Beleza e Saúde

Aumento de mama sem cortes

Dr. Alexandre M Munhoz - crédito Fotos Sylvia Gosztonyi (10)

FOTO: Cirurgião plástico Alexandre Munhoz

A posição de destaque que a colocação de próteses mamárias ocupa no universo da estética , com 21% das intervenções, segundo a Sociedade Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, estimula o desenvolvimento de novas técnicas e uma que vem fazendo sucesso é a aplicação do ácido hialurônico para aumento dos seios, como um procedimento não-invasivo, sem anestesia e que pode turbinar o visual de quem tem medo de enfrentar uma cirurgia plástica. Mas, será que vale a pena? Quem responde é o cirurgião plástico Alexandre Munhoz, Doutor em Cirurgia Plástica na área de Cirurgia Mamária pela HC-FMUSP, de SP.

1 – Como surgiu a idéia de aplicar o ácido hialurônico para aumento das mamas?
As experiências clínicas até o presente momento com a utilização do acido hialurônico (AH) em mamas são limitadas e com pouco número de casos para poder avaliar os reais efeitos benéficos ou mesmo as complicações do seu uso para este caso, especificamente.

O ácido hialurônico é um polímero da família dos polissacarídeos, absorvível, biocompatível e utilizado em larga escala desde a década de 90 para o tratamento de rugas e pequenas depressões cutâneas. Normalmente, são pequenos volumes (de 1 a 5 ml) injetados dentro da camada dérmica da pele. A partir de meados do ano 2000, e decorrente da maior evolução e refinamento na produção do polímero desse ácido, como maior pureza na molécula e, por conseqüência, menor reação local, novas aplicações clínicas começaram a surgir.

Estes polímeros mais modernos começaram a ser indicadas para o tratamento de depressões cutâneas maiores, pós-lipoaspiração e seqüelas profundas de acne com irregularidades na face. Em 2006 na Suécia, iniciou-se um estudo prospectivo avaliando o uso do ácido hialurônico de última geração (Macrolane) no tratamento de irregularidades do contorno corporal. Neste estudo, que é o único no mundo publicado sobre aumento de mama e divulgado agora em 2009, um dos grupos avaliados era de pacientes com hipomastia (mamas pequenas). No estudo, 19 pacientes foram submetidas à injeção do Macrolane com volume médio de 200ml e na posição atrás da glândula mamária e na frente do músculo peitoral. Com dois anos de seguimento, 40% do volume inicial injetado ainda permanecia. Dentre as principais complicações, o estudo observou reações como dor intensa durante a injeção, reação local e endurecimento e processo inflamatório temporário. Segundo os autores, no seguimento de dois anos com mamografia e ultrasom não foram observados alterações importantes como nódulos e calcificações, porém o acompanhamento ainda continua.

2- Por que esse tipo de uso do ácido hialurônico não é recomendado?
Porque fora o estudo Sueco, não existe nenhuma outra pesquisa cientifica avaliando os resultados no longo prazo, após a injeção de grandes volumes de ácido hialurônico. Isto avaliando-se apenas os estudos científicos controlados e publicados em revistas cientificas indexadas. Ademais, mesmo o estudo sueco é limitado, pois o número de pacientes é pequeno (19) e o tempo de seguimento muito curto (2 anos). Assim, não há evidência científica até o momento dos efeitos positivos ou mesmo das complicações na injeção de grandes volumes na mama.

3- Quais as conseqüências que ele pode trazer para a região mamária?
Pode ocorrer infiltração no músculo peitoral ou mesmo dentro da glândula mamária. Isto pode levar a formação de nódulos ou calcificações que atrapalhariam o acompanhamento com mamografia e ultrassom. Como existe a necessidade de injeção de grandes volumes (mais de 100ml) para se obter um bom resultado, a chance de erro na injeção ou mesmo de reação local (inflamação) é muito maior. Assim, há a necessidade de estudos mais detalhados e profundos para avaliar os resultados no aumento de mama.

Outro ponto fundamental é que ate o presente momento não há estudos que avaliem se grandes volumes de ácido hialurônico não poderiam ser absorvidos pelos vasos linfáticos e chegarem a circulação sanguínea e, com conseqüente embolia para fígado, rins ou outro órgão vital.

4- Se uma mulher realizar este tipo de aplicação e logo após ficar grávida, o ácido hialurônico pode interferir na futura amamentação?
Não há estudos que avaliam este aspecto. Teoricamente não, desde que a injeção tenha sido feita totalmente na região retroglandular. Mas nada impede que algumas moléculas cheguem aos lóbulos mamários (ou por difusão direta ou por erro na aplicação) e entrem em contato com o leite materno. Há a necessidade de estudos futuros, porque o trabalho sueco não avaliou esta questão.

5 – Em sua avaliação, quais são os principais uso do ácido hialurônico, atualmente?
O ácido hialurônico pode ser aplicado no tratamento de pequenas irregularidades cutâneas como depressões pós vacina, seqüelas de lipoaspiração ou cicatrizes deprimidas, onde o volume injetado não exceda a quantidade de 20 a 30ml. Nas rugas faciais e sulcos, essa substância tem excelente indicação e a experiência com o seu uso tem mais de 15 anos, mostrando que os resultados são seguros e previsíveis, conferindo naturalidade às regiões que receberam a substância.

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