{"id":114,"date":"2016-09-21T20:00:41","date_gmt":"2016-09-21T23:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=114"},"modified":"2016-09-21T20:00:41","modified_gmt":"2016-09-21T23:00:41","slug":"desculpe-o-transtorno-aquele-riso-meio-torto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/09\/21\/desculpe-o-transtorno-aquele-riso-meio-torto\/","title":{"rendered":"Desculpe o Transtorno: Aquele riso meio torto"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-116\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/09\/desculpe1-300x200.jpg\" alt=\"desculpe1\" width=\"599\" height=\"399\" \/><\/p>\n<p>\u201cDesculpe o Transtorno\u201d n\u00e3o aposta em nada de novo. Rapaz branco de classe m\u00e9dia-alta, insatisfeito com a vida sem nem notar, se v\u00ea em uma situa\u00e7\u00e3o-limite que desencadeia um transtorno dissociativo de identidade \u2013 comumente conhecida como \u201cm\u00faltipla personalidade\u201d. O diferencial da obra de Tomas Portella (\u201cQualquer Gato Vira-Lata\u201d) \u00e9 que, para al\u00e9m do personagem principal, a obra mira em toda uma gama de coadjuvantes com vidas pouco amadurecidas. Isso e os clich\u00eas na \u201cguerra\u201d entre paulistanos e cariocas.<\/p>\n<p>Eduardo (Greg\u00f3rio Duvivier) era uma crian\u00e7a perfeitamente feliz que se dilacerou ao ter de escolher entre a vida no Rio de Janeiro junto \u00e0 m\u00e3e e em S\u00e3o Paulo com o pai (Marcos Caruso). Passados alguns anos de uma monoc\u00f3rdia vida de trabalhador paulistano, ele \u00e9 atingido pela not\u00edcia da morte da m\u00e3e e viaja de volta \u00e0 sua cidade natal. L\u00e1, mais uma vez pressionado por uma escolha, ele \u00e9 acuado por Duda, seu \u201ceu\u201d carioca.<\/p>\n<p>Com um elenco de apoio afiado, principalmente no charme desajeitado de Barbara (Clarice Falc\u00e3o) e no humor sem gra\u00e7a de Charles (Daniel Duncan), o filme contrap\u00f5e os clich\u00eas entre o \u201cmalandro carioca\u201d e o \u201cs\u00e9rio paulistano\u201d. Aquela disputa secular que ningu\u00e9m fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo se importa. Existe coisa mais chata do que vizinhos discutindo as peculiaridades um do outro? Eu sinceramente n\u00e3o podia me importar menos sobre quem p\u00f5e ketchup na pizza ou quem n\u00e3o p\u00f5e.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-115\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/09\/desculpe-300x157.jpg\" alt=\"Clarice Falc\u00e3o salva boa parte do filme\" width=\"602\" height=\"315\" \/><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o mon\u00f3tona de Duvivier n\u00e3o ajuda muito no desenvolvimento do roteiro. Focado mais nas inflex\u00f5es de sotaque do que em diferencia\u00e7\u00e3o dos maneirismos, o ator faz com que Eduardo (o paulistano) e Duca (o carioca) sejam igualmente mon\u00f3tonos. A diferen\u00e7a \u00e9 nos interesses rom\u00e2nticos dos dois. Viviane (Dani Calabresa) \u00e9 um po\u00e7o de clich\u00eas machistas sobre mulheres \u201cgrudentas\u201d. Barbara \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de caracter\u00edsticas que homens dizem querer em seu par. Acaba que a escolha de Eduardo\/Duca fica \u00f3bvia dentro do manique\u00edsmo do roteiro.<\/p>\n<p>Paralelamente, o filme tem investimentos interessantes. A dire\u00e7\u00e3o de fotografia, bem mais robusta do que o costume de com\u00e9dias, contrap\u00f5e bem as linhas retas de S\u00e3o Paulo e curvas dos morros do Rio. A trilha musical, com um tema central como v\u00e9rtice, consegue se reinventar guiando o olhar do espectador \u2013 salvo alguns excessos dram\u00e1ticos, que funcionam quase que como legenda. O elenco de apoio traz ainda alguns dos melhores momentos do filme, como a participa\u00e7\u00e3o de Marcos Veras como um sujeito com 19 personalidades. Se o timing \u00e9 bom, o clich\u00ea funciona.<\/p>\n<p>O centro da trama, inclusive, \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o entre os 25 e 35 anos e que insiste em n\u00e3o crescer. De um lado, os pais que constru\u00edram sua vida do trabalho. Do outro, sucessores muito mais bem resolvidos. No meio, gente como Eduardo e\u00a0Barbara, que passam dos 30 sem saber no que s\u00e3o bons. \u00c9 um \u00e1pice dram\u00e1tico forte e bem pontuado que, infelizmente, passa meio batido por entre tentativas for\u00e7adas de fazer rir.<\/p>\n<p>Afinal, no fundo, \u201cDesculpe o Transtorno\u201d \u00e9 uma obra veloz, que deixa poucas marcas ou sequelas. O humor, tanto quanto repetitivo, \u00e9 combatido pelo carisma de alguns personagens. Como n\u00e3o amar uma personagem que permite se apaixonar pelo sujeito que tentara roubar sua bicicleta? Mas o charme, numa com\u00e9dia, carece ainda de um riso mais aberto do que o de constrangimento.<\/p>\n<p>andrebloc@opovo.com.br<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 4\/8<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\n<strong>Desculpe o Transtorno<\/strong> (BRA, 2016). Com\u00e9dia Rom\u00e2ntica. 97 minutos. 12 anos. De Tomas Portella. Com Greg\u00f3rio Duvivier, Clarice Falc\u00e3o e Dani Calabresa.<\/p>\n<p>Filme em cartaz em Fortaleza no UCI Kinoplex Iguatemi, UCI Shopping Parangaba, Cin\u00e9polis RioMar, Del Paseo, Cine Benfica, Centerplex Via Sul, Kinoplex North Shopping.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com carisma de mais e risos de menos, a com\u00e9dia rom\u00e2ntica \u201cDesculpe o Transtorno\u201d se apropria de clich\u00eas para discutir a falta de rumo de toda uma gera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-114","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}