{"id":897,"date":"2017-09-29T06:17:55","date_gmt":"2017-09-29T09:17:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/artesanatodamente\/?p=897"},"modified":"2017-09-29T06:17:55","modified_gmt":"2017-09-29T09:17:55","slug":"quero-que-me-honre-me-supere","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/2017\/09\/29\/quero-que-me-honre-me-supere\/","title":{"rendered":"Quero que me honre, me supere!"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_898\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-898\" class=\"size-large wp-image-898\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-content\/uploads\/sites\/52\/2017\/09\/O-substituto-1024x584-624x356.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"314\" \/><p id=\"caption-attachment-898\" class=\"wp-caption-text\">Filme &#8220;O substituto&#8221;<\/p><\/div>\n<p>N\u00f3s escritores, de vez em quando, nos utilizamos das palavras para desabafar nossos sentimentos que est\u00e3o presos e que se n\u00e3o sa\u00edrem se transformam em verdadeiros carneg\u00f5es dentro da gente.<\/p>\n<p>Quem l\u00ea meus textos sabe que eu trabalho como professor e tenho uma vida bastante corrida indo de uma casa a outra de alunos para ensinar. Amo o ensino e passo boa parte do meu tempo lendo livros interessant\u00edssimos que tratam o tema da educa\u00e7\u00e3o de uma forma ampla e com muitas vis\u00f5es diferentes!<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A cada dia me esfor\u00e7o para ser um professor melhor e mais dedicado. Infelizmente, nesse semestre, na faculdade que ensino \u00e0 certo tempo, aconteceu uma situa\u00e7\u00e3o que pra mim n\u00e3o foi nem aquela conhecida express\u00e3o <em>\u201cbalde de \u00e1gua fria\u201d<\/em>, foi pior, bem pior, foi como se eu fosse jogado numa represa de \u00e1guas congelantes ou numa cachoeira no Himalaia&#8230;<\/p>\n<p>Estava eu empolgado dando uma aula de revis\u00e3o para uma prova, dando altos bizus e dicas importantes para meus alunos levarem como conhecimento para a vida toda, e eis que um dos alunos interrompe a aula pra dizer mais ou menos assim:<\/p>\n<p><em>&#8211; Professor, n\u00e3o \u00e9 nada contra o senhor querer ensinar mais coisas e nos passar conhecimentos que ser\u00e3o \u00fateis pra n\u00f3s ao longo da carreira, mas sinceramente, isso faz \u00e9 com que a gente fique mais angustiado com a sua prova. Fa\u00e7a o seguinte! Seria muito melhor que o senhor simplesmente chegasse aqui para abordar apenas aquilo que vai cair na prova e pronto! Resolver umas quest\u00f5es parecidas com a da prova. Isso seria perfeito!<\/em><\/p>\n<p>Eu fiquei sem rea\u00e7\u00e3o nessa hora. Sabe aquele momento que n\u00e3o vem nada na sua cabe\u00e7a! Talvez em tempos passados tivesse respondido alguma coisa ou dado uma li\u00e7\u00e3o de moral pra turma. Mas dessa vez n\u00e3o! Tenho aprendido que em alguns momentos \u00e9 prefer\u00edvel silenciar e com calma refletir sobre tudo o que foi dito e vivenciado.<\/p>\n<p>Foi o que fiz! Estou escrevendo esse texto alguns dias depois desse ocorrido! E o que me deixa mais triste \u00e9 que a atitude desse aluno est\u00e1 longe, absolutamente longe de ser exclusiva. Garanto que outros professores que estejam lendo esse texto agora j\u00e1 passaram por situa\u00e7\u00e3o semelhante e isso \u00e9 extremamente desestimulante.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o desculpas aos leitores por falar com tamanha franqueza e raramente fa\u00e7o isso, mas dessa vez n\u00e3o teve jeito! Pois sei que esse texto vai fazer muita gente refletir.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 a mais pura e concreta manifesta\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/paralemdoagora.wordpress.com\/2013\/02\/04\/a-mediocridade-das-pessoas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MEDIOCRIDADE<\/strong><\/a>. Eu procuro ao m\u00e1ximo levar meus alunos a se desenvolverem, a se tornarem mais perspicazes, por\u00e9m, com essa \u00faltima experi\u00eancia, pude constatar que por mais que eu me esforce, o <em>\u201csistema\u201d<\/em>, fala mais alto! Eu sou apenas um frente a um sistema educacional que por s\u00e9culos e s\u00e9culos n\u00e3o incentiva que os alunos se transformem em protagonistas das suas hist\u00f3rias de vida. Como professor, eu tenho essa utopia e permanecerei com ela enquanto eu viver, enquanto estiver por aqui.<\/p>\n<p>Parece que por alinhamento com o universo, li no dia em que escrevo esse texto, algumas palavras que me inspiraram para que falasse sobre tudo isso. Palavras da conceituada educadora <strong>Madalena Freire<\/strong>, filha do mestre da educa\u00e7\u00e3o <strong>Paulo Freire<\/strong>.<\/p>\n<p>Li essas palavras no livro da querida fil\u00f3sofa e escritora <strong>Viviane Mos\u00e9<\/strong> chamado <strong><em>\u201cA escola e os desafios contempor\u00e2neos\u201d<\/em><\/strong>. Na entrevista com a Madalena ela falou o seguinte:<\/p>\n<p>***************<\/p>\n<p><em>Carregamos um peso na juventude, na vida madura nem tanto. Sou a mais velha, mas acho que posso falar por todos os menores. Carregamos um peso muito grande por ser filha de um pai famoso, ainda mais no mundo da educa\u00e7\u00e3o ser filha desse pai. Vivi muita dificuldade, momentos de muita delicadeza em que precisei ter muita raiva (risos), ser muito agressiva para dizer aos outros: \u201cN\u00e3o sou Paulo Freire! Sou Madalena!\u201d E ele foi uma for\u00e7a para me apoia nisso. \u201c\u00c9 isso mesmo, me supere, n\u00e3o entre nessa massifica\u00e7\u00e3o mistificadora dessas pessoas! Se assuma na sua beleza e na sua autoria, me supere!\u201d Ele, dentro de casa, dizia isso para todos n\u00f3s: \u201cMe superem!\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Madalena Freire<\/em><\/p>\n<p>***************<\/p>\n<p>Ao terminar de ler essa entrevista com a Madalena me passou pela mente: <em>\u201cComo esse homem era aut\u00eantico! Uau!\u201d.<\/em> O mesmo que ele dizia aos seus filhos, dizia para os seus alunos todos e disse tamb\u00e9m para um senhor que admiro imensamente, o grande <strong>Mario Sergio Cortella<\/strong>, que foi seu aluno no doutorado em Educa\u00e7\u00e3o e depois foram colegas de profiss\u00e3o por mais de 10 anos.<\/p>\n<p>Ele disse ao Cortella logo nos primeiros dias do doutorado<strong><em>: \u201cQuero que voc\u00ea me honre, honre ter trabalhado comigo, me supere!\u201d. <\/em><\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 mesmo algu\u00e9m com uma imensa humildade para dizer isso. A maioria dos professores universit\u00e1rios tem uma impress\u00e3o de que s\u00e3o a elite da elite do conhecimento, mas isso n\u00e3o passa de pura arrog\u00e2ncia. <strong>O maior \u00e9 aquele que serve<\/strong>, lembra essas s\u00e1bias palavras do mestre Jesus?<\/p>\n<p>Eu me inspiro em todos esses grandes homens e mulheres, em todos esses mega educadores, para tentar ser um pouquinho melhor a cada dia.<\/p>\n<p>O Cortella, praticamente todos os outros orientandos do querido Paulo Freire, e tamb\u00e9m todos os seus filhos, foram transformados em mestres. Esse \u00e9 o papel de um verdadeiro mestre, transformar seus disc\u00edpulos em mestres! O Cortella \u00e9 uma prova viva disso. Ele fez o <em>\u201cdever de casa\u201d<\/em> muito bem!<\/p>\n<p>Ensino os alunos com esse desejo interno de que todos eles me superem, ent\u00e3o com esse desejo, n\u00e3o fico s\u00f3 no superficial, gosto de lev\u00e1-los a pensar, a se questionarem, a n\u00e3o ficarem s\u00f3 no beab\u00e1! Por\u00e9m, isso fere os que t\u00eam uma mentalidade med\u00edocre.<\/p>\n<p>Eu decidi n\u00e3o mais continuar a dar aulas nessa institui\u00e7\u00e3o, porque se preciso ficar em um lugar onde minhas asas s\u00e3o cortadas e n\u00e3o posso al\u00e7ar belos voos junto com meus queridos alunos, esse lugar n\u00e3o serve para mim.<\/p>\n<p>Quero que os alunos me superem, se tornem grandes profissionais, al\u00e7ando voos nas trilhas do conhecimento e da vida. Mas sei que voar n\u00e3o \u00e9 para todos.<\/p>\n<p>Tem aqueles que preferem ver apenas o conte\u00fado que ser\u00e1 cobrado na prova&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s escritores, de vez em quando, nos utilizamos das palavras para desabafar nossos sentimentos que est\u00e3o presos e que se n\u00e3o sa\u00edrem se transformam em&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":106,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[14,30,31,44],"class_list":["post-897","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","tag-consciencia","tag-livros","tag-mario-sergio-cortella","tag-sentimentos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/106"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/897\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/artesanatodamente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}