Asas e Flaps

LAPISA e aviação regional – Delírio que não é delírio

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Renderização (*)  Lapisa por Alexandre Alves

Vejam só, quando desenhei a LAPISA algumas pessoas me chamaram de louco, especialmente por conta de algumas rotas tais como ligar Belém a Teresina via Imperatriz ou São Luís e adentrar o interior do estado. Como vimos no outro artigo, a infraestrutura local deixa a desejar em Picos e Floriano. Eis que chega a notícia de que a SETE Linhas Aéreas, operadora de um trio de EMB120 Brasílias apoiados por Cessna 208 Grand Caravan pretende operar em Parnaíba e São Raimundo Nonato com sérias possibilidades de incluir Picos e Floriano.

Recentemente a SETE iniciou um vôo Belém – São Luís – Teresina e que dá conexão de THE para Imperatriz. É SETE ou é Lapisa? Risos. Fico feliz por ver que minhas idéias estavam no rumo certo de viabilidade e triste por ninguém ter me “descoberto” neste talento, afinal dificilmente vou tirar uma megasena para implantar a LAPISA, mas também não sou egoísta a ponto de não desenvolver um trabalho similar em outra empresa. Bom, estamos aí viu SETE?!

O boom no interior não pára, a PIQUIATUBA sediada em Santarém pretende voar para Teresina direto para Imperatriz, ou seja, cada vez que eu escutar meus amigos Júlio e Paula autorizarem a decolagem de qualquer EMB120 em Teresina escutarei no lugar do callsign real, algo como Lapisa 66xx… e mais, chegou a notícia direto da Bahia de que teremos operações em Guanambi por parte da Azul (informações ditas pelo governador daquele estado).

Guanambi ao lado de Bom Jesus da Lapa são duas apostas insistentes da minha parte e nem precisa ser direto com a capital do estado (Salvador) mas sim para outra capital qualquer por perto. Sem falar que quando Vitória da Conquista tiver seu novo aeroporto prevejo um boom de linhas com jatos. Uma pena que o Brasil insista em manter o Cessna Caravan com 9 assentos, se este avião voltasse aos 12 assentos seu custo seria bem menor e por sua vez poderia desbravar novos mercados.

Aviação é um modal de transporte imbatível. É rápido, se ganha tempo e tempo é dinheiro concordam? Por exemplo recentemente fui a SP pagando 150 reais em um CNF-GRU voando 737-800, se eu fosse num G7 (ônibus moderno equivalente a um 737-800) eu pagaria 120. No entanto estamos falando de 1h contra 9 horas. E se eu fosse de carro? Só de combustível e pedágio gastaria mais do que isso. Desde quando escrevi o “a rua principal da cidade” tanto aqui no AeM, como no Jornal O DIA (de Teresina) a aviação regional adentrou diversos mercados no Nordeste, no Piauí e pelo Brasil e olhe que não temos uma política clara para isso. Desejo ver vôos em diversos pontos onde a demanda está lá adormecida como por exemplo na Bahia: Guanambi, Bom Jesus da Lapa, Irecê, Jacobina, Valença, Caravelas, estou falando de agro-negócio, de turismo e sobretudo de ligações regionais com aviões com menos que 45 assentos.

Em Minas o turismo clama por serviços para Diamantina, São João Del Rey e ainda acredito em outros lugares como Poços de Caldas e Barbacena por exemplo. Chegar por cima é outra coisa e não falo de status, a beleza de ver uma cidade por cima é fantástica. Rio de Janeiro, Resende não tem vôos, no Espírito Santos cadê São Matheus e Cachoeiro do Itapemirim? Maranhão: Balsas, Carolina, Santa Inês… enfim mercado tem de sobra, vamos ver se o PDAR – Plano de Desenvolvimento da Aviação Regional, sai de fato do papel e beneficia os pequenos mercados, pois as cidades já servidas estão bem encaminhadas.

Acredito no interior desde a época da Dinar, que era uma empresa interiorana, de Salta para Buenos Aires, a receita de bolo é tão certa que a ANDES voa até hoje na mesma rota, acredito no regional desde que a TRIP fez o que fez país a dentro e orgulhosamente fiz parte disso.

 

Sobre o Autor

Alexandre Conrado, Piauiense, amando e pesquisando aviação comercial desde 1982, dedicando-se profissionalmente em Aeroportos e Manutenção há 14 anos. É apaixonado por hélices, poucos jatos e música eletrônica. Consultor na ACW Consultoria em Aviação e Hotelaria

Fonte: Aviões e Musicas

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Renderização é o processo pelo qual pode-se obter o produto final de um processamento digital qualquer. Este processo aplica-se essencialmente em programas de modelagem 2D e 3D (3ds Max, Maya, CINEMA 4D, Blender, Adobe Photoshop, Gimp, Corel PhotoPaint, etc.), bem como áudio (Cubase, Ableton Live, Logic Pro, etc) e vídeo (Adobe Premiere, Sony Vegas, Pinnacle Studio etc).

O processo de tratamento digital de imagens e sons consome muitos recursos dos processadores, e pode tornar-se pesado de forma que sua realização em tempo real fica inviável. Neste caso, os softwares trabalham em um modo de baixa resolução para poder mostrar uma visão prévia do resultado. Quando o projeto está concluído, ou em qualquer momento que se queira fazer uma aferição de qual será o resultado final, faz-se a “renderização” do trabalho

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