Asas e Flaps

Sociedade Aeronautica Neiva – Paulistinha 3ª Parte

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Neiva P-56 Paulistinha PP-GUV  –   Aero Club de Jundiai –  arte de Willian Moreira Soler

Em 1949 a CAP encerrou sua atividade, finalizando uma era marcante da indústria de         aviões civis.

Alguns anos depois, fundava-se uma oficina de manutenção de aviões na cidade de Botucatu (SP), propriedade do engenheiro aeronáutico austriaco Willibald Weber e o brasileiro José Carlos Neiva, transformando-se logo em pequena fábrica de planadores que se tornaram famosos  (Neiva B Monitor e Neiva BNI) (foto abaixo)

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Em 1952 o Ministério da Aeronautica importou 80 aviões americanos leves para instrução, que também obtiveram grande sucesso nos aeroclubes. Tratava-se do Piper PA-18

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Observando o sucesso desse avião (foto acima) , Neiva percebeu o potencial de voltar a produzir um avião básico como o Paulistinha, obteve de Francisco “Baby” Pignatari os gabaritos,  plantas e a licença de fabricar novamente o CAP-4, desde que pagasse 6% sobre o valor de cada avião a um fundo para concessão de bolsas de estudos aos alunos do ITA  (Instituto de Tecnologia da Aeronáutica)

Em 1956 a Indústria Aeronáutica Neiva lançou a sua nova versão do antigo CAP-4 , homologado como P-56 (Paulistinha 56) foto abaixo

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Este surgia reformulado, com reposicionamento do tanque de combustível, proteção da seletora de combustível, alterações na porta da cabine, janelas, carenagem do motor e painel de instrumentos. Roupagem nova para uma célula já super aprovada, cuja maior modificação foi a alteração do conjunto moto propulsor, agora bem mais potente, fazendo o avião ter características semelhantes ao legendário Piper Cub j3 americano (foto abaixo)

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Os primeiros 20 aviões produzidos pela Neiva vieram com motores Lycoming de 100 HP

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designados P56-B. O restante das 216 unidades produzidas teve sua potência levemente reduzida, pois foram equipados com motor Continental de 90HP, batizados como P56-C. Os novos Paulistinhas P56 tiveram alguns protótipos onde se introduziram pequenas variações, metamoformeando-os em Rebocador de Planador, Agrícola, Campeiro e Luxo, (com partida elétrica e rádio). Poucas unidades destinaram-se à Força Aérea, sendo outras 10 aeronaves vendidas a particulares e algumas doadas a países vizinhos. A maior parte adquirida pelo Ministério da Aeronáutica em encomendas sucessivas, foi repassada aos aeroclubes brasileiros, incluindo o Aeroclube de São Paulo, onde se emparelharam a seus a seus antecedentes CAP-4.

Se nestas linhas estendemo-nos um pouco mais sobre estes aviões, podemos dizer que contribuiu um tanto de nostalgia aliada à homenagem aos Paulistinhas que, sem dúvida, marcaram uma época dourada na aviação civil. Tempos no qual o aviador tinha que aprimoras suas atividades de pé e mão para pousar os aviões com roda na cauda e tocar o solo em “três pontos” ou “pouso de pista”, driblando os ventos de través

[youtube]https://youtu.be/JCaKxdP6oAg[/youtube]

Aeronave P56C Paulistinha. No comando Cmte Rogerio Vilela pousando em Bragança Paulista – SBBP, sob orientações do INVA

Da mesma forma uma lembrança saudosista sobre a maneira de dar a partida no motor fazendo girar o hélice manualmente, ou “dando  hélice”, como se dizia. O piloto acomodado na nacele com a mão na manete de potência, aguardava o “livre” bradado pelo mecânico ou tripulante que fosse impulsionar  a bi-pá. Em seguida avisava “contato!” respondido pelo outro, com a mesma palavra que, ciente de a chave de magnetos ter sido ligada, impulsionava o hélice manualmente, dando um passo de segurança para  trás. Se o motor estivesse bem regulado em duas ou três giradas, logo roncaria bem acordado, lançando uma baforada de fumaça azulada. Em seguida freios soltos e calços fora, vinha a rolagem (que hoje se denomina taxiar) com pequenas curvas em S para condicionar melhor a visão à frente. Na pista, uma curta corrida com a cauda erguida e logo o descolamento do chão e o voo prazeroso. Os primeiros Paulistinhas, como outros aviões básicos da época, ainda não possuíam freios nas rodas, luxo este que foi adaptado posteriormente. Então após o pouso, mesmo com motor cortado, se a pista fosse curta ou em declive, acontecia de o aluno ou instrutor ser obrigado a saltar e segurar a máquina pelo montante da asa, ajudando a frear a custa do desgaste da sola de seus sapatos.

Fonte: Memórias da Aviação Paulista de Edgard O.C. Prochaska pag. 92

Breno Monteiro dando partida na hélice do Paulistinha 150HP no Aeroclube de Planadores Albatroz – Osório/RS

Fim da 3ª parte

 

1 comentário

  • Luiz Ishida disse:

    No livro “Pioneirismo nos Céus” – A história da divisão de Aeronáutica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT do Estado de São Paulo (1934-1957), no Capítulo 4 – Convênio com a companhia Aeronáutica Paulista e a fabricação do “Paulistinha” obterá mais informações de como evoluiu o mais bem sucedido avião fabricado em série no Brasil até 1970.
    Abraços
    Ishida

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