{"id":1005,"date":"2017-07-18T17:23:29","date_gmt":"2017-07-18T20:23:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=1005"},"modified":"2017-07-18T17:23:29","modified_gmt":"2017-07-18T20:23:29","slug":"frantz-cicatrizes-de-uma-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/07\/18\/frantz-cicatrizes-de-uma-guerra\/","title":{"rendered":"&#8220;Frantz&#8221;: cicatrizes de uma guerra"},"content":{"rendered":"<p>Filmar uma guerra \u00e9 mostrar sangue e gl\u00f3ria. Filmar um p\u00f3s-guerra \u00e9 mostrar sofrimento e dor. Em seu 17\u00ba longa, o franc\u00eas Fran\u00e7ois Ozon busca esmiu\u00e7ar o \u00f3dio entre Alemanha e Fran\u00e7a logo ap\u00f3s o armist\u00edcio que seguiu a I Guerra Mundial e a dor, \u00fanico espelho que os aproxima. &#8220;Frantz&#8221;, refilmagem de &#8220;N\u00e3o Matar\u00e1s&#8221; (1932), de Ernst Lubitsch, mas que, em vez de focar na culpa, mostra a transforma\u00e7\u00e3o de um sentimento de \u00f3dio. <\/p>\n<div id=\"attachment_1007\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1007\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/07\/frantz_cinema_\u00e0s_8-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-1007\" \/><p id=\"caption-attachment-1007\" class=\"wp-caption-text\">Adrien e Anna mostram uma qu\u00edmica constru\u00edda lentamente<\/p><\/div>\n<p>No centro desse v\u00f3rtice, uma jovem alem\u00e3 e um soldado franc\u00eas. Ainda em luto ap\u00f3s a perde do noivo, Anna (Paula Beer) segue pr\u00f3xima aos quase sogros. Um dia, em uma visita ao cemit\u00e9rio, ela v\u00ea um franc\u00eas depositando flores junto ao t\u00famulo do amado. Lentamente e com inseguran\u00e7a, Adrien (Pierre Niney) se aproxima de Anna e da fam\u00edlia de Frantz Hoffmeister (Anton von Lucke). L\u00e1, a mem\u00f3ria de um filho idealista ajuda a ninar o luto de pais destro\u00e7ados.<\/p>\n<p>O principal m\u00e9rito de Ozon \u00e9 ressaltar os olhares enviesados que circundam a presen\u00e7a de Adrien na pequena cidade alem\u00e3 de Quedlimburgo. Num primeiro momento, o diretor mostra o sentimento de nacionalismo presente ali, na Alemanha, para dar vaz\u00e3o a uma leitura sobre o nascimento do nazismo. Revoltados com o Tratado de Versalhes, pais enlutados bebem cerveja e cantam o hino alem\u00e3o. J\u00e1 no segundo ato, Ozon responde a isso mostrando uma sequ\u00eancia espelhada em um bar franc\u00eas. <\/p>\n<div id=\"attachment_1008\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1008\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/07\/frantz_cinema_\u00e0s_8_2-624x414.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" class=\"size-large wp-image-1008\" \/><p id=\"caption-attachment-1008\" class=\"wp-caption-text\">A fam\u00edlia de Frantz<\/p><\/div>\n<p>O luto aproxima Adrien de Anna e dos pais de Frantz, Hans (Ernst St\u00f6tzner) e Magda (Marie Gruber). Ozon muda o foco de Lubitsch, que era no personagem masculino, e adiciona novas camadas com a protagonista feminina. Para al\u00e9m disso, ele constr\u00f3i Adrien como uma figura muito mais misteriosa. De cara, \u00e9 poss\u00edvel se ler um segredo oculto na fisionomia fr\u00e1gil do musicista e ex-soldado. Mais que isso, Ozon guia o olhar para outras respostas. Chega a indicar a possibilidade de um romance passado entre Adrien e Frantz, ou mesmo um confronto durante a guerra. Ao conseguir segurar o suspense, o diretor constr\u00f3i um primeiro ato fenomenal.<\/p>\n<p>H\u00e1, c\u00e1 e l\u00e1, certos manique\u00edsmos insistentes e que destoam da consistente constru\u00e7\u00e3o da trama. O principal deles \u00e9 Kreutz (Johann von B\u00fclow), que funciona como antagonista em parte da trama e acaba surgindo de forma excessivamente conveniente. De certa forma, isso destaca a falta de sutileza de Fran\u00e7ois Ozon em alguns momentos. Outro exemplo bem not\u00e1vel \u00e9 o esquema de cores da dire\u00e7\u00e3o de fotografia. Quase todo em preto-e-branco, o filme se ilumina em cores pela primeira vez em um flashback da amizade de Adrien e Frantz, algo que traz uma beleza e eu vigor \u00e0 cena. S\u00f3 que, em sequ\u00eancia, o recurso \u00e9 reutilizado a cada momento de felicidade vivido entre Anna e Adrien. Parece uma legendagem, bem dispens\u00e1vel.<\/p>\n<div id=\"attachment_1006\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1006\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/07\/frantz_cinema_\u00e0s_8_3-624x468.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"413\" class=\"size-large wp-image-1006\" \/><p id=\"caption-attachment-1006\" class=\"wp-caption-text\">O filme \u00e9 uma refilmagem de &#8220;N\u00e3o Matar\u00e1s&#8221; (1932), de Ernst Lubitsch<\/p><\/div>\n<p>Para al\u00e9m disso, &#8220;Frantz&#8221; mant\u00e9m um ritmo extremamente eficiente at\u00e9 o fim do segundo ato. J\u00e1 a perna final da obra promove uma queda brusca justamente por o filme perder o centro principal da trama. E aqui, aviso que h\u00e1 um spoiler <del datetime=\"2017-07-18T19:00:35+00:00\">do (\u00f3bvio) plot twist do fim do primeiro ato. O que une Anna e Adrien \u00e9 a mentira. \u00c9 o ato de renunciar a verdade para proteger algu\u00e9m &#8211; seja aos pais de Frantz ou a si mesmo. <\/del>Uma conclus\u00e3o que fuja deste tema acaba apequenando uma obra cheia de grandeza.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8.<\/p>\n<p>Ficha T\u00e9cnica<br \/>\nFrantz<\/strong> (FRA\/ALE, 2016), de Fran\u00e7ois Ozon. Drama\/Guerra. 113 minutos. Com Paula Beer e Pierre Niney.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filmar uma guerra \u00e9 mostrar sangue e gl\u00f3ria. Filmar um p\u00f3s-guerra \u00e9 mostrar sofrimento e dor. 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