{"id":520,"date":"2019-07-31T09:14:12","date_gmt":"2019-07-31T12:14:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/?p=520"},"modified":"2019-08-02T10:21:24","modified_gmt":"2019-08-02T13:21:24","slug":"como-o-cerebro-percebe-a-passagem-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/2019\/07\/31\/como-o-cerebro-percebe-a-passagem-do-tempo\/","title":{"rendered":"Como o c\u00e9rebro percebe a passagem do tempo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-521\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/89\/2019\/07\/Depositphotos_108318060_l-2015-1024x684-740x494.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"494\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/89\/2019\/07\/Depositphotos_108318060_l-2015-1024x684-740x494.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/89\/2019\/07\/Depositphotos_108318060_l-2015-1024x684-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/89\/2019\/07\/Depositphotos_108318060_l-2015-1024x684-768x513.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/89\/2019\/07\/Depositphotos_108318060_l-2015-1024x684-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/89\/2019\/07\/Depositphotos_108318060_l-2015-1024x684.jpg 1024w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b><i>H\u00e1 alguns anos, por volta de 2004 ou 2005, li um texto do Aldo Novak sobre como o nosso c\u00e9rebro percebe a passagem do tempo, e aquilo capturou a minha aten\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, entendi por que, \u00e0 medida que a gente fica mais velho, os Natais chegam cada vez mais r\u00e1pido e por que, durante as viagens ou outras quebras de rotina, o tempo parece mais el\u00e1stico. Hoje, uma tirinha do quadrinista Daniel Brand\u00e3o sobre o tempo me fez lembrar do texto do Novak, que compartilho aqui com voc\u00eas. Perdoem s\u00f3 o tom de auto-ajuda da \u00faltima parte, mas juro que ela n\u00e3o compromete a ideia nuclear do artigo.<\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O c\u00e9rebro humano mede o tempo por meio da observa\u00e7\u00e3o dos movimentos. Se algu\u00e9m colocar voc\u00ea dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mob\u00edlia, sem portas ou janelas, sem rel\u00f3gio, voc\u00ea come\u00e7ar\u00e1 a perder a no\u00e7\u00e3o do tempo. Por alguns dias, sua mente detectar\u00e1 a passagem do tempo sentindo as rea\u00e7\u00f5es internas do seu corpo, incluindo os batimentos card\u00edacos, ciclos de sono, fome, sede e press\u00e3o sangu\u00ednea. Ent\u00e3o, quando tempo suficiente houver passado, voc\u00ea perder\u00e1 completamente a no\u00e7\u00e3o das horas, dos dias&#8230; ou anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Estou exagerando para efeito did\u00e1tico, mas em ess\u00eancia \u00e9 o que ocorreria. Isso acontece porque nossa no\u00e7\u00e3o de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repeti\u00e7\u00e3o de eventos c\u00edclicos, como o nascer e o p\u00f4r do sol. Se algu\u00e9m tirar estes sinais sensoriais da nossa vida, simplesmente perdemos a no\u00e7\u00e3o da passagem do tempo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Compreendido este ponto, h\u00e1 outra coisa que voc\u00ea tem que considerar: nosso c\u00e9rebro \u00e9 extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto m\u00e9dio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de n\u00f3s ficaria louco se o c\u00e9rebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos \u00e9 automatizada e n\u00e3o aparece no \u00edndice de eventos do dia. Para que n\u00e3o fiquemos loucos, o c\u00e9rebro faz parecer que n\u00f3s n\u00e3o vimos, n\u00e3o sentimos e n\u00e3o vivenciamos aqueles pensamentos autom\u00e1ticos, repetidos, iguais. Por isso, quando voc\u00ea vive uma experi\u00eancia pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que est\u00e1 acontecendo. \u00c9 quando voc\u00ea se sente mais vivo. Conforme a mesma experi\u00eancia vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas rea\u00e7\u00f5es no modo autom\u00e1tico e &#8220;apagando&#8221; as experi\u00eancias duplicadas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Se voc\u00ea entendeu estes dois pontos, j\u00e1 vai compreender por que parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e por que os natais chegam cada vez mais rapidamente.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Quando come\u00e7amos a dirigir, tudo parece muito complicado, o c\u00e2mbio, os espelhos, os outros ve\u00edculos \u2014 nossa aten\u00e7\u00e3o parece ser requisitada ao m\u00e1ximo. Ent\u00e3o, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os sem\u00e1foros, lendo os sinais ou at\u00e9 falando ao celular (proibido no Brasil), ao mesmo tempo. E voc\u00ea usa apenas uma pequena &#8220;\u00e1rea&#8221; da aten\u00e7\u00e3o para isso. Como acontece? Simples: o c\u00e9rebro j\u00e1 sabe o que est\u00e1 escrito nas placas (voc\u00ea n\u00e3o l\u00ea com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); o c\u00e9rebro j\u00e1 sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experi\u00eancias passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experi\u00eancia). Em outras<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">palavras, voc\u00ea n\u00e3o vivenciou aquela experi\u00eancia, pelo menos para a mente. Aqueles cr\u00edticos segundos de troca de marcha, leitura de placa s\u00e3o apagados de sua no\u00e7\u00e3o de passagem do tempo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Por que estou explicando isso? Que rela\u00e7\u00e3o tem isso com a aparente acelera\u00e7\u00e3o do tempo? Tudo. A primeira vez que isso me ocorreu foi quando passei tr\u00eas meses nas florestas de New Hampshire, Estados Unidos, morando em uma cabana. Era tudo t\u00e3o diferente, as pessoas, a paisagem, a l\u00edngua, que eu tinha dores de cabe\u00e7a sempre que viajava em uma estrada, porque meu c\u00e9rebro ficava lendo todas as placas (eu lia mesmo, pois era tudo novidade para mim). Foram somente tr\u00eas meses, mas ao final do segundo m\u00eas eu j\u00e1 me sentia como se estivesse h\u00e1 um ano longe do Brasil. Foi quando comecei a pesquisar a raz\u00e3o dessa diferen\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Bastou eu voltar ao Brasil, e o tempo voltou a &#8220;acelerar&#8221;. Pelo menos, assim parecia. Veja, quando voc\u00ea come\u00e7a a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experi\u00eancia repetida. Conforme envelhecemos, as coisas come\u00e7am a se repetir \u2014 as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televis\u00e3o, reclama\u00e7\u00f5es, enfim, as experi\u00eancias novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pare\u00e7a ter sido longo e cheio de novidades) v\u00e3o diminuindo. At\u00e9 que tanta coisa se repete, que fica dif\u00edcil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na d\u00e9cada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera \u00e9 a&#8230; r-o-t-i-n-a. N\u00e3o me entenda mal. A rotina \u00e9 essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina, que, ao longo da vida, seu di\u00e1rio acaba sendo um livro de um s\u00f3 cap\u00edtulo, repetido todos os anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">O ANT\u00cdDOTO PARA A ACELERA\u00c7\u00c3O DO TEMPO<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Felizmente h\u00e1 um ant\u00eddoto: mude e marque. Mude, fazendo algo diferente, e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos. Mude de paisagem, tire f\u00e9rias com a fam\u00edlia (sugiro que voc\u00ea tire f\u00e9rias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cart\u00f5es postais e cartas. Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre fa\u00e7a festas de anivers\u00e1rio para eles e para voc\u00ea (marcando o evento e diferenciando o dia). Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais. Fa\u00e7a festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe da formatura de sua turma, visite parentes distantes, v\u00e1 a uma final de campeonato, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, ou fa\u00e7a os enfeites com frutas da regi\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, v\u00e1 a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Escolha roupas diferentes, n\u00e3o pinte a casa da mesma cor. Fa\u00e7a diferente. Beije diferente sua paix\u00e3o e viva com ela momentos diferentes. V\u00e1 a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experi\u00eancias diferentes. Seja diferente. Se voc\u00ea tiver dinheiro, especialmente se j\u00e1 estiver aposentado, v\u00e1 com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou pa\u00edses, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos. Em outras palavras, v-i-v-a.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Porque, se voc\u00ea viver intensamente as diferen\u00e7as, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado(a) com algu\u00e9m disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro ser\u00e1 muito mais longo, muito mais interessante e muito mais vivo do que a maioria dos livros da vida que existem por a\u00ed. Se voc\u00ea n\u00e3o tiver mais a esposa, ou o marido, cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religi\u00f5es diferentes e que gostam de comidas diferentes.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Enfim, acho que voc\u00ea j\u00e1 entendeu o recado, n\u00e3o \u00e9? Boa sorte em suas experi\u00eancias para expandir seu tempo, com qualidade, emo\u00e7\u00e3o, rituais e vida.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><strong>[A<\/strong><b>LDO NOVAK<\/b>, coach j\u00e1 \u00e0 \u00e9poca da publica\u00e7\u00e3o do artigo, em 2004 ou 2005<strong>]<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTA DA PATI:<\/p>\n<p><em>Al\u00e9m de todos esses fatores que Novak exp\u00f5e brilhantemente, tamb\u00e9m h\u00e1 um outro, que \u00e9, eu diria, matem\u00e1tico. Pra uma pessoa de 10 anos, um ano representa 10% da sua vida, enquanto pra uma pessoa de 20 anos, um ano representa apenas 5% do seu tempo vivido. Ent\u00e3o, de modo geral, uma pessoa de 10 anos de idade vai ter a sensa\u00e7\u00e3o de que um ano &#8220;demora mais&#8221; a passar do que uma pessoa de 20 anos. Provavelmente \u00e9 por isso que pessoas de 80 anos se referem a epis\u00f3dios ocorridos h\u00e1 20 ou 30 anos como se tivessem ocorrido h\u00e1 pouco tempo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos, por volta de 2004 ou 2005, li um texto do Aldo Novak sobre como o nosso c\u00e9rebro percebe a passagem do tempo,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":243,"featured_media":521,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187],"tags":[5],"class_list":["post-520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-tempo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/243"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=520"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/520\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":526,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/520\/revisions\/526"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/assimcaminhaahumanidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}