{"id":1189,"date":"2017-11-15T06:00:58","date_gmt":"2017-11-15T09:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=1189"},"modified":"2017-11-15T06:00:58","modified_gmt":"2017-11-15T09:00:58","slug":"liga-da-justica-engatinhar-antes-de-correr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/11\/15\/liga-da-justica-engatinhar-antes-de-correr\/","title":{"rendered":"&#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221;: engatinhar antes de correr"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221; \u00e9 uma prova de que a DC Comics\/Warner l\u00ea cr\u00edticas. H\u00e1 anos construindo um universo cinematogr\u00e1fico estendido de forma apressada e sem profundidade, o est\u00fadio se acostumou a resultados mornos desde o ca\u00f3tico &#8220;O Homem de A\u00e7o&#8221; (2013), de Zack Snyder, que iniciou o processo. A maior aposta, &#8220;Batman vs. Superman &#8211; A Origem da Justi\u00e7a&#8221; (2016) muito ousou e pouco acertou. J\u00e1 &#8220;Esquadr\u00e3o Suicida&#8221; (2016) prova que qualquer obra baseada em quadrinhos Marvel ou DC pode ser um sucesso comercial: chamar o filme de terr\u00edvel \u00e9 um eufemismo. &#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221;, por outro lado, \u00e9 mais &#8220;Mulher-Maravilha&#8221; (2017) e menos &#8220;Batman vs.Superman&#8221;. \u00c9 tradicional, narrativamente bem desenvolvido, sem arroubos de genialidade, mas sem ofender a intelig\u00eancia de quem v\u00ea. \u00c9, em suma, um filme de super-her\u00f3i satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Claro que falamos de um mercado cada vez mais supersaturado. O que diferencia &#8220;Homem-Aranha: De Volta ao Lar&#8221; (Sony\/Marvel), &#8220;Thor: Ragnarok&#8221; (Marvel) e &#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221; (DC\/Warner)? Todos de 2017, todos recheados de humor e a\u00e7\u00e3o, todos preocupados em construir a profundidade do protagonista, todos com vil\u00f5es meio unidimensionais (o Abutre, do Homem-Aranha, at\u00e9 se sobressai). O que faz de um filme bom ou ruim \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o de quem v\u00ea. S\u00e3o filmes manufaturados para n\u00e3o ofender. E s\u00e3o todos bastante eficientes nisso.<\/p>\n<div id=\"attachment_1191\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1191\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/11\/liga1-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-1191\" \/><p id=\"caption-attachment-1191\" class=\"wp-caption-text\">Arthur Curry\/Aquaman (Jason Momoa), Diana Prince\/Mulher-Maravilha (Gal Gadot) e Victor Stone\/Ciborgue (Ray Fisher)<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 nesse contexto que &#8220;Batman vs. Superman&#8221; ganha at\u00e9 for\u00e7a na mem\u00f3ria. Apesar de ser constru\u00eddo de forma descuidada, de ser recheado de di\u00e1logos expositivos, de n\u00e3o trabalhar as motiva\u00e7\u00f5es de qualquer personagem, o filme de Zack Snyder tentava criar algo de novo, em vez de apostar na &#8220;f\u00f3rmula Marvel&#8221;, efetiva desde 2008 (ano de lan\u00e7amento de &#8220;Homem de Ferro&#8221;) no est\u00fadio concorrente. A atmosfera soturna pode ser excessiva, mas h\u00e1 ali um dilema sobre o poder de um deus na Terra que podia ser bem desenrolado. E esse mesmo deus \u00e9 morto ao final &#8211; uma virada de trama forte, ainda que bem \u00f3bvia para quem acompanhou quadrinhos. <\/p>\n<p>Pois bem, nesse novo caminho pastiche da Marvel, a DC\/Warner constr\u00f3i em &#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221; uma obra at\u00e9 menos memor\u00e1vel que &#8220;Batman vs. Superman&#8221;. Mas um filme bem melhor. O roteiro, de Chris Terrio e Zack Snyder, com um tapa geral de Joss Whedon, consegue expor de forma clara, at\u00e9 did\u00e1tica os dilemas dos cinco membros originais da vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica do supergrupo. Batman (Ben Affleck) e a dificuldade\/necessidade de lidar com os outros; Mulher-Maravilha (Gal Gadot) e a culpa de algu\u00e9m que se fechou para o mundo ap\u00f3s sofrer uma perda, Flash (Ezra Miller), preso por uma situa\u00e7\u00e3o sem corre\u00e7\u00e3o e que acaba retardando o amadurecer; Aquaman (Jason Momoa), o filho pr\u00f3digo de Atlantis; e Ciborgue (Ray Fisher), que n\u00e3o sabe o limite das pr\u00f3prias tecnologia e humanidade. \u00c9 um elenco de personagens ricos. <\/p>\n<div id=\"attachment_1192\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1192\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/11\/liga2-624x288.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"254\" class=\"size-large wp-image-1192\" \/><p id=\"caption-attachment-1192\" class=\"wp-caption-text\">Barry Allen\/Flash (Ezra Miller), Bruce Wayne\/Batman (Ben Affleck) e Diana Prince<\/p><\/div>\n<p>A trama n\u00e3o tem l\u00e1 nenhum segredo. Ap\u00f3s a morte do Superman, a Terra est\u00e1 mais vulner\u00e1vel ao terror. A amea\u00e7a global da vez \u00e9 o Lobo da Estepe (Ciar\u00e1n Hinds), que quer reunir tr\u00eas artefatos chamados de &#8220;Caixas Maternas&#8221; para liberar um poder destrutivo, evitado h\u00e1 mil\u00eanios em uma guerra que envolveu amazonas, atlantes, homens e deuses. Relutantemente, Mulher-Maravilha, Batman, Flash, Aquaman e Ciborgue decidem atuar juntos. Mas talvez os cinco superseres n\u00e3o sejam suficientes.<\/p>\n<p>Criticada pelo excesso de seriedade, a DC\/Warner dessa vez se vaticinou com o humor, no melhor estilo bobo da Marvel. Exagerada como sempre, ela aposta em mais de um &#8220;al\u00edvio c\u00f4mico&#8221;. Flash \u00e9 meio que o f\u00e3 de quadrinhos que entra na Liga da Justi\u00e7a, assim como o Homem-Aranha de &#8220;Capit\u00e3o Am\u00e9rica: Guerra Civil&#8221;. \u00c9 piada a cada esquina &#8211; o que funciona, j\u00e1 que Ezra Miller \u00e9, facilmente, o mais vers\u00e1til do elenco. Quem sobra mais \u00e9 o Batman de Ben Affleck, que tenta rebolar na com\u00e9dia, mas n\u00e3o tem l\u00e1 muito jogo de cintura. O personagem, ali\u00e1s, destoa da trama infantil, acess\u00edvel de &#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221;. Tem muito Cavaleiro das Trevas e pouco Batman psicod\u00e9lico dos anos 1960 (aquele, do Adam West). A contraparte do homem-morcego, por outro lado, \u00e9 um gol de placa.<\/p>\n<div id=\"attachment_1193\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1193\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/11\/liga3-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-1193\" \/><p id=\"caption-attachment-1193\" class=\"wp-caption-text\">Henry Cavill tem um #lindorosto, apesar de ser um ator t\u00e3o limitado<\/p><\/div>\n<p>Em &#8220;O Homem de A\u00e7o&#8221;, Clark Kent\/Superman (Henry Cavill) n\u00e3o via problema em destruir uma cidade para salv\u00e1-la ou quebrar o pesco\u00e7o de um vil\u00e3o. Em &#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221;, o mesmo personagem \u00e9 capaz de interromper uma essencial luta contra um vil\u00e3o para salvar uma dezenas de pessoas. Como bem define Bruce Wayne\/Batman, o kryptoniano de poder divino \u00e9 o mais humano dos super-her\u00f3is &#8211; e \u00e9 isso que faz do Superman um personagem incr\u00edvel. Ele, que escolheu ser humano. No novo filme, sua volta pode ser meio simplista e at\u00e9 soa repetido fazer com que ele lute contra seus amigos (outra vez). Mas &#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221; entende o Superman por seu ideal, pelo que ele representa. Faz jus a um personagem que foi t\u00e3o maltratado nos filmes anteriores. Limitado, Henry Cavill n\u00e3o consegue se livrar do ar de superioridade vendida nas obras anteriores, mas, ainda assim, n\u00e3o compromete a curva do Super. <\/p>\n<p>Apesar da adi\u00e7\u00e3o de tr\u00eas novos super-her\u00f3is, &#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221; se mant\u00e9m did\u00e1tico, palp\u00e1vel em sua infantilidade. \u00c9 constru\u00eddo para um p\u00fablico que j\u00e1 ama aquele universo e exige muito dele. Promete agradar, o que n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 um pecado. Antigos pecados continuam inc\u00f3lumes. Vil\u00f5es unidimensionais, desenvolvimento apressado, cenas de a\u00e7\u00e3o com um n\u00famero insano de planos e cortes. S\u00f3 que a DC\/Warner aprendeu com &#8220;Mulher-Maravilha&#8221; que pode engatinhar antes de correr. Em vez de inova\u00e7\u00f5es de cara, pode tentar o feij\u00e3ozinho com arroz gostoso e esquec\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que o \u00e1pice de &#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221; se passe em uma esp\u00e9cie de Chernobyl, em vez de Metr\u00f3polis ou Gotham. A DC\/Warner aprendeu com os erros, ouviu as cr\u00edticas e, finalmente, entendeu que falar de super-her\u00f3is tamb\u00e9m \u00e9 discutir consequ\u00eancias. Agora que passamos pelo b\u00e1sico, resta ousar cada vez mais.<\/p>\n<p>P.S.: O filme tem duas cenas p\u00f3s-cr\u00e9ditos. As duas n\u00e3o fazem l\u00e1 muita diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 5\/8<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nLiga da Justi\u00e7a<\/strong> (<em>Justice League<\/em>, EUA, 2017), de Zack Snyder. Aventura. 121 minutos. 12 anos. Com Ben Affleck, Gal Gadot e Henry Cavill.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Liga da Justi\u00e7a&#8221; \u00e9 uma prova de que a DC Comics\/Warner l\u00ea cr\u00edticas. 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