Beleza e Saúde

ENTREVISTA: CIRURGIÃO MARCOS FLÁVIO ROCHA ESCLARECE SOBRE OS BENEFÍCIOS DA ROBÓTICA, TECNOLOGIA JÁ DISPONÍVEL NO CEARÁ

Recém-chegado do Congresso Americano de Urologia, médico urologista Marcos Flávio Rocha (CRM 6091), coordenador Médico do Centro de Cirurgia Robótica, do Hospital Monte Klinikum, tira nossas dúvidas sobre a cirurgia robótica.

Uma realidade que está disponível aos pacientes, no Ceará, desde 2015, transformando o Monte Klinikum pioneiro na adoção do robô Da Vinci, das regiões Norte-Nordeste-Centro Oeste do País. “A cirurgia robótica potencializa muito os resultados, o pós-operatório é menos doloroso, dentre outros benefícios”, diz ele.

Devido ao alto custo dos robôs, os planos de saúde cobrem parcialmente os gastos com a cirurgia robótica, no Brasil. E somente o Instituto Nacional do Câncer (RJ), Sesp, em São Paulo, Hospital do Câncer de Barretos (SP), o Hospital de Curitiba e o Hospital das Clínicas em Porto Alegre atendem aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os primeiros robôs Da Vinci chegaram ao Brasil, em 2008, em São Paulo. E hoje o País conta com 42 plataformas robóticas. No mundo, são 4.200. Nos Estados Unidos 2.700 unidades. No Ceará, existe apenas uma unidade Da Vinci que já beneficiou mais de 350 pacientes.

Cirurgião Marcos Flávio Rocha e o robô Da Vinci

ROBERTA FONTELLES PHILOMENO – O Sr. utiliza a cirurgia robótica aplicada à Urologia?

MARCOS FLÁVIO ROCHA – A plataforma robótica que utilizamos se aplica a diversas áreas, não só à Urologia. Pode ser usada para as cirurgias de intestino, bariátrica, ginecológica, no tórax, cardíaca e nas doenças cabeça e pescoço. Mas, no mundo, são mais utilizada mesmo para tratar o câncer de próstata e renal.

RFP – Por que a uso é maior na Urologia?

MFR – Para tratar o câncer de próstata foi a que primeiro se desenvolveu, pela complexidade e dificuldade de acesso por via da cirúrgica aberta e até pela laparoscopia (cirurgia que utiliza pequenos furos no abdômen para a introdução dos instrumentos e da câmera). Na cirurgia de próstata, além da preocupação de curar o paciente, temos de preservar as estruturas para garantir a continência urinaria e a ereção. Temos de ter muito cuidado com os vasos e nervos que precisam ser preservados.

RFP – Quais as vantagens de uma cirurgia robótica?

MFR – Em relação à cirurgia aberta, a menos sangramentos, os pacientes ficam internamento menos tempo, usam menos analgésicos, sentem menos dor, retornam às atividades mais rapidamente. Além disso, a recuperação da continência urinaria é muito mais rápida e o reestabelecimento da função erétil, nos casos em que os nervos podem ser preservados.

RFP – Como é a formação do médico para operar com a plataforma Da Vinci?

MFR – Um ano de formação. Iniciamos os estudos aqui, em Fortaleza, com a parte teórica. Depois, vamos observar cirurgias em centros de São Paulo, Rio de Janeiro e Estados Unidos. Fazemos exercícios e atividades em simuladores robóticos. Uma parte da certificação nos Estados Unidos. Em centro de treinamento, em Bogotá (Colômbia), vamos participar de cirurgias experimentais. Após, estaremos preparados a fazer as cirurgias iniciais aqui mesmo, em Fortaleza, com a supervisão de um colega que vem todos os meses, dos Estados Unidos.

RFP – E o robô vai substituir o cirurgião?

MFR – É possível que sim, mas não podemos falar em prazo. O que podemos dizer é que a tecnologia robô tem melhorado muito os resultados das cirurgias e vamos ver um aperfeiçoamento e maior procura por esse tipo de cirurgia.