{"id":1158,"date":"2017-10-04T17:52:05","date_gmt":"2017-10-04T20:52:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=1158"},"modified":"2017-10-04T17:52:05","modified_gmt":"2017-10-04T20:52:05","slug":"blade-runner-2049-sonhos-com-ovelhas-eletricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/10\/04\/blade-runner-2049-sonhos-com-ovelhas-eletricas\/","title":{"rendered":"&#8220;Blade Runner 2049&#8221;: sonhos com ovelhas el\u00e9tricas"},"content":{"rendered":"<p>Quanto mais se assiste &#8220;Blade Runner&#8221; (1982), de Ridley Scott, mais camadas a gente descobre. Ali, h\u00e1 um dilema primordial sobre a finitude, tanto a de homens quanto a de androides. H\u00e1 um futuro meio cyberpunk de visual espetacular e, ao mesmo tempo, ca\u00f3tico. H\u00e1 uma jornada de um her\u00f3i relutante que se mistura com um vil\u00e3o vision\u00e1rio. E, revendo o filme recentemente e lendo um \u00f3timo texto de um colega (<a href=\"https:\/\/www.opovo.com.br\/jornal\/vidaearte\/2017\/10\/blade-runner-e-a-melancolia.html\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Blade Runner e a melancolia<\/a>), descobri que h\u00e1, acima de tudo, uma hist\u00f3ria de amor. Desse fio proposto por Scott em 1982, desalinha-se &#8220;Blade Runner 2049&#8221;, de Denis Villeneuve, uma sequ\u00eancia respeitosa e que consegue ampliar o j\u00e1 rico universo do cl\u00e1ssico cult.<\/p>\n<div id=\"attachment_1164\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1164\" class=\"size-large wp-image-1164\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/10\/cinema-\u00e0s-8-blade-runner-2049-624x261.png\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"230\" \/><p id=\"caption-attachment-1164\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Blade Runner&#8221; mostra uma sociedade decadente, mas grandiosa<\/p><\/div>\n<p>Em tempos de discuss\u00e3o sobre as alegorias b\u00edblicas de &#8220;m\u00e3e!&#8221;, controverso novo filme de Darren Aronofsky, Villeneuve revisita o mito da cria\u00e7\u00e3o de forma bem mais pac\u00edfica. No centro da trama, o &#8220;androide-ca\u00e7ador-de-androides&#8221; K (Ryan Gosling). Na busca por um replicante fugitivo (Dave Bautista), o detetive descobre que seu advers\u00e1rio resolveu fugir ap\u00f3s presenciar um suposto milagre. Paralelamente, conhecemos a androide femme-fatale Luv (Sylvia Hoeks) e o novo fabricante de replicantes, o maquiav\u00e9lico sr. Wallace (Jared Leto), que sonha em uma sociedade com milh\u00f5es de androides escravizados pela humanidade. O segredo para isso? O milagre que K tenta desvendar.<\/p>\n<p>O principal m\u00e9rito deste novo &#8220;Blade Runner&#8221; \u00e9 o respeito com as obras originais, tanto o filme de Ridley Scott, quanto o livro &#8220;Androides Sonham com Ovelhas El\u00e9tricas&#8221;, de Philip K. Dick. Trazendo uma protagonista mais sint\u00e9tica, refer\u00eancias constantes aos implantes de mem\u00f3ria e uma s\u00e9rie de detalhes sobre animais reais e eletr\u00f4nicos, Villeneuve faz jus ao romance. Ao estreitar ainda mais o limite entre o que \u00e9 humano e o que \u00e9 m\u00e1quina, o realizador estende o escopo das obras. Soma-se a isso uma atmosfera neo-noir, com toques de refer\u00eancias japonesas e temos um equil\u00edbrio entre o lido e o visto. E, al\u00e9m de tudo, &#8220;Blade Runner 2049&#8221; \u00e9 novo.<\/p>\n<div id=\"attachment_1163\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1163\" class=\"size-large wp-image-1163\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/10\/cinema-\u00e0s-8-blade-runner-2049-2-624x250.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"220\" \/><p id=\"caption-attachment-1163\" class=\"wp-caption-text\">Joi (Ana de Armas) e K (Ryan Gosling): um casal rom\u00e2ntico fora do padr\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Do elenco original, s\u00f3 temos Rick Deckard (Harrison Ford) e Gaff (Edward James Olmos), em um papel min\u00fasculo. Por mais que o tempo de tela seja limitado, o protagonista do filme original \u00e9, em v\u00e1rios sentidos, o dono do filme. Existe ali uma curva dram\u00e1tica bem mais acentuada do que sua hist\u00f3ria de amor com Rachael (Sean Young) e a din\u00e2mica com o rob\u00f3tico K s\u00f3 amplia os dilemas sobre se Deckard \u00e9 humano ou replicante. Em um pequeno pacote, o veterano ator consegue concentrar um drama de quase 30 anos do solit\u00e1rio personagem, que vive sozinho desde o fim do &#8220;prazo de validade&#8221; de sua amante fembot. Ford encabe\u00e7a uma lista de atua\u00e7\u00f5es carregadas de nuances, junto aos coadjuvantes Dave Bautista, Sylvia Hoeks e Carla Juri, al\u00e9m da efici\u00eancia de Ana de Armas, Robin Wright e at\u00e9 Jared Leto.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do visual fant\u00e1stico recriado pelo design de produ\u00e7\u00e3o de Dennis Gassner, que mostra a beleza do sujo e da desola\u00e7\u00e3o, &#8220;Blade Runner 2049&#8221; \u00e9 especialmente bonito por tratar o amor como semente da humanidade. Villeneuve contrap\u00f5e a frieza do sr. Wallace, um humano com modifica\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas, com a obstina\u00e7\u00e3o de K. Enquanto o antagonista cria e descarta, o androide oferece maior liberdade \u00e0 sua esposa-holograma, Joi (Ana de Armas). Assim como em 1982, este n\u00e3o \u00e9 um filme de virtuosismo na a\u00e7\u00e3o, por mais que a robustez dos efeitos visuais de hoje permitam ir muito mais. O foco \u00e9 mais filos\u00f3fico, naquele dilema primordial sobre o que nos faz humanos.<\/p>\n<div id=\"attachment_1162\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1162\" class=\"size-large wp-image-1162\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/10\/cinema-\u00e0s-8-blade-runner-2049-3-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-1162\" class=\"wp-caption-text\">De volta como Rick Deckard, Harrison Ford tem a melhor atua\u00e7\u00e3o da carreira<\/p><\/div>\n<p>E, de forma gradual e lenta (s\u00e3o 163 minutos de filme!), K vai preenchendo todas as caixas de resposta sobre o que \u00e9 ser humano. Ele ama? Ama. Ele lembra? Lembra. Ele sofre? Sofre. Ele sonha, deseja? Sim, tanto com ovelhas reais quanto com ovelhas el\u00e9tricas. Ele \u00e9 capaz de se sacrificar por um bem maior? Bom, essa resposta n\u00e3o vou ser eu a dar. Tal qual Ridley Scott, Denis Villeneuve aposta em replicantes demasiado humanos e em homens de-humanizados. E para isso, aposta em alegorias b\u00edblicas, em di\u00e1logos clich\u00ea e em v\u00e1rios mecanismos que tornam &#8220;Blade Runner 2049&#8221; bem mais acess\u00edvel que &#8220;Blade Runner&#8221;. A proposta se estende, mas um pouco da for\u00e7a da mensagem se dilui ligeiramente. H\u00e1, no entanto, um universo muito mais expandido e um roteiro que consegue reservar alguns surpresas, ainda que pautado na repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil impor uma perspectiva hist\u00f3rica para a sequ\u00eancia de um fracasso-transformado-em-cl\u00e1ssico. O que digo hoje \u00e9 que &#8220;Blade Runner 2049&#8221; \u00e9 mais um desdobramento natural do que uma evolu\u00e7\u00e3o ou um pastiche. \u00c9 uma obra que se sustenta por si s\u00f3, tamb\u00e9m oxigenando o antecessor, enquanto cresce ao se alimentar do longa de 1982.<\/p>\n<p>andrebloc@opovo.com.br<\/p>\n<p>O filme entra em cartaz nos cinemas na quinta-feira, dia 5 de outubro.<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 7\/8<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nBlade Runner 2049<\/strong> (EUA\/ING\/CAN, 2017), de Denis Villeneuve. Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica. 163 minutos. Com Ryan Gosling, Ana de Armas e Harrison Ford.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto mais se assiste &#8220;Blade Runner&#8221; (1982), de Ridley Scott, mais camadas a gente descobre. Ali, h\u00e1 um dilema primordial sobre a finitude, tanto a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,14],"tags":[33,35,36,138,139,198,224,325,337,621,642,649,654,655],"class_list":["post-1158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica","category-melhores-de-2017","tag-33","tag-35","tag-36","tag-blade-runner","tag-blade-runner-2049","tag-critica","tag-denis-villeneuve","tag-good-movie","tag-harrison-ford","tag-review","tag-ryan-gosling","tag-sci-fi","tag-sequel","tag-sequencia"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1158"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1158\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}