Beleza e Saúde

ENTREVISTA: MÉDICO HEMATOLOGISTA FERNANDO BARROSO E OS ÓTIMOS RESULTADOS DO TRANSPLANTE DE MEDULA, NO CEARÁ

Médico hematologista Fernando Barroso

O médico hematologista Fernando Barroso, responsável pelo Núcleo de Medula óssea, do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), comemora os ótimos resultados do nosso Estado, em relação aos transplantes de medula e explica por que pesquisadores do mundo inteiro estão com atenção voltada para o Ceará.

Adianto logo que nossos números são animadores, mostram que o Ceará está no caminho certo, com base no balanço de 2017. O Hemoce registrou 105.936 doações de sangue, no Ceará, sendo pioneiro no Brasil no envio de bolsa de sangue raríssimo para outro pais. Um doador cearense,  com sangue presente em apenas 11 famílias brasileiras, salvou a vida de um bebê na Colômbia.

A entidade é a primeira aférese terapêutica (remoção de substância anormal ou presente em excesso na circulação, no tratamento de uma determinada doença), na Região do Cariri. E mais: consegui passe livre para pessoas com hemofilia nos ônibus e vans integrantes do sistema de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros. E conseguiu cadastrar 8.001 pessoas no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea.

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Doar sangue é um gesto de amor que salva vidas

ROBERTA FONTELLES PHILOMENO – Existem quantos registros no Banco Nacional de Medula óssea? Os números do nosso Ceará são expressivos?

FERNANDO BARROSO – O cadastro nacional tem em torno de 4,5 milhões de possíveis doadores cadastrados. O Ceará é o oitavo do País em cadastros e primeiro do Norte-Nordeste.

 

RFP – Nossa… quais as razões dos números expressivos do nosso Estado?

FB – Crescemos muito nos últimos anos, tornamo-nos uma referência em coleta de medula (óssea) para transplantes, no mundo todo. Nós, cearenses, e pessoas até do Sudeste do Brasil têm vindo para nossa terra para doar medula para países do mundo inteiro. Montamos uma grande rede de solidariedade.

RFP – Em quais outras áreas da hematologia somos destaque?

FB – Outro aspecto importante é o banco de sangue de cordão umbilical e placentário, que recebe doações de cordão, que também se destinam a transplantes de pessoas que não tem doadores na família.

 

RFP – Doar sangue é um gesto de amor?

FB – Doar, tanto de medula óssea, quanto de sangue, é uma causa tão nobre. Uma doação voluntária e altruísta que salva vidas.

 

RFP – Vocês resgatam vidas, muita emoção…

FB – … Fazer transplante é uma coisa que está dentro de mim, quase uma religião que ultrapassa a fronteira do valor econômico. É a emoção de ver um cara lá do Interior do Ceará, que ao longo da minha vida eu via morrer e hoje saber que ele está lá, vivo, porque transplantou na terra dele, no Ceará. Fico muito feliz.

RFP – Qual o interesse de pesquisadores do peso internacional do MD Anderson Cancer Center, um dos maiores centros de câncer do mundo que fica em Houston (EUA), pelos transplantes de medula óssea realizados aqui, no nosso Ceara?

FB – O índice de sobrevida dos pacientes transplantados no Ceará é de 95,3%, contra 90% nos países desenvolvidos. Isso sem falar no número de realização do procedimento, de 366 transplantes.