00e1 espa\u00e7o para algum debate. O que me encantou no desfecho do artigo de Schwartsman foi a conclus\u00e3o\u00a0 \u2014 assim, meio blas\u00e9 \u2014 de que, na democracia, algu\u00e9m sempre perde.<\/p>\n<p>Pois bem: digamos que ele estivesse certo naquela divis\u00e3o que estabeleceu entre os \u201chomof\u00f3bicos que cr\u00eaem em Deus\u201d (os homens maus) e os que n\u00e3o querem discriminar ningu\u00e9m (os homens bons); digamos ainda que, sempre segundo os seus crit\u00e9rios, os \u201chomens maus ven\u00e7am\u201d. A defini\u00e7\u00e3o dos \u201cperdedores\u201d, nessa hip\u00f3tese, continuaria no escopo da democracia, ou o articulista s\u00f3 classifica assim um regime quando vencem aqueles com os quais ele concorda?<\/p>\n<p><strong>Encerro<br \/>\n<\/strong>A isso chegamos. Schwartsman j\u00e1 escreveu textos respeit\u00e1veis na Folha \u2014 mesmo quando discordei, achei que a leitura valia a pena. Desta feita, ele preferiu n\u00e3o pensar; quis apenas ser o homem bom contra os homens maus. E chegou a conclus\u00e3o que a democracia pode ser um obst\u00e1culo \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do bem. \u00c9 o que pensa qualquer tirano mais burro do que ele, mas com mais coragem para p\u00f4r em pr\u00e1tica as id\u00e9ias que ele enuncia.<\/p>\n<\/div>\n<p><em>Por Reinaldo Azevedo<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea que um adolescente de 15 anos tem a maturidade de decidir sobre a mudan\u00e7a de sua sexualidade? 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