Beleza e Saúde

Fábio Campos tem razão

fabio

Faço minhas as palavras sábias e muito bem embasadas do amigo jornalista Fábio Campos, em sua coluna do dia 19, no O POVO, sobre a passeata que familiares e amigos de Marcela Montenegro organizam para o próximo dia 27, na Av. Beira-mar, da qual todos nós, independente de etnia, credo, classe social,  se vai usar camiseta branca ao não, se usa protetor solar ou não, se faz aplicação de Botox ao não,  tem o direito e o dever de participar. Temos de reconquistar o direito perdido de ir, vir e permanencer em qualquer lugar de Fortaleza.

Fábio chama atenção, apropriadamente, que os movimentos sociais devem ter como princípio a inclusão e o movimento “Por Amor à Vida” , encabeçado pelo Unicef e pelos Direitos Humanos, do qual tenho o prazer de participar, preenche esses pré-requisito, em um momento de barbarie e violência que dominam o no CE. Só no mês passado foram registrados 250 homicídios, uma guerra civil não declarada. Ô my God!!! 

TEXTO DO JORNALISTA FÁBIO CAMPOS NA ÍNTEGRA

“Circula pelas caixas de mensagens e pelo Twitter a convocação para uma passeata em protesto contra a violência em Fortaleza. A manifestação está marcada para o próximo dia 27, a partir das 9 horas, na avenida Beira-Mar. Estaria tudo muito bem se a motivação a favor do protesto não fosse exclusivamente o assassinato da empresária Marcela Montenegro. “Vamos homenagear a Marcela e dar essa força à família“, diz o texto de convocação, que pede aos simpatizantes da ideia que usem camisas brancas. Sabe-se das boas intenções dos que buscam se mobilizar para chamar a atenção da sociedade e dos poderes públicos para o combate à violência, porém é problemático quando a motivação não se faz ampla. Só na semana em que Marcela foi assassinada, os jornais noticiaram os crimes contra dois outros jovens. Não muito longe do local em que Marcela foi morta, o estudante Igor Melo foi assassinado com seis tiros. O crime ocorreu na Praia do Futuro. Os latrocidas levaram um notebook, a carteira e o celular da vítima.

A NOSSA TRAGÉDIA COTIDIANA
Na noite do dia 12 passado, o estudante universitário Danley Menezes de Freitas, 32, foi baleado ao chegar em casa, no bairro Jardim Iracema. Danley estava colocando o carro na garagem quando foi abordado por dois assaltantes. O crime foi na rua Conselheiro Lafayette, no Jardim Iracema. Conforme depoimento das testemunhas, Danley retornava da casa da namorada. Ele estaria manobrando o carro quando foi visto por uma dupla de assaltantes em uma moto. Os bandidos vinham no outro lado da pista. Quando o viram estacionando, fizeram o retorno e tentaram tomar o carro. De acordo com os vizinhos, a vítima desceu do veículo com a chave nas mãos e correu para tentar escapar dos assaltantes. Nesse momento, um dos homens que estava na moto efetuou os disparos. Pelo menos um dos tiros atingiu a cabeça da vítima, que morreu a caminho do hospital. Marcela, Igor, Danley compõem as estatísticas de uma tragédia cotidiana.

ONDE A VIDA É BANAL
A mobilização é pela paz. A passeata é a favor da cidade. Ela abriga todas as cores e todos os credos. Ricos, remediados e, principalmente, os pobres são as grandes vítimas. É imperativo que a busca por um clima de paz envolva a todos. Os que estão doloridos com a tragédia de Marcela deveriam compreender que a mobilização precisa ser ampliada. A empresária foi uma vítima do gueto que a cidade incluída e os poderes públicos se recusam a ver. Os carrascos de Marcela saíram de uma favela que surgiu e cresceu à sombra da omissão. A favela é uma invasão. Lá não há “Estado“. Lá a polícia só entra para arrebentar e prender. Lá, a energia é “gato“. Lá, a droga é vendida e consumida como numa praça de Amsterdam. Lá, a referência da garotada é o bandido com arma em punho. Lá não tem programa “Minha Casa, Minha Vida“. Lá, a vida é banal. É lá que estão as grandes vítimas. A grande passeata será a que conseguir envolver os moradores desses guetos sociais.

COMO UNIR AS DUAS CIDADES
Em Fortaleza, está surgindo o “Movimento Por Amor à Vida“. No material de divulgação, uma boa novidade: a pretensão é “unir as duas cidades que existem dentro de Fortaleza: de um lado, a cidade perigosa e, de outro, a que tem medo. A tentativa é de fugir às discussões que visam a resultados emergenciais quando o tema é a violência, construir uma rede de efetivação de direitos para todas as pessoas e gerar na cidade um sentimento de gentileza“. Ótimo caminho. Faz parte dos objetivos específicos do Movimento “a criação de fóruns temáticos de discussão; sensibilização da mídia; mapeamento de áreas críticas; elaboração de campanhas visando a uma cultura política voltada para a gentileza; formação de redes solidárias e promoção de iniciativas exitosas de proteção à vida. O grupo idealizador quer agregar colaboradores ouvir sugestões e receber colaborações com a finalidade de construir o movimento“.

QUEM FINANCIA O CRIME
Não custa repetir: boa parte dos crimes cometidos aqui e alhures possui forte relação com o consumo de drogas ilícitas. Noticiário de anteontem: uma adolescente de 14 anos e um jovem de 18 anos, que já respondia por dois homicídios e assaltos, foram executados em frente a um bar, no Ancuri, em Messejana. Na mesma noite, um rapaz usuário de crack foi levado de casa por homens armados e assassinado em um terreno baldio, no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza. A polícia trabalha com a hipótese de que os casos possuem relação com o tráfico. Nesse ponto, as “duas cidades“ estão unidas. O consumo dos mais ricos é o maior sustentáculo do crime. Apoiar a passeata pela paz e depois dar um “tapa“ ou uma “cheirada“ é uma vergonhosa contradição.

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