Beleza e Saúde

Fisioterapeuta Jorge Brandão, da sua Clínica FisioVida, fala sobre a felicidade das pessoas da terceira idade

O fisioterapeuta Jorge Brandão (FOTO) vai festejar São Pedro, da sua Clínica FisioVida, próximo dia 27 de junho, ao lado dos seus pacientes com idade entre 95 a 100 anos. Uma faixa etária que só cresce no Brasil e encanta o fisioterapeuta. “O que me impressiona em meus pacientes é a capacidade deles de aceitação e adaptação ao novo”, diz ele, em entrevista para nossa coluna.

Realmente as pessoas estão vivendo mais, no Brasil. Segundo o IBGE, hoje, temos 29 milhões de pessoas acima dos 60 anos e a expectativa é que, até 2060, esse número suba para 73 milhões. A Organização Mundial da Saúde considerado um país envelhecido quando 14% da sua população possui mais de 65 anos.

Por isso, vemos a preocupação com a reforma da previdência, conservação do planeta, explosão das cirurgias plásticas, tratamentos estéticos e o surgimento de produtos que contribuem para uma melhor qualidade de vida. “O nosso propósito é dar ao idoso mais mobilidade, respirar com tranquilidade e não sentir dor”, afirma Jorge Brandão.

ROBERTA FONTELLES PHILOMENO – Em que a Fisioterapia pode contribuir e modificar a vida das pessoas acima dos 80 anos, não só para viver mais, mas viver com qualidade? 

JORGE BRANDÃO – Nosso trabalho modifica o padrão respiratório e postural dos pacientes, de forma simples, dando a eles uma condição de fortalecimento muscular e de mobilidade. Um trabalho delicado e motivacional. Todos os movimentos físicos são acompanhados pelo trabalho mental, seja para contar a quantidade de exercícios, seja com perguntas e com comentários positivos para atualizar os idosos do que está acontecendo no mundo. O que me impressiona é a capacidade deles de aceitação e adaptação ao novo.

 

RFP – Quais os problemas mais comuns nessa fase da vida, dos 80 aos 100 anos? 

JB – Em primeiro lugar são as lesões musculoesqueléticas, as lesões entre os ossos, osteoporose, artroses, osteófitos (os populares bicos de papagaios que comprimem a coluna), os problemas no joelho e o cansaço que dificultam o nosso trabalho. Além da diabetes e da hipertensão e doenças degenerativos, tipo Alzheimer. O nosso propósito é dar ao idoso qualidade de vida, respirar com tranquilidade, ter mais mobilidade e não sentir dor.

 

RFP – Quais os tratamentos e exercícios mais indicados? 

JB – Indico muito o Pilates, um dos melhores, pois oferece funcionalidade. Os exercícios com fisioterapeutas e com preparadores físicos especializados também são muito bons. Mas o importante é o idoso está diariamente em movimento, pela manhã à tarde e à noite. O movimento é o combustível da vida. Ensinamos aos cuidadores e à família como motivar os idosos a si movimentarem.

 

RFP – Os 80 anos são os novos 60? Parece que as pessoas de 60 anos de idade estão com energia dos 40 anos?

JB – É sim!!! Vou contar uma história. Fui atender uma paciente em casa e vi um retrato na parede de uma senhora muito bonita na parede. Os cabelos pareciam aqueles bolos de casamento. Achei lindo e perguntei a minha paciente: “Que senhora linda!” E minha paciente respondeu: “Era minha avó. Ela morreu aos 40 anos”. Ou seja: com 40 anos de idade, as gerações passadas eram consideradas velha. Hoje, aos 60, a juventude está plena, aos 80, eles não aceitam ser chamados de senhor, nem senhora. Então, vamos aos 100 anos de idade!!!

 

RFP – Acima dos 90 anos, rumo aos 100 anos de vida, o que os longevos pensam? Eles têm desejos?

JB – Nessa faixa etária, o que observo em meus pacientes é que eles não pedem, não desejam nada a longo prazo. É tipo assim: “Se Deus me der vida, eu quero ir ao batizado da minha bisneta”. Ou seja: não existe um compromisso muito longo. Como tenho uma quantidade muito grande de pacientes com 100 anos de idade, observei que existe um padrão na relação deles com a comida e com o sono. Os longevos falam que sempre comeram de tudo, a vida toda, mas com equilíbrio, e não sofriam a pressão da vida corrida e estressante que levamos hoje. Sempre dormiram bem e nunca sofreram cobranças. Eles dizem que são de um tempo que apenas viviam o dia a dia.

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