{"id":1354,"date":"2018-01-04T17:17:04","date_gmt":"2018-01-04T20:17:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=1274"},"modified":"2018-01-18T11:45:03","modified_gmt":"2018-01-18T14:45:03","slug":"120-batimentos-por-minuto-camadas-de-ativismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2018\/01\/04\/120-batimentos-por-minuto-camadas-de-ativismo\/","title":{"rendered":"&#8220;120 Batimentos por Minuto&#8221;: camadas de ativismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>120 Batimentos por Minutos<\/strong>, de Robin Campillo, entremeia dois filmes, cada um mais forte que o outro. De cara, temos a atua\u00e7\u00e3o de uma frente progressista francesa dos anos 1990, a sede parisiense do grupo Act Up. Com vozes discordantes, n\u00edveis de sa\u00fade dissonantes e a disposi\u00e7\u00e3o de brigar juntos por um objetivo em comum, o grupo tenta disseminar informa\u00e7\u00f5es sobre a Aids, enquanto pressiona o governo franc\u00eas e ampara soropositivos. Paralelamente, a obra de Robin Campillo acompanha os dramas pessoais de alguns dos membros do Act Up.<\/p>\n<div id=\"attachment_1277\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1277\" class=\"size-large wp-image-1277\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/01\/120-1-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-1277\" class=\"wp-caption-text\">Sean (Nahuel P\u00e9rez Biscayart), o dono do filme<\/p><\/div>\n<p>O filme j\u00e1 abre em meio a uma assembleia do grupo. Ap\u00f3s estabelecer as regras de fala, os l\u00edderes apresentam quatro novos membros e remontam uma a\u00e7\u00e3o anterior. J\u00e1 ali, se monta o conflito entre o radical Sean (Nahuel P\u00e9rez Biscayart, magn\u00e9tico, como bem definido no <a href=\"https:\/\/roteironerd.com\/120-batimentos-por-minuto-e-o-suficiente-para-viver\/\">Roteiro Nerd<\/a>) e o diplom\u00e1tico Thibault (Antoine Reinartz). Enquanto o primeiro defende a\u00e7\u00f5es de enfrentamento, correndo maiores riscos e recebendo san\u00e7\u00f5es por eventual viol\u00eancia, o l\u00edder do grupo quer di\u00e1logo com membros do governo e com executivos da ind\u00fastria farmac\u00eautica. De certa forma, ali, Campillo diferencia duas correntes ideol\u00f3gicas dentro do mesmo grupo pac\u00edfico, algo que repercute at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Nessa ondula\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1990 at\u00e9 este 2018, <strong>120 Batimentos Por Minuto<\/strong> se mostra impressionantemente atual. Primeiro ao mostrar a resist\u00eancia de um grupo minorit\u00e1rio &#8211; l\u00e9sbicas, gays, pessoas trans, um hemof\u00edlico e sua m\u00e3e, gente invis\u00edvel. Em segundo lugar, por estabelecer uma sociedade coberta de hipocrisia, desinforma\u00e7\u00e3o (fake news) e conservadorismo &#8211; uma mo\u00e7a chega a responder que, por ser heterossexual, n\u00e3o precisa usar camisinha. Um terceiro ponto que torna o filme t\u00e3o atual \u00e9 justamente o tema central: a Aids. Os tratamentos avan\u00e7aram e o v\u00edrus deixou de ser uma senten\u00e7a de morte. S\u00f3 que essa seguran\u00e7a veio com um efeito colateral bem ruim: o relaxamento das pol\u00edticas preventivas da Aids.<\/p>\n<div id=\"attachment_1278\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1278\" class=\"size-large wp-image-1278\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/01\/120-2-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-1278\" class=\"wp-caption-text\">Thibault (Antoine Reinartz) em uma a\u00e7\u00e3o mais acintosa do Act Up Paris<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 nesse ponto que o &#8220;segundo filme&#8221; em <strong>120 Batimentos Por Minuto<\/strong> \u00e9 t\u00e3o efetivo. Ali, na primeira parte, h\u00e1 a narrativa de resist\u00eancia e luta. No segmento final, a t\u00f4nica \u00e9 dor e sobreviv\u00eancia. Campillo mostra a crueldade da S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia Adquirida ao fazer personagens vistosos, aos poucos, minguarem. \u00c9 um lembrete para uma gera\u00e7\u00e3o que se acha invenc\u00edvel, que se educou para menosprezar a for\u00e7a da Aids e de outras Doen\u00e7as Sexualmente Transmiss\u00edveis (DSTs). <strong>120 Batimentos<\/strong> \u00e9, ao mesmo tempo, quase um document\u00e1rio sobre uma luta de uma \u00e9poca, e um filme extremamente atual.<\/p>\n<p>Outro m\u00e9rito \u00e9 a fuga do fetiche \u00f3bvio. Em meio a tanto ativismo, os membros do Act Up Paris encontram tempo para a frivolidade. Se hoje a pauta gay investe mais em di\u00e1logo e normatiza\u00e7\u00e3o, o filme prefere em tratar os personagens com toda a sua sexualidade (as pautas trans e l\u00e9sbica, por outro lado, n\u00e3o apostam tanto na higieniza\u00e7\u00e3o como parte da G). Sean, efeminado, chamativo, exagerado, \u00e9 o oposto da fragilidade que o estere\u00f3tipo tenta impor. Ele \u00e9 pura combatividade. Ele leva informa\u00e7\u00e3o aos presidi\u00e1rios, ele prefere a\u00e7\u00f5es acintosas a negocia\u00e7\u00f5es com pouco avan\u00e7o. Ele transa com quem quer (com camisinha) e n\u00e3o precisa ser um bonequinho perfeito, um personagem de <strong>Will &amp; Grace<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_1279\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1279\" class=\"size-large wp-image-1279\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/01\/120-3-624x212.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"187\" \/><p id=\"caption-attachment-1279\" class=\"wp-caption-text\">As pequenas paradas LGBT da d\u00e9cada de 1990 tentavam mesclar alegria em um contexto de morte pela Aids<\/p><\/div>\n<p>Com um conte\u00fado pol\u00edtico bem afiado, <strong>120 Batimentos Por Minuto<\/strong> \u00e9 um retrato de duas \u00e9pocas. Pode at\u00e9 ser mais longo do que devia, mas \u00e9 natural para uma obra que se dobra em duas linhas narrativas paralelas. Na luta de Sean, Nathan (Arnaud Valois) Thibault, Sophie (Ad\u00e8le Haenel), J\u00e9r\u00e9mie (Ariel Borenstein), Max (F\u00e9lix Maritaud) e, mais do que isso, na cumplicidade desses personagens mesmo na discord\u00e2ncia, Robin Campillo d\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia da gera\u00e7\u00e3o anterior para a gera\u00e7\u00e3o atual. Pode parecer que eles s\u00e3o inimigos entre si, mas mesmo quando se odeiam, eles est\u00e3o juntos. O inimigo \u00e9 o governo conservador, seja ele de direita, como o do Brasil atual, ou de esquerda, como o de Fran\u00e7ois Mitterrand, o socialista presidente franc\u00eas da \u00e9poca do filme.<\/p>\n<p><em>(andrebloc@opovo.com.br)<\/em><\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 7\/8<\/strong><\/p>\n<p><em>Em cartaz nos Cinema do Drag\u00e3o, em Fortaleza.<\/em><\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>120 Batimentos por Minutos, de Robin Campillo, entremeia dois filmes, cada um mais forte que o outro. De cara, temos a atua\u00e7\u00e3o de uma frente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":1384,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,8,15],"tags":[28,29,300,319,432,629],"class_list":["post-1354","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema-do-dragao","category-critica","category-melhores-de-2018","tag-120-batimentos-por-minuto","tag-120-battements-par-minute","tag-filme-frances","tag-gay","tag-lgbt","tag-robin-campillo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1354"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1385,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1354\/revisions\/1385"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}