{"id":948,"date":"2009-12-25T14:36:59","date_gmt":"2009-12-25T17:36:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/?p=948"},"modified":"2009-12-25T14:36:59","modified_gmt":"2009-12-25T17:36:59","slug":"e-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/ancoradouro\/2009\/12\/25\/e-natal\/","title":{"rendered":"\u00c9 Natal!"},"content":{"rendered":"<p>Chegamos a mais um Natal. Somos chamados a lan\u00e7ar nosso olhar para a casa de Bel\u00e9m (Cf. Mt 2,11) e l\u00e1 encontrar o Menino, com Maria sua m\u00e3e. Naquela cena eloqu ente contemplamos o Filho primog\u00eanito de Deus que se despojou de sua gl\u00f3ria (cf. Fil 2,7).\u00a0 Aquele por quem tudo foi feito e sem o Qual nada existiria (Cf Jo 1,3), o \u00a0vemos deitado nos bra\u00e7os da Virgem que por sua vez cumpre a profecia de Isa\u00edas, \u201ceis que a virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho (Is 7,14).\u201d<\/p>\n<p>O que ainda \u00e9 impens\u00e1vel de se conceber\u00a0 para milhares de pessoas\u00a0 de outras religi\u00f5es aconteceu ,Deus se encarnou, \u201co Verbo se fez carne e habitou entre n\u00f3s\u201d (Jo 1,14). Mas, para que Deus se encarnou? poder\u00edamos pensar. Ora, tendo acabado a obra da primeira cria\u00e7\u00e3o o homem usando de sua liberdade afastou-se de Deus. Seduzido pela serpente que ofereceu-lhe o proibido enquanto retirava-lhe o concedido distanciou-se da conviv\u00eancia amorosa com o Pai.<\/p>\n<p>Despiu-se o homem de sua filia\u00e7\u00e3o Divina, embrenhou-se nas trevas que o tragaram impiedosamente deixando-o entregue \u00e0 sua pr\u00f3pria merc\u00ea. Contudo, neste cen\u00e1rio \u00e1rido de desola\u00e7\u00e3o, Deus rico em Miseric\u00f3rdia, n\u00e3o p\u00f5e limites ao seu amor. Ele, capaz de permutar reinos por n\u00f3s (Cf Is 43,4) concede o Dom mais precioso, seu \u00fanico Filho como atesta o evangelista Jo\u00e3o \u201cCom efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho \u00fanico\u201d.<\/p>\n<p>Cristo Jesus faz-se um de n\u00f3s ao se encarnar, resgata nossa humanidade e devolve-nos a esperan\u00e7a de um dia participarmos da Gl\u00f3ria do pai desde j\u00e1 presente Nele (Cf jo 1,14 ). Em Bel\u00e9m, que significa \u2018casa do p\u00e3o\u2019, temos Aquele que \u00e9 o P\u00e3o da Vida, o Senhor que nos dar\u00e1 sua pr\u00f3pria carne e sangue como alimento para a vida eterna. (Cf Jo 6,35)<\/p>\n<p>Na pobreza de Bel\u00e9m devemos enxergar nossa pobreza; na escurid\u00e3o de Bel\u00e9m tamb\u00e9m a nossa. Neste lugar pequeno e pobre, feio e desmerecido quis nascer o Salvador, \u201cEm sua pobreza, veio para oferecer a salva\u00e7\u00e3o aos pecadores. Aquele que &#8211; como nos recorda S\u00e3o Paulo &#8211;\u00a0 \u00absendo rico, fez-se pobre por amor a n\u00f3s, para que fossemos ricos por sua pobreza\u00bb (2Cor 8,9). Como n\u00e3o dar gra\u00e7as a Deus por tanta bondade condescendente?\u201d (Papa Bento XVI).<\/p>\n<p>No livro Jesus de Nazar\u00e9, o Papa Bento XVI de forma magn\u00e2nima escreve que, em Bel\u00e9m j\u00e1 se pode entrever a sombra da cruz. A encarna\u00e7\u00e3o do verbo encontra seu \u00e1pice no Mist\u00e9rio pascal cuja a\u00e7\u00e3o \u00e9 salvar o homem todo, \u201cQuem poderia ter inventado um sinal de amor maior? Permanecemos extasiados ante o mist\u00e9rio de um Deus que se humilha para assumir nossa condi\u00e7\u00e3o humana at\u00e9 se imolar por n\u00f3s na cruz (cf. Fil 2, 6-8), (Papa Bento XVI). \u201d<\/p>\n<p>No Natal temos a oportunidade de abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o e fazer quedar nossa mentalidade envelhecida para dar lugar a uma nova, iluminada e guiada pela Luz da Verdade que veio at\u00e9 n\u00f3s. O estulto Herodes assoberbado e apegado aos bens desta terra assombrou-se com a profecia na qual asseverava a vinda do Messias, pensando est\u00e1 vivo ao mandar matar aquele que tinha por amea\u00e7a, estava na verdade mais morto dos que todos que foram fulminados por sua f\u00faria. No entanto permaneceu no meio de n\u00f3s para sempre o Vivente, Cristo Jesus.<\/p>\n<p>Deus inclinou-se at\u00e9 n\u00f3s para que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos medo da onipot\u00eancia Divina. No Antigo Testamento Deus era concebido como o Tem\u00edvel, o Senhor Terr\u00edvel, at\u00e9 seu nome n\u00e3o era pronunciado. Em Jesus fomos todos feitos filhos adotivos, resgatados pelo seu imenso e infinito amor do qual nada pode nos separar. Pela Encarna\u00e7\u00e3o foi sanado o hiato que havia entre n\u00f3s e Deus.<\/p>\n<p>Por esta \u00e9poca encontramos as pessoas sensibilizadas, um pouco mais atentas, menos indiferentes, estamos diante de um terreno prop\u00edcio a receber a semente do an\u00fancio. Quando nos omitimos o mundo degusta a alma destes nossos irm\u00e3os usando do materialismo, consumismo e sentimentos de tristezas que se levantam como vagas destruidoras minando os mais puros desejos de mudan\u00e7a de vida.<\/p>\n<p>O homem tem sede de Deus e o deseja mesmo que n\u00e3o o saiba. Aqui est\u00e1 a explica\u00e7\u00e3o para o clima ameno que remete \u00e0 busca dos mais sinceros votos de felicidade que envolve as pessoas. A luz da estrela que brilhou para os Reis magos avulta-se em cada consci\u00eancia no ensejo de conduzir o homem at\u00e9 Bel\u00e9m e l\u00e1 encontrar Maria e Jos\u00e9 num sil\u00eancio incomum impetrado numa atmosfera de alegria e adora\u00e7\u00e3o ao Menino Deus.<\/p>\n<p>Temos a miss\u00e3o, como Luz do mundo, de brilhar nosso clar\u00e3o e conduzir \u00e0queles que nos foi confiado ao encontro com o Doce abaixar-se de Deus. Cada pessoa precisa experimentar a salva\u00e7\u00e3o que trouxe Nosso Senhor, para isso \u00e9 indispens\u00e1vel adentrar a casa de Nazar\u00e9. A Capela na Natividade em Nazar\u00e9 possui uma porta bem estreita donde para entrar \u00e9 preciso abaixar-se. Isto \u00e9 um simbolismo que nos descreve a necessidade de nos despojar de tudo que \u00e9 sup\u00e9rfluo a fim de adentrar o mist\u00e9rio do Natal.<\/p>\n<p>No \u00edcone da Natividade podemos observar a figura de dois animais, um boi e um asno que est\u00e3o por detr\u00e1s da manjedoura, seus olhares est\u00e3o perdidos e n\u00e3o est\u00e3o voltados para o centro da pe\u00e7a, O Menino Deus. Eles representam os que mesmo diante do mist\u00e9rio n\u00e3o querem enxerg\u00e1-lo. O boi representa o culto ao \u00eddolo Mitra e o asno \u00e1 lux\u00faria, ainda significam as for\u00e7as instintivas irracionais que emergem das profundezas da alma humana e levam ao pecado.<\/p>\n<p>Diante deste mist\u00e9rio inaudito temos a miss\u00e3o de perscrut\u00e1-lo e levar tantos quanto pudermos a adentrar a casa do p\u00e3o e no sil\u00eancio bendito calarmos todas as vozes que rugem em nosso interior cujo maior interesse \u00e9 nos dispersar e nos confundir. \u00c0 noite bendita estejamos preparados, cheios de esperan\u00e7a e j\u00fabilo expectante no Deus que nos ama incondicionalmente.<\/p>\n<p>O bimbalhar dos sinos nos reanime o entusiasmo e o desejo de nos entregar totalmente e radicalmente ao Deus Menino como o fizeram Maria e Jos\u00e9 colocando-se a inteiro dispor e submiss\u00e3o de seu Deus e Filho. Com os magos entreguemos o ouro de nossa exist\u00eancia, o incenso de nossas ora\u00e7\u00f5es e a mirra de nosso sofrimento; com os pastores entoemos o louvor que s\u00f3 os filhos por ele amados o podem fazer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chegamos a mais um Natal. Somos chamados a lan\u00e7ar nosso olhar para a casa de Bel\u00e9m (Cf. 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