Asas e Flaps

Ataque a Pearl Harbor, o dia da traição – 2ª Parte

 

Base de submarinos de Pearl Harbor, junto aos depósitos de combustível, 13 de Outubro de 1941.

A performance das defesas antiaéreas tinha melhorado muito na segunda vaga (20 aviões perdidos) em relação à primeira (9 aviões perdidos), e dois terços das perdas japonesas aconteceram durante a segunda vaga, devido em parte aos estado-unidenses já estarem alertados. Uma terceira vaga teria sofrido perdas ainda maiores.

As duas primeiras vagas tinham utilizado essencialmente todos os aviões preparados posteriormente ao ataque, e uma terceira vaga teria levado tempo a ser preparada, dando provavelmente tempo às forças estado-unidenses para encontrar e atacar a frota de Nagumo. A localização dos porta-aviões estado-unidenses em exercício antes do ataque continuava desconhecida para Nagumo.

Os pilotos japoneses não tinham treinado para o ataque às bases navais de Pearl Harbor e organizar tal treino demoraria ainda mais tempo.

O combustível disponível não permitia que a força japonesa ficasse mais tempo a norte de Pearl Harbor.
A hora da possível terceira vaga seria tão tarde que obrigaria os aviões a voltarem aos seus porta-aviões após o anoitecer. As operações aéreas nocturnas ainda eram muito recentes em 1941, e nenhuma força mundial tinha ainda desenvolvido técnicas eficazes.

A segunda vaga tinha completado essencialmente a missão inteira: neutralizar a frota estadunidense no Pacífico.

Os porta-aviões eram necessários para servirem de suporte para o ataque principal japonês contra as Filipinas, as Índias, Malásia e Birmânia, no qual o objectivo era capturar combustível e outros recursos. Nagumo tinha ordens directas para não arriscar o seu comando mais do que o necessário. As previsões posteriores ao ataque indicavam que, provavelmente, a força japonesa sofreria a perda de dois a quatro porta-aviões durante o ataque, e Nagumo estava bastante contente por não ter sofrido grandes baixas e não queria abusar da sua sorte.

Ataques posteriores

Mais tarde durante a guerra vários outros ataques numa escala menor foram efectuados contra Pearl Harbor.

A Março de 1942 na Operação K-1, em preparação para a invasão de Midway, dois hidroaviões japoneses Kawanishi H8K, baseados em Wotje nas Ilhas Marshall, descolaram para efectuar reconhecimento aéreo para ver como estavam as reparações a serem levadas a cabo em Pearl Harbor, e para bombardearem a importante doca de reparações Ten-ten. Por causa da distância, necessitou de reabastecimento durante a viagem, sendo este efectuado através de submarinos a 800 km do nordeste de Pearl Harbor. A fraca visibilidade durante a missão fez com que as bombas fossem largadas a alguns quilómetros do seu alvo.

 

Apenas algumas horas após o início do ataque a Pearl Harbor (dia seguinte, 8 de Dezembro de 1941, na linha internacional de data), tropas japonesas começaram a atacar os territórios de Hong Kong, seguido de alguns ataques às Filipinas, Wake Island, Malásia, e Tailândia e o afundamento do HMS Prince of Wales e Repulse.

A 8 de Dezembro de 1941, o Congresso dos Estados Unidos declarou guerra ao Japão com um único voto contra, a da deputada Jeannette Rankin, que também havia votado contra a entrada dos EUA na I Guerra Mundial. O Presidente Roosevelt assinou a declaração de guerra, apenas alguns minutos depois. O governo dos EUA continuou e aumentou a intensidade da mobilização militar e iniciou uma economia de guerra no país.

Como resposta, Franklin Roosevelt ordenou um ataque a Tóquio, coração do Japão, considerado praticamente impossível, originando assim o ataque Doolittle lançado a 18 de Abril de 1942.

A Alemanha Nazi declarou guerra aos Estados Unidos a 11 de Dezembro, quatro dias após o ataque japonês. Hitler não era obrigado a fazer tal declaração pelos termos do Pacto Tripartite. A declaração de guerra escandalizou o público estado-unidense e permitiu aos Estados Unidos entrarem directamente no teatro de guerra do Pacífico e aumentar o seu apoio ao Reino Unido, que já tinha pedido há muito tempo um apoio total por parte dos EUA.

Em termos de objectivos, o ataque a Pearl Harbor foi um tremendo sucesso táctico. Até mesmo o ataque surpresa dos porta-aviões britânicos à base naval italiana de Taranto, em 1940, não foi tão devastante em termos de danos causados, embora tenha sido um sucesso ao neutralizar a Marinha Italiana. Devido à suas graves perdas em Pearl Harbor e a invasão subsequente das Filipinas, a Marinha dos EUA ficou impossibilitada, nos seis meses seguintes ao ataque, de ter qualquer papel significativo no teatro de guerra do Pacífico. Com a frota estadunidense fora de combate, o Japão podia, temporariamente, e sem preocupações, conquistar o Pacífico e expandir-se para o sudoeste Asiático, o sudoeste do Pacífico e até ao Oceano Índico.

Embora o ataque a Pearl Harbor tenha sido o ataque mais notável em solo estado-unidense durante a Segunda Guerra Mundial, houve mais ataques.

Significado histórico

O ataque a Pearl Harbor teve apenas um pequeno impacto militar devido ao insucesso da Marinha Imperial Japonesa no seu objectivo de afundar os porta-aviões. Mas mesmo que estes tivessem sido afundados, o Japão poderia não ter ficado ainda assim, muito beneficiado, a longo termo. O ataque firmemente apontou os Estados Unidos e a sua massiva economia industrial para a Segunda Guerra Mundial, conduzindo à derrota mundial das forças do Eixo.

O primeiro-ministro do Reino Unido Winston Churchill, ao ter conhecimento que o ataque a Pearl Harbor tinha finalmente feito os EUA entrar na guerra, escreveu “Estando saturado e satisfeito de emoção e sensação, fui para a cama e dormi o sono dos salvos e agradecidos”. (Winston Churchill, The Second World War, vol. 3, p. 539) A vitória aliada nesta guerra conduziu a que os EUA emergissem como uma potência mundial.

Em termos de história militar, o ataque tornou os porta-aviões como o centro do poder naval, substituindo o couraçado como o navio mais poderoso da frota naval. Contudo, só mais tarde, noutras batalhas, é que o porta-aviões tornou-se nesse centro de poder.

Fonte: Wikipedia