Asas e Flaps

Fokker 100, um pouco de história

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Em 1990 apareceu no Brasil uma aeronave inovadora, o FOKKER 100,
oficialmente denominado FOKKER 28 MK.0100! Lançado em 1983 junto com o
moderno turbohélice Fokker 50, era o modelo mais  evoluído da Fokker,
que substituiria o Fokker F28, utilizando a mesma empenagem porém com
uma asa redesenhada, 30% maior, motores Rolls-Royce RR TAY 650 (ou 620) e
uma cabine “limpa” com EFIS e sistemas mais modernos. O modelo havia
voado pela primeira vez em Novembro de 1986, colecionando elogios,
principalmente a respeito do seu silêncio. Quando o PT-MRA e PT-MRB
conhecidos pelo apelido de “JATOS DE CONGONHAS” chegaram à TAM para
efetuar os vôos direto ao centro, causaram impacto por ser um avião
enorme para o cenário comum de Fokker 27 e Embraer 120 que dominavam a
aviação regional na época.

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Na TAM, o F-100 fez história, pois transformou um operador regional de
meia dúzia de aviões, em um grande player no mercado. Sua passagem pelo
Brasil também se deu na TABA que operou 2 unidades, na OceanAir/Avianca
Brasil com 14 unidades (inclusive sendo a espinha dorsal desta empresa) e
agora é possível velo nas cores da MAIS. Houve intenções da RIO-SUL
quando da compra dos aviões pela TAM, mas pesou em favor da RIO-SUL a
estrutura VARIG e aí o BOEING 737-500 “REGIONAL” foi inserido no
contexto. Rumores de Fokker 100 na TAVAJ, RICO, META passaram como AFA
ao longo do tempo e até da PANTANAL, o que não se concretizou. Mas a TAM
e suas 52 unidades operadas transformou o FOKKER 100 em sua imagem e
semelhança nos anos 90, sendo que até 1998 o Fokker 100 atuou como
exclusividade da frota até ganhar os Airbus A330 e A319 como
companheiros de trabalho. Com um custo operacional baixo, permitiu a
empresa a operar rotas e mais rotas e ganhar muito dinheiro, até a manha
de 31 de Outubro de 1996.

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Em 31/10/1996, dia das bruxas, o PT-MRK, pintado de NUMBER ONE, em alusão a um prêmio recebido pela TAM como melhor regional do mundo, decolou pela pista 17R de Congonhas, e durante a corrida de decolagem seu reversor ficou “ciclando” (abrindo e fechando, por um defeito no relay), o avião não ganhou altura, bateu em uma casa e se espatifou no chão, vitimando 99 pessoas. Pronto, era a deixa contra o “maldito FOKKER 100″, alias a imprensa apaixonou-se pelo avião e passou a o perseguir de todas as formas, só não aprendeu a escrever FOKKER (apareceu como FOCKER, FOQUER, etc). Era o avião estranho, que só a TAM operava, o inseguro Fokker 100, o desconhecido Fokker 100, não era Boeing!

O avião ficou marcado para sempre.

Para piorar, outros eventos como uma suposta bomba em vôo abriu parte da fuselagem de um F100, até que em 2002 o avião atingiu seu ápice de problemas: em 30 de Setembro, dois Fokker 100, com intervalo de 40 minutos, protagonizaram cenas bizarras na aviação, o PT-MRL pousou de barriga em Campinas e 40 minutos depois o PT-MQH, pousou em um pasto em Birigui, atropelando uma vaca. Precisava de mais? Nem a queda de um Embraer 120 Brasília da RICO, matando 28 pessoas no MESMO DIA, impediu o foco exclusivo no Fokker 100. Restou à TAM encostar os aviões em São Carlos e ir se desfazendo da frota… o que foi acontecendo paulatinamente.

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Incidente com Fokker 100 durante reboque em Congonhas. Electra PP-VLY ao fundo

Era o fim do Fokker 100? Negativo, em Dezembro de 2005 a OceanAir introduziu um tipo novo: MK28! Risos, não podia ter algo mais bizarro em nossa aviação comercial, o Fokker 100 rebatizado, com medo do operador em ficar igualmente marcado, mas o MK28 (fusão do MK0100 com o F28, ou seja o FOKKER 100), cumpre seu papel na OceanAir/Avianca até hoje, sem ter protagonizado nenhum acidente e mais recente passou a operar na MAIS (esta não esconde que é um Fokker 100).

Tive oportunidade de trabalhar com este avião, inteligente, limpo, fácil de lidar, um tratorzinho! Possui um MTP – Maintenance Test Panel, onde podemos verificar panes, testar sistemas, utilizando de fault ball (se está preto está bom, se está amarelo, há falha), um AFCAS onde era possível efetuar leitura de panes com FAULT CODEs, uma cabine limpa, sempre friso isso, um overhead que em nada lembra o poluído overhead de um 737-700 por exemplo, conceito dark and cold, EICAS para leitura de diversos parâmetros, piloto automático de 2 canais, e motores super silenciosos. Outro ponto interessante é que suas asas não possuem SLATS e o Fokker 100 pode até decolar sem flaps. O avião é bem silencioso, talvez o único ponto que deixe a desejar no Fokker 100 seja o ar-condicionado, tipicamente Europeu, portanto “fraquinho”. Gostei da minha experiência com o Fokker 100 inclusive como passageiro, pena não ter tido um curso da aeronave para poder falar com mais propriedade técnica. Seu ponto de equilíbrio operacional é baixo, o consumo similar a de um Embraer 190 (detalhe para o abismo de idade entre os dois), enfim, um bom avião para se iniciar uma aérea, um bom avião para se ganhar dinheiro, o único problema é que ficou marcado no Brasil.

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Lá fora o Fokker 100 fez sucesso na American Airlines, KLM, AIR FRANCE, diversos operadores satisfeitos! Fica a dica do site www.fokker-aircraft.info,
de entusiastas holandeses, onde é possível se aprofundar sobre o F100.
Ah, não custa lembrar que existe uma versão encurtada chamada FOKKER 70,
que não foi operado no país. E esqueçam o papo de F100NG propagado por
aí, que haveria até uma fabrica no Brasil, pela REKKOF (Fokker ao
contrário).

Se este artigo tiver repercussão suficiente para valer a pena uma
extensa pesquisa sobre cada uma das celulas que operou no país, o
faremos.

Até mais.

Fonte: http://www.avioesemusicas.com/