{"id":1349,"date":"2017-12-06T16:26:38","date_gmt":"2017-12-06T19:26:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=1236"},"modified":"2018-01-18T11:49:46","modified_gmt":"2018-01-18T14:49:46","slug":"lucky-quando-o-fim-bate-porta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/12\/06\/lucky-quando-o-fim-bate-porta\/","title":{"rendered":"&#8220;Lucky&#8221;: quando o fim bate \u00e0 porta"},"content":{"rendered":"<p>Harry Dean Stanton. Assim como todas as coisas do mundo, o longa &#8220;Lucky&#8221;, de\u00a0John Carroll Lynch, tem come\u00e7o e fim. E o nome de ambos \u00e9 esse: Harry Dean Stanton. Em uma trama sobre a finitude, o veterano ator de 91 anos, no \u00faltimo papel da vida, d\u00e1 o tom de realismo e poesia que a trama pede.<\/p>\n<div id=\"attachment_1237\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1237\" class=\"size-large wp-image-1237\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/12\/lucky_cinema_\u00e0s_8_3-624x260.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"229\" \/><p id=\"caption-attachment-1237\" class=\"wp-caption-text\">Harry Dean Stanton \u00e9 Lucky<\/p><\/div>\n<p>Realismo, ali\u00e1s, \u00e9 um dos temas da obra, como o pr\u00f3prio Lucky constr\u00f3i ap\u00f3s encontrar a palavra em uma cruzadinha. &#8220;A pr\u00e1tica de aceitar uma situa\u00e7\u00e3o como ela \u00e9 e estar preparado para agir de acordo&#8221;, define o personagem, um tipo sulista norte-americano, dividido entre o bom humor e a ranzinzice.<\/p>\n<p>Morador de uma pequena cidade no sul dos Estados Unidos, dessas onde todos os moradores se conhecem, Lucky \u00e9 um veterano da Marinha sem fam\u00edlia, que consegue manter a sa\u00fade com uma rotina di\u00e1ria bem aperfei\u00e7oada &#8211; mas que se permite v\u00e1rias pausas para um cigarro. Lucky acorda de manh\u00e3 e faz &#8220;21 exerc\u00edcios de ioga&#8221;. Ele \u00e9 querido pelo dono do caf\u00e9, com quem implica diariamente, e a gar\u00e7onete que lhe serve com pontual esmero. Passa todo dia em uma loja de conveni\u00eancia para comprar leite e cigarros e termina a noite sempre no mesmo bar. S\u00f3 que um dia, Lucky desmaia ao prepara o caf\u00e9 da manh\u00e3.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1238\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/12\/lucky_cinema_\u00e0s_8_1-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><\/p>\n<p>Sujeito s\u00f3 (&#8220;o que \u00e9 diferente de ser solit\u00e1rio&#8221;, garante), Lucky passa, ent\u00e3o, por um processo interno. Profundamente c\u00e9tico, ele n\u00e3o tem f\u00e9. Em seu ate\u00edsmo quase niilista, ele acredita que o fim \u00e9 tudo preto e ponto final. \u00c9 a desesperan\u00e7a final. A morte, para ele, \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da vida &#8211; de tudo que ele conhece, o escuro final. Aos 91 anos, o peso come\u00e7a a dobrar Lucky.<\/p>\n<p>Paralelamente, &#8220;Lucky&#8221; se move em di\u00e1logos. O melhor amigo do protagonista \u00e9 Howard (David Lynch), que tenta superar a fuga de seu c\u00e1gado, um quel\u00f4nio que pode viver mais de 100 anos. Apesar da perda, Howard decide fazer um testamento deixando Presidente Roosevelt, o c\u00e1gado, como seu herdeiro. Outro amigo \u00e9 Paulie (James Darren), que acredita que sempre foi um nada, mas entrou em paz com o pr\u00f3prio espelho ao conhecer Elaine (Beth Grant), o amor da sua vida.<\/p>\n<div id=\"attachment_1239\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1239\" class=\"size-large wp-image-1239\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/12\/lucky_cinema_\u00e0s_8_1-624x328.png\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"289\" \/><p id=\"caption-attachment-1239\" class=\"wp-caption-text\">David Lynch faz participa\u00e7\u00e3o como ator<\/p><\/div>\n<p>Assim sendo, o roteiro, de Logan Sparks e Drago Sumonja, prop\u00f5e uma passeio por vis\u00f5es filos\u00f3ficas do que \u00e9 viver, refletidas na infalibilidade da morte. A constata\u00e7\u00e3o, encontrada com um desespero no olhar do nonagen\u00e1rio protagonista, \u00e9 do\u00edda, mas nunca sentimental. O processo \u00e9 interno e Harry Dean Stanton n\u00e3o ficou preso ao cansa\u00e7o; ele se entregou a um papel que s\u00f3 algu\u00e9m com 90 e poucos anos de fato conseguiria entender.<\/p>\n<p>Em seu ato final, o ator de &#8220;Paris, Texas&#8221; (1984), &#8220;Cora\u00e7\u00e3o Selvagem&#8221; (2000) &#8220;Imp\u00e9rio dos Sonhos&#8221; (2006) consegue um papel que faz jus a uma trajet\u00f3ria das mais ricas de Hollywood. Isso \u00e9 t\u00e3o m\u00e9rito do ator quanto de um diretor que ousa estrear com um longa protagonizado por um eterno coadjuvante de 91 anos. \u00c9 um filme sobre o futuro de quem acumula muito passado, ao ponte de j\u00e1 ter dificuldade de perdoar a si mesmo. \u00c9 um filme sobre aceitar e sorrir para o destino, como ensinariam alguns budistas.<\/p>\n<p>andrebloc@opovo.com.br<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8.<\/strong><\/p>\n<p><em>O filme entra em cartaz na quinta-feira, dia 14 de dezembro.<\/em><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nLucky<\/strong> (EUA, 2017), de John Carroll Lynch. Drama. 88 minutos. Com Harry Dean Stanton e David Lynch.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Harry Dean Stanton. Assim como todas as coisas do mundo, o longa &#8220;Lucky&#8221;, de\u00a0John Carroll Lynch, tem come\u00e7o e fim. E o nome de ambos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":1394,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,8],"tags":[198,213,338,447],"class_list":["post-1349","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema-do-dragao","category-critica","tag-critica","tag-david-lynch","tag-harry-dean-stanton","tag-lucky"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1349"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1349\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1395,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1349\/revisions\/1395"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}