{"id":117,"date":"2016-09-20T08:00:29","date_gmt":"2016-09-20T11:00:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=117"},"modified":"2016-09-20T08:00:29","modified_gmt":"2016-09-20T11:00:29","slug":"cafe-society-emaranhado-de-cliches","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/09\/20\/cafe-society-emaranhado-de-cliches\/","title":{"rendered":"Caf\u00e9 Society: Emaranhado de clich\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-118\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/09\/15CAFESOCIETY-facebookJumbo-v4-300x157.jpg\" alt=\"15cafesociety-facebookjumbo-v4\" width=\"300\" height=\"157\" \/><\/p>\n<p>Woody Allen tem, talvez, a carreira mais longa e prol\u00edfica do cinema americano.\u00a0Ent\u00e3o, \u00e9 at\u00e9 natural que ele se repita ocasionalmente ap\u00f3s 40 longas. &#8220;Caf\u00e9 Society&#8221; \u00e9 outra de tantas obras em que o cineasta tergiversa sobre jovens judeus meio neur\u00f3ticos e pessoas com paix\u00f5es duplas. S\u00f3 que, na falta de inspira\u00e7\u00e3o, a revisita a tramas j\u00e1 conhecidas soa como autopl\u00e1gio.<\/p>\n<p>Existe um charme visual imenso na Hollywood dos anos 1930 pintada por Allen.\u00a0Os personagens, leves, divertidos, bem dirigidos, s\u00f3 fazem a cidade crescer. Mas acaba a\u00ed. A nova com\u00e9dia do mestre do humor \u00e9 recicl\u00e1vel, esquec\u00edvel. Nela, ele apresenta um judeu de fam\u00edlia entre o clich\u00ea e o hil\u00e1rio \u2013 daquelas que serviriam para drama n\u00e3o fosse o timing humor\u00edstico do diretor. Nela, h\u00e1 um protagonista com um charme estranho de menino judeu mais honesto do que o bom senso pede. Nela, h\u00e1 mulheres fortes, tridimensionais e cheias de caprichos. Em suma, n\u00e3o h\u00e1 nada de novo.<\/p>\n<p>Em 1977, Woody Allen criou aquela que julgo minha com\u00e9dia favorita. &#8220;Noivo Neur\u00f3tico, Noiva Nervosa&#8221; (&#8220;Annie Hall&#8221;, no original) \u00e0 parte a tradu\u00e7\u00e3o horr\u00edvel do nome, era din\u00e2mica, original, sagaz e absolutamente hil\u00e1ria. E a base do garoto judeu cheio de neuras apaixonado por uma mulher forte, inteligente e, francamente, bem melhor do que ele j\u00e1 perfeitamente retratada l\u00e1, 39 anos antes. Mas n\u00e3o para a\u00ed. &#8220;Caf\u00e9 Society&#8221; disserta abertamente sobre apaixonar-se por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Soa &#8220;Manhattan&#8221; (1979) demais para o meu gosto, citando outra obra-prima de Allen. Ainda mais se adicionada a informa\u00e7\u00e3o de haverem amores com grande diferen\u00e7a de idade em ambas as obras.<\/p>\n<p>Resumidamente, &#8220;Caf\u00e9 Society&#8221; \u00e9 esse conjunto de ideias recicladas. Bobby (Jesse Eisenberg), um \u201cjovem e ambicioso nova-iorquino\u201d (para ressaltarmos o clich\u00ea), resolve se mudar para Los Angeles e se arriscar na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. L\u00e1, ele \u00e9 ciceroneado por seu tio, Phil Stern (Steve Carell), poderoso magnata de Hollywood, e conhece a encantadora secret\u00e1ria dele, Vonnie (Kristen Stewart).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-119\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/09\/cafe-society-fotos-5-300x211.jpeg\" alt=\"cafe-society-fotos-5\" width=\"300\" height=\"211\" \/><\/p>\n<p>Perdoem o spoiler, mas <del datetime=\"2016-09-19T01:17:30+00:00\">\u00e9 \u00f3bvio que Bobby se apaixona por Vonnie, bem como \u00e9 \u00f3bvio que ela tem um caso com Phil. E esse tri\u00e2ngulo amoroso ganha outras arestas pouco relevantes.<\/del><\/p>\n<p>Jesse Eisenberg, sempre eficiente, encarna o seu Woody Allen interior \u2013 algo que Owen Wilson fez em &#8220;Meia-Noite em Paris&#8221; (2011) ou John Cusack em &#8220;Tiros na Broadway&#8221; (1994). Sabe, aquele personagem cheio de manias, judeu, engra\u00e7ado, inteligente, meio mis\u00f3gino, mas charmoso. A \u00f3tima Kristen Stewart, por sua vez, parece desconfort\u00e1vel como musa \u2013 algo que encaixa bem na personagem. Steve Carell, por outro lado, deixa Phil ainda mais falso e canastr\u00e3o, o que \u00e9 outra decis\u00e3o que funciona. O restante do elenco apenas orbita em volta do trio, aparecendo e desaparecendo convenientemente de acordo com a necessidade da trama.<\/p>\n<p>Vez ou outra, existe um vislumbre de genialidade, como quando Bobby, cliente de primeira viagem, se v\u00ea diante de Candy (Anna Camp), prostituta debutante. O todo, por\u00e9m, nunca consegue se segurar com unidade. \u00c9, em suma, uma obra pouco inspirada como v\u00e1rias de Woody Allen. Desde 2006 s\u00e3o 11 filmes e s\u00f3 &#8220;Vicky Cristina Barcelona&#8221; (2008) e &#8220;Blue Jasmine&#8221; (2013) s\u00e3o memor\u00e1veis. J\u00e1 Caf\u00e9 Society fica como uma obra menor, algo a que s\u00f3 Woody Allen poderia se permitir.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 4\/8<\/strong><\/p>\n<p><strong>Originalmente publicada no Caderno Vida&amp;Arte, do jornal O POVO.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9 Society<\/strong>\u00a0(2016, EUA). Com\u00e9dia\/Drama. 96\u00a0minutos. 12 anos. De Woody Allen. Com\u00a0Jesse Eisenberg, Kristen Stewart e Steve Carell.<\/p>\n<p><strong>Filme em cartaz em Fortaleza no Cinema do Drag\u00e3o \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Woody Allen tem, talvez, a carreira mais longa e prol\u00edfica do cinema americano.\u00a0Ent\u00e3o, \u00e9 at\u00e9 natural que ele se repita ocasionalmente ap\u00f3s 40 longas. &#8220;Caf\u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-117","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}