Asas e Flaps

História do APP Aeroclube Politécnico de Planadores de SP – 1ª Parte

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Projetado pelo IPT, o planador primário Gafanhoto era rebocado por automóvel.

A sua fundação

Em 02/01/1934, foi fundado o Club Paulista de Planadores, conhecido como CPP.
Fruto do esforço e da perseverança de alguns entusiastas do vôo-a-vela utilizando-se
de muitos planadores: “Primário” planador totalmente aberto (cópia do “Zoegling”) e
“Secundário” com carenagem na parte inferior do “cockpit” e aberta na parte superior,
fabricado pela EAY – Empresa Aeronáutica Ypiranga, e que já vinham ministrando seus
conhecimentos desde 1932, embora de forma não-oficial.
Dentre estes avultam as figuras de Jayme Americano, Ismael Guilherme, Alberto
Americano, Valdo Torres Guilherme e mais alguns outros, que utilizavam o Campo de Marte para voar em planadores primários e em alguns casos, com planadores secundários.

Mais na frente apresentaremos os fundadores desta empreitada

O vídeo abaixo apresentado mostra o modelo que inspirou os primeiros modelos de planadores no Brasil

Fundado o Clube, as atividades daquele grupo tornaram-se oficiais, no hangar com
oficinas de reparos e para a construção de aeronaves, emprestado por Fritz Roesler e Orton Hoover no Campo de Marte.

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Brasileiras pioneiras · Aero Magazine

Ada Rogato recebe a 1ª Licença feminina como piloto de planador, em 1934, no Clube Paulista de Planadores – Campo de Cumbica
Posteriormente passou a ocupar um hangar próprio, também no Campo de Marte que
foi construído por um dos fundadores, o Eng.o José Antonio Salgado.
A Missão Alemã de Vôo-a-VelaA recepção da Missão Alemã de Vôo-a-Vela foi feita em Mogi das Cruzes, pois
vieram do Rio de Janeiro por terra, sob uma chuva torrencial, chegando a São Paulo em 2
de março de 1934, chefiada pelo Prof. Dr. Walter Giorgii, emérito meteorologista, Diretor da
DFS “Deutsche Forschungsanstalt für Segelflug – Darmstadt”, fundador da “ISTUS” –
“Internationale Studienkomission für Segelflug” atual “OSTIV”- Organisation Scientifique
et Technique Internationale du Vol a Voile. O demais componentes eram: Eng.o Friedrich
Harth meteorologista especializado da “DFS”, os volovelistas Wolf Hirth, Heinrich “Heini”
Dittmar, Peter Riedel , a jovem Hanna Reitsch, o técnico Richard Mihm e o piloto rebocador
Gustav Adolf Wachsmuth.
Trouxeram os seguintes planadores: Grunau Baby II,
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Dittmar HD-1 Condor,
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Fafnir
FAFNIR

Moazagotl e um avião-rebocador BFW Me 23, além das respectivas carretas.

BFW_M.23_0891-2Foram hospedados no Hotel Terminus e passaram imediatamente a desenvolver seus trabalhos no Campo de Marte. Os conhecimentos demonstrados pelos integrantes da missão agradaram sobremaneira os paulistas, e o entrosamento foi tão cordial que em fins de abril o Clube contratava: Heini Dittmar para ser instrutor que, aliás, em São Paulo bateu o recorde mundial de altura com planadores. Formado em Wasserkuppe-Rhon, já era instrutor de fama mundial, e sua contratação com o beneplácito do Prof. Walter Giorgii, trouxe imediata notoriedade para o Club Paulista de Planadores como veremos. O Prof. Dr. Walter Giorgii era, além de todos os títulos, presidente da ISTUS, entidade internacional de superintendência do Vôo-a-Vela mundial, o Clube imediatamente filiou-se àquela entidade, e recebeu poderes e credenciais para orientar e superintender oficialmente o Vôo-a-Vela no Brasil, o que tornou o Brasil o primeiro país da América Latina a ter assento no plenário da organização. O CPP-Club Paulista de Planadores teve a função atual da FBVV-Federação Brasileira de Vôo-a-Vela (anteriormente era a ABVV-Associação Brasileira de Vôo-a-Vela) que ajudou a fundar no dia 15/01/54 na cidade de Ribeirão Preto juntamente com o Primeiro Concurso Nacional de Vôo a Vela.Tudo isto acontecia muito rapidamente, tanto que, em junho de 1934, já era formada
a primeira turma com brevê “A” em planadores Zoegling aos Srs. Jayme Americano, Alberto Americano, Clay Presgrave do Amaral, José Luzzi Jr e o brevê “B” no planador Grunau ,Baby II Paulo Gonçalves Levèfre e posteriormente de instrutores volovelistas, sob a orientação do Heinrich (Heini) Dittmar. Esta turma era composta de: Fernando E. Lee, Valdo, Torres Guilherme, Jayme Americano, Franz Ronza, Ismael Guilherme e Francisco Michelotti. Peter Riedel decolou no Fafnir do Campo de Marte SP e estabeleceu o 1.o vôo de distância no Brasil e na América do Sul, pousando num campo arado em Tatuí, perfazendo  125km. A realização deste vôo veio ressaltar a sua perícia, pois havia empreendido um vôo em regiões desconhecidas, não sabendo quais as possibilidades de pouso iria encontrar, voando em princípio em condições favoráveis que se apresentavam rumo à Sorocaba, atingindo o planalto de Itu numa altura de 2400m (base 1800m). Orientava-se pelo mapa, identificando o leito dos rios, estradas assinaladas e estradas de ferro, para que em caso de pouso, o transporte de retorno não fosse muito penoso para a equipe que deveria trazê-lo de volta de carreta.w_h_resgate_planador_fuselagemA Missão Alemã continuou seguindo rumo ao Sul, passando pelo Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul até a Argentina. No retorno à Alemanha fizeram uma escala no Porto de Santos para deixar o Grunau Baby II, que nos foi entregue, conforme combinado anteriormente, apesar de todo o assédio argentino (eram muito poderosos economicamente na época) para ficar com ele…Devemos ao saudoso Eng.o Prado a “feliz idéia” de iniciar as entabulações para a compra do Grunau Baby II, conseguindo convencer o Prof. Walter Giorgii da necessidade de se “desfazer” do planador. Quando na Argentina, os entusiastas portenhos tentaram adquirí-lo, ficaram deveras decepcionados, pois haviam chegado tarde para as negociações uma vez que o planador não pertencia mais à Expedição, mas sim, aos brasileiros de SÃO PAULO, do Club Paulista de Planadores!!!Por ocasião da formatura dos primeiros instrutores, o Clube já dispunha de cinco
planadores Zoegling e um Grunau Baby II Com o retorno de Heini Dittmar a Alemanha em junho de 1934 e tendo deixado um grupo de seis instrutores já formados com o aval da ISTUS, o Clube continuou a expandir-se.

Gratidão alemã a acolhida no CPP

Em retribuição a acolhida no Brasil e mais especificamente em São Paulo no CPP, Heini Dittmar batizou de: São Paulo, o Fafnir II (projetado pelo famoso Hans Jacobs) que
voou e venceu o Campeonato Alemão daquele ano. O livro “Manual del Vuelo a Vela”
escrito por Wolf Hirth e outros, foi recuperado pelo Marcelo Torretta.

Fazenda Cumbica

Um mês depois, em julho, iniciou-se a construção da sede, hangares e pistas em uma fazenda em Cumbica (corruptela de cumbuca), no município de Guarulhos, cedida pelo seu sócio, Samuel Ribeiro, por recomendação do Prof. Dr. Walter Giorgii.

Foram construídos:

a) 1 hangar de cimento armado de 30m de boca (com 3 portas de aço) por 46m de
fundo(1380m2 almoxarifado, 16 dormitórios, 4 banheiros, refeitório, bar, copa, cozinha, despensa e um apartamento para o zelador, sendo o piso de tijolos com revestimento de cimento.
b) 1 hangar de madeira de 9m x 18m de fundos (162m2
c) 2 pistas: a leste-oeste com: 1700m x 150m de largura
a norte-sul com: 1500m x 150m de largura
O custo dos hangares e das pistas foi superior a 300.000$000 (trezentos mil contos de
réis); o projeto, a administração e execução foram dos seus diretores Engenheiros Guilherme E. Winter e José Antonio Salgado, que o fizeram graciosamente; parte do aço e cimento foram adquiridos ao preço de custo como contribuição dos fornecedores.
A inauguração foi em janeiro de 1935, o Campo de Marte ficou como depósito de
material e local para instrução Primária, enquanto que Cumbica passou a polarizar a quase totalidade das atividades do Clube. Estas começaram, imediatamente, a frutificar.
Em maio, o Clube já oferecia instrução a cerca de cinqüenta sócios, sendo dez já brevetados nas três categorias e quinze com brevê “A” e ”B”. Nessa época o CPP abrigou o DBSV-Deutsch Brasilianische Segelflug Vereinigung, um grupo de volovelistas alemães sob a orientação dos Srs. Schubert e von Schaaffhausen que posteriormente integraram-se aos quadros do Clube. . Apelou para a generosidade de seus associados e amigos, conseguindo imediatamente uma resposta profícua. Alguns empresários assumiram o papel de Mecenas e contribuíram de maneira ampla para os cofres do Clube. Destacaram-se: Alfredo Schuring (doou vários planadores), Samuel Ribeiro (que cedeu parte da Fazenda Cumbica para a construção da sede), Guilherme Guinle, Octavio Guinle, Arnaldo Guinle e Assis Chateaubriand, além da Companhia Docas de Santos (desembarque na “moita” do Grunau Baby II…), que igualmente muito auxiliou o Clube. Com o dinheiro arrecadado com tais donativos, foi possível ao Clube implementar alguns de seus projetos: adquiriu dois planadores primários Zoegling e um automóvel Ford de 8 cilindros para rebocá-los.

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tendo nos fundos ainda as seguintes dependências: Salão de oficinas,

Avião-rebocador

O automóvel Ford não era adequado para o lançamento de planadores de maior
categoria. Servia, sim para planadores primários, mas o Clube já havia ultrapassado esta fase.  Ainda por subscrição, conseguiu-se um avião Taylor Club que prestou alguns serviços, embora precariamente, pois, não era específico para a missão que se pretendia. O uso contínuo a que foi submetido, tanto para treinamento de vôo como para observações meteorológicas, o desgastou de tal forma que foi, primeiramente, abandonado e depois vendido.

Fim da 1ª parte

 

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