{"id":1112,"date":"2018-04-20T07:29:03","date_gmt":"2018-04-20T10:29:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/?p=1112"},"modified":"2018-04-20T07:29:03","modified_gmt":"2018-04-20T10:29:03","slug":"olhe-de-novo-para-ver-o-que-nao-foi-visto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/2018\/04\/20\/olhe-de-novo-para-ver-o-que-nao-foi-visto\/","title":{"rendered":"Olhe de novo para ver o que n\u00e3o foi visto"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1113\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1113\" class=\"size-large wp-image-1113\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/uploads\/sites\/52\/2018\/04\/banhistas-na-grenouilliere-740x559.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"559\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/uploads\/sites\/52\/2018\/04\/banhistas-na-grenouilliere-740x559.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/uploads\/sites\/52\/2018\/04\/banhistas-na-grenouilliere-300x227.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/uploads\/sites\/52\/2018\/04\/banhistas-na-grenouilliere-768x580.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/uploads\/sites\/52\/2018\/04\/banhistas-na-grenouilliere-120x91.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/uploads\/sites\/52\/2018\/04\/banhistas-na-grenouilliere.jpg 1600w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-1113\" class=\"wp-caption-text\">Obra &#8220;Banhistas na Grenouilli\u00e8re&#8221; de Monet<\/p><\/div>\n<p>Um tema interessant\u00edssimo voltado acima de tudo para o campo das <strong>ARTES<\/strong>, mas que certamente pode ser levado para todos os campos da vida \u00e9 a <strong>PERCEP\u00c7\u00c3O<\/strong>, tema que abordei poucas vezes aqui no blog.<\/p>\n<p>Percep\u00e7\u00e3o \u00e9 a capacidade de aprender atrav\u00e9s dos nossos cinco sentidos (ou seriam mais?&#8230;). O que me inspirou a escrever esse texto foram algumas palavras do grande escritor portugu\u00eas <strong>Jos\u00e9 Saramago<\/strong>. Leia com bastante aten\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>*********<\/p>\n<p><em>&#8220;A viagem n\u00e3o acaba nunca. S\u00f3 os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em mem\u00f3ria, em lembran\u00e7a, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: \u201cN\u00e3o h\u00e1 mais o que ver\u201d, saiba que n\u00e3o era assim. O fim de uma viagem \u00e9 apenas o come\u00e7o de outra. \u00c9 preciso ver o que n\u00e3o foi visto, ver outra vez o que se viu j\u00e1, ver na primavera o que se vira no ver\u00e3o, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva ca\u00eda, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui n\u00e3o estava. \u00c9 preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para tra\u00e7ar caminhos novos ao lado deles. \u00c9 preciso recome\u00e7ar a viagem. Sempre. O viajante volta j\u00e1.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Jos\u00e9 Saramago<\/em><\/p>\n<p>*********<\/p>\n<p>Nessas poucas palavras ele d\u00e1 uma aula sobre a import\u00e2ncia da percep\u00e7\u00e3o para que a nossa vida ganhe um brilho especial. Ao l\u00ea-las, acabei me lembrando dos grandes apreciadores da arte. Voc\u00ea j\u00e1 reparou que os grandes amantes da arte, seja de quadros, esculturas, monumentos hist\u00f3ricos ou mesmo m\u00fasicas, apreciam tudo isso demoradamente, como se estivessem degustando um prato saboroso?<\/p>\n<p>\u00c9 disso que o Saramago e eu estamos falando. Infelizmente, por conta do nosso mundo cada vez mais apressado, n\u00f3s passamos por diversos lugares, e nesses lugares existem belezas impressionantes aos olhos de qualquer um, mas n\u00e3o nos sentimos tocados por elas. Ser\u00e1 que n\u00e3o estamos nos tornando insens\u00edveis iguais os rob\u00f4s? Vale a pena pensar um pouco sobre isso&#8230;<\/p>\n<p>Quero deixar claro que eu tamb\u00e9m me acometo dessa falta de percep\u00e7\u00e3o o tempo todo, todos os dias. Inclusive nessa semana em que escrevo esse texto eu tinha sa\u00eddo com uma pessoa da minha fam\u00edlia e n\u00f3s passamos de carro por uma rua que eu passo todas as semanas de segunda \u00e0 sexta e de repente ela me disse: <em>\u201cOlha Isaias! Como esse pr\u00e9dio foi constru\u00eddo r\u00e1pido! J\u00e1 foi liberado pra os moradores se estabelecerem&#8230;\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Nessa hora eu tomei um susto! Pensei: <em>\u201cUau! Como \u00e9 que eu n\u00e3o tinha reparado em algo que estava escancarado aos meus olhos?\u201d<\/em>. Isso \u00e9 resultado da pressa que acomete a mim, a voc\u00ea e creio que mais de 95% das pessoas!<\/p>\n<p>As palavras do Saramago tamb\u00e9m me fizeram recordar algumas palavras do escritor noruegu\u00eas <strong>Jostein Gaarder<\/strong>, que at\u00e9 j\u00e1 compartilhei num <a href=\"https:\/\/paralemdoagora.wordpress.com\/2013\/06\/08\/o-olhar-desatento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">texto anterior<\/a> e que vale trazer \u00e0 tona novamente.<\/p>\n<p><em>\u201cQuanto mais sabemos, melhor vemos as coisas que nos rodeiam. Por outro lado, quanto melhor vemos as coisas, melhor a compreendemos. Se mantivermos os olhos e os ouvidos bem abertos, descobriremos sempre alguma coisa pela primeira vez\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Jostein Gaarder<\/em><\/p>\n<p>********<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental nos tornarmos pelo menos um pouco mais atenciosos \u00e0s<a href=\"https:\/\/paralemdoagora.wordpress.com\/2012\/09\/13\/as-pequenas-coisas-da-vida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> pequenas coisas<\/a>, porque aquilo que mais nos encanta se encontra nos detalhes.<\/p>\n<p>Essa reflex\u00e3o pode ser levada at\u00e9 mesmo para os <strong>relacionamentos<\/strong> de um modo geral sabia? As pessoas que mais admiramos s\u00e3o aquelas que carregam tra\u00e7os <strong>PECULIARES<\/strong>, ou seja, algo pr\u00f3prio delas, original, que ningu\u00e9m, por mais que tente imitar, ser\u00e1 como elas.<\/p>\n<p>\u00c9 somente atrav\u00e9s desse recome\u00e7o de viagem que podemos encontrar essas peculiaridades e nos apaixonarmos por elas.<\/p>\n<p>Infelizmente, estamos vivendo no tal do <strong>\u201cMundo L\u00edquido\u201d<\/strong>, termo que ficou famoso atrav\u00e9s do soci\u00f3logo polon\u00eas <strong>Zygmunt Bauman<\/strong>, no qual tudo virou descart\u00e1vel, at\u00e9 mesmo os relacionamentos.<\/p>\n<p>Entramos na vida de algu\u00e9m, e muitas vezes conhecemos apenas o seu territ\u00f3rio geogr\u00e1fico, literalmente falando, ou seja, o seu corpo f\u00edsico. E j\u00e1 achamos que <em>\u201cconhecemos\u201d<\/em> o outro! Como assim? Voc\u00ea percebe o perigo desse <em>\u201cconhecer\u201d<\/em>?<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s somos territ\u00f3rios cheios de rios, de cavernas, de bosques, de arranha-c\u00e9us, de quedas d\u2019\u00e1gua, de parques etc. e que para serem conhecidos, \u00e9 preciso ter <strong>PERCEP\u00c7\u00c3O<\/strong>. \u00c9 preciso olhar demoradamente. \u00c9 preciso voltar para finalmente ver algo pela primeira vez, seja o fruto maduro, ou primavera que virou ver\u00e3o nos nossos sentimentos internos&#8230;<\/p>\n<p>Percebe que met\u00e1fora maravilhosa essa? \u00c9 por essas e outras que sempre comento aqui e com amigos que as palavras do Saramago dizem muito, muito mais do que aparentam numa leitura superficial.<\/p>\n<p>Eu amo l\u00ea-lo, pois ele me ajuda a ter esses olhos que enxergam a beleza escondida. Espero que essa reflex\u00e3o tenha despertado algo bom em voc\u00ea para ter mais aten\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o no cotidiano.<\/p>\n<p>H\u00e1 belezas exuberantes onde menos esperamos encontrar, e aproveite para levar essa no\u00e7\u00e3o para tudo na vida, porque \u00e9 assim!<\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 preciso ver o que n\u00e3o foi visto. \u00c9 preciso recome\u00e7ar a viagem&#8230;\u201d \u2013 Saramago <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um tema interessant\u00edssimo voltado acima de tudo para o campo das ARTES, mas que certamente pode ser levado para todos os campos da vida \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":106,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[37,38,41],"class_list":["post-1112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","tag-pensamento","tag-perspectivas","tag-relacionamentos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/106"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1112"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1116,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1112\/revisions\/1116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}