{"id":101,"date":"2016-09-15T20:00:20","date_gmt":"2016-09-15T23:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=101"},"modified":"2016-09-15T20:00:20","modified_gmt":"2016-09-15T23:00:20","slug":"o-homem-nas-trevas-de-fede-alvarez-constroi-relacao-conflituosa-com-espectador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/09\/15\/o-homem-nas-trevas-de-fede-alvarez-constroi-relacao-conflituosa-com-espectador\/","title":{"rendered":"O Homem nas Trevas, de Fede Alvarez, constr\u00f3i rela\u00e7\u00e3o conflituosa com espectador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-104\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/09\/O-Homem-Nas-Trevas-Cinema-Rep\u00f3rter-Entre-Linhas-624x351.jpg\" alt=\"o-homem-nas-trevas-cinema-reporter-entre-linhas\" width=\"550\" height=\"309\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Rubens Rodrigues<\/strong><br \/>\n<strong>rubensrodrigues@opovo.com.br<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tr\u00eas anos depois de mostrar o dom\u00ednio que tem sobre o terror, a exemplo do remake de A Morte do Dem\u00f4nio (2013), o cineasta uruguaio Fede Alvarez d\u00e1 mais um passo para se estabelecer no g\u00eanero. Em O Homem nas Trevas (Don&#8217;t Breath, 2016), segurar o f\u00f4lego \u00e9 palavra de ordem. Apostando na empatia para o jogo moral que prop\u00f5e, Alvarez cria uma atmosfera claustrof\u00f3bica que s\u00f3 os bons t\u00edtulos do estilo conseguem manter sem perder o tom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o desejo de deixar uma Detroit arruinada para tr\u00e1s como ponto de partida, o roteiro escrito a quatro m\u00e3os com Rodo Sayagues, com quem Fede trabalha desde o curta-metragem Ataque de P\u00e1nico (2009), desafia um trio de criminosos n\u00e3o muito sofisticados a invadir a casa de um veterano de guerra cego. A premissa \u00e9 b\u00e1sica e, a julgar pelos nomes escolhidos, o diretor poderia ter ca\u00eddo no lugar-comum, mas disso ele passa longe. A come\u00e7ar por Jane Levy, que se encontrou no g\u00eanero ap\u00f3s algumas temporadas fazendo com\u00e9dia na TV aberta norte-americana. Com larga experi\u00eancia, quem se sobressai \u00e9 Stephen Lang. De pouqu\u00edssimos di\u00e1logos, o veterano traduz todo o sentido do filme em um trabalho c\u00eanico excepcional. Os jovens Dylan Minnete e Daniel Zovatto completam o elenco principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A m\u00e3o firme do diretor conduz a experi\u00eancia de quase 90 min de maneira exemplar. A panor\u00e2mica que abre o filme \u00e9 uma das cenas mais assustadoras, mostrando a capacidade destrutiva do Homem Cego j\u00e1 no primeiro plano. E abrir m\u00e3o disso em um eventual ponto de virada do filme &#8211; n\u00e3o que seja algo novo &#8211; \u00e9 escolha acertada para criar o ambiente de tens\u00e3o crescente. Mas nem s\u00f3 dos macetes do g\u00eanero \u00e9 feito Don&#8217;t Breath. Alvarez entende que, para al\u00e9m do talento de contar hist\u00f3rias, o apelo imag\u00e9tico \u00e9 essencial nesse processo, seja pela fotografia de Pedro Luque ou pelo design de produ\u00e7\u00e3o de Naaman Marshall. Os planos fechados e \u00e1geis movimentos de c\u00e2mera, fora a t\u00e3o bem executada mise-en-sc\u00e8ne, tamb\u00e9m ajudam a formatar esse retrato de maneira forte e realista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fio condutor do recorte, o debate moral n\u00e3o escapa no texto atento \u00e0s circunst\u00e2ncias. Aqui a dualidade do trio de criminosos, bem como a rela\u00e7\u00e3o entre luz e escurid\u00e3o recorrente, \u00e9 posta \u00e0 prova desde o come\u00e7o ao expor os limites e motiva\u00e7\u00f5es de cada um para a pr\u00e1tica. Isso fica mais evidente dado o momento em que o personagem de Lang lan\u00e7a luz sobre seu passado. A constru\u00e7\u00e3o do Homem Cego, ali\u00e1s, \u00e9 de uma delicadeza admir\u00e1vel, contrastando com viol\u00eancia em tela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para os bons exemplares do g\u00eanero lan\u00e7ados nos \u00faltimos anos, como Invoca\u00e7\u00e3o do Mal (2013) e A Bruxa (2015), O Homem nas Trevas n\u00e3o deve nada. Fluido, despretensioso e com grandes momentos, como a brilhante ca\u00e7ada no escuro, longa traz um vil\u00e3o com camadas capaz de ressignificar o pr\u00f3prio desenho narrativo e, mais importante, uma experi\u00eancia conflituosa na constru\u00e7\u00e3o de la\u00e7os com o espectador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Ficha t\u00e9cnica:\u00a0<\/strong>O Homem nas Trevas (Don\u2019t Breath, 2016, USA). Terror, Suspense. 88 minutos. 14 anos. De Fede Alvarez. Com Stephen Lang, Jane Levy, Dylan Minnete e Daniel Zovatto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Filme em cartaz em Fortaleza no Cin\u00e9polis Rio Mar, Centerplex Grand Shopping Messejana, Arcoplex Aldeota, North Shopping Joquei, UCI Kinoplex Iguatemi, UCI Kinoplex Parangaba, North Shopping Maracana\u00fa, North Shopping, Cine Benfica e Centerplex \u2013 Via Sul.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubens Rodrigues rubensrodrigues@opovo.com.br Tr\u00eas anos depois de mostrar o dom\u00ednio que tem sobre o terror, a exemplo do remake de A Morte do Dem\u00f4nio (2013),&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":115,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[177,198,244,540,699,725],"class_list":["post-101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica","tag-cinema","tag-critica","tag-dont-breath","tag-o-homem-nas-trevas","tag-terror","tag-thriller"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/115"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}