Asas e Flaps

Graf Zeppelin e o Hindenburg 1ª parte

Zeppelins eram o que se chmavam esses imensos dirigíveis de 300 metros de comprimento por 35 de largura e 30 de altura, verdadeiros transatlânticos no céu, que podiam transportar até 90 passageiros num ambiente de luxo com grandes janelas panorâmicas, confortáveis cabines, sala de jantar, sala de estar, bar, beliches, sala para fumantes e outras facilidades que hoje seriam difíceis de proporcionar ao navegantes aéreos. Eram dois dirigíveis colossais produzidos pela indústria alemã, antes da guerra, nos anos 30, a mando de Hitler, para deslumbrar o mundo com sua propaganda. O Hindeburgo, o maior de todos, e o Graf Zeppelin, (Conde Zeppelin), um pouco menor. Este emprestou seu nome a todas as aeronaves de sua espécie no mundo. Zeppelin!
A primeira viagem transatlântica de um dirigível da Alemanha até a América do Sul foi feita pelo Graf Zeppelin, num vôo de 11 mil Kms a uma velocidade média de 150 Kms por hora em maio de 1930, saindo de Frankfurt, na Alemanha e pousando, 70 horas depois, no atracadouro de Parnamerim, no Recife. Já nos anos seguintes, depois de inaugurado o imenso hangar no Campo dos Afonsos, concebido por engenheiros alemães, instalou-se uma linha regular entre Frankfurt e o Rio, com escala no Recife. Logo que começaram a chegar os imensos dirigíveis precisavam de 200 homens para segurar suas cordas de atracação. Na primeira viagem estavam a bordo o maestro Villa Lobos, o governador de Pernambuco, Estácio Coimbra, e o sociólogo Gilberto Freyre. Mas toda a alegria acabou quando, seis anos depois, na noite chuvosa de 6 de maio de 1937, o colossal Hindenburg ao se aproximar de Lakehurt para pousar, em Nova York, uma fagulha incendiou seus tanques de combustível provocando uma das maiores tragédias aeronáuticas daquele tempo. As chamas transformaram o dirigível numa imensa bola de fogo, e o acidente foi filmado ao vivo por um repórter de plantão. O mundo inteiro viu nas reportagens da Fox Movietone, no cinema, a carcassa do Hindemburgo caindo ao solo, tomada pelas chamas. Dos 97 passageiros a bordo, 35 morreram, sendo que 27 pularam do dirigível em chamas. A partir dessa tragédia que comoveu o mundo, o ditador Hitler, indignado, mandou encerrar o tráfego de dirigíveis e fez desmantelar todos os seus belos charutos prateados que singravam os céus como carros de Apolo. As gerações que não chegaram a contemplar um Zeppelin em vôo, com seu gigantesco bojo prateado resplendendo ao sol, não podem ter idéia do fascínio que ele exercia sobre toda a gente. As crianças deliravam. Os aviões desta época eram escassos e feios, e só os Zeppelins tinham carisma e majestade.

A primeira viagem do LZ-129 Hindenburg ao Brasil em 1936.

Todas as refeições eram quentes e preparadas na hora pela equipe de cozinheiros e ajudantes.O Chef era originário do Kurgarten Hotel, o mais luxuoso de Berlin e todas as manhãs comia-se pão fresco, assado a bordo. Todos os equipamentos eram elétricos, por motivos óbvios.
Além disso havia um “jornal” impresso a bordo e entregue aos passageiros no café da manhã.
Não ficava nada a dever ao serviço de um navio de luxo.

Cada um dos motores do Hindenburg tinha um mecânico responsável que acompanhava o seu desempenho durante todo o vôo. Reparos durante as viagens não eram incomuns e a tripulação dispunha de ferramental e peças sobressalentes para reposição de componentes e eventualmente alguns reparos que obrigavam a abertura do motor, tais como em pistões, camisas e bielas danificadas.

Os motores trabalhavam com gasolina, diesel ou gás, e os alemães jogavam com os combustíveis (cada um tem uma densidade diferente) dependendo da necessidade de maior ou menor flutuação, em função da pressão atmosférica, quantidade de hidrogênio nas células e de lastro nos tanques.
Na foto vemos o interior da gôndola de um dos motores, com o mecânico de plantão de olho no painel de mostradores, a passagem entre a fuselagem do Hindenburg e a gôndola e uma cena de ajuste perigosamente perto do hélice.
Em relação ao assunto esgoto no Hindenburg: Todas as águas servidas (pias e chuveiros) iam para os tanques de lastro. Havia tanques de lastro com água potável e outros com água suja. Havia também um sistema de recolhimento de água da chuva e outro para recuperação da umidade do ar. Recolher essas águas era muito importante, por que a medida de seguia viagem e consumia combustível, o dirigível ficava mais leve e necessitava de mais lastro para contrabalançar ou teriam de liberar hidrogênio pelas válvulas de alívio.

Além de tudo o que vimos e ainda vamos ver, o LZ-129 Hindenburg trazia em sua primeira viagem ao Rio de Janeiro em Março de 1936, uma carga especial. O novíssimo Opel Olympia, lançado na Alemanha em 1935 em comemoração às Olimpíadas de Berlim que aconteceriam

em 1936. O transporte do automóvel até o Rio de Janeiro era mais uma jogada de marketing da Opel e do Governo Alemão, decididos a manter os seus vínculos com o Brasil e a cooptar a simpatia do Governo de Vargas para a causa Nazista.
Ou seja, além de tudo ainda havia um automóvel em seu bojo ! Vamos tirar o chapéu para os Alemães.

Parece que está tudo muito tranqüilo, as refeições transcorrem em clima de cordialidade e durante a maior parte do dia, o negócio é ficar na Promenade aproveitando a brisa, tirando fotos, conversando, apreciando a paisagem e fotografando tudo.

Fonte: CINEASTV

A seguir na 2ª parte:  A história do Zeppelin no Brasil e o fim de uma era

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