{"id":1462,"date":"2018-02-18T22:24:28","date_gmt":"2018-02-19T01:24:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=1462"},"modified":"2018-02-18T22:39:15","modified_gmt":"2018-02-19T01:39:15","slug":"sem-amor-e-o-alastramento-da-falta-de-empatia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2018\/02\/18\/sem-amor-e-o-alastramento-da-falta-de-empatia\/","title":{"rendered":"\u201cSem Amor\u201d e o alastramento da falta de empatia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1463\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/Love-2-740x494.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"494\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/Love-2-740x494.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/Love-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/Love-2-768x513.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/Love-2-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/Love-2.jpg 1200w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na R\u00fassia do diretor <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Andrey Zvyagintsev, a esperan\u00e7a por dias melhores \u00e9 um sentimento que jamais existiu. Em seu longa anterior, \u201cLeviat\u00e3\u201d, de 2014, a frieza era refletida tanto pelo clima quanto pelos personagens, esmagados por um sistema burocr\u00e1tico capaz de arruinar a vida cotidiana. Em seu novo trabalho, \u201cSem Amor\u201d, o russo investe na cr\u00edtica ao comportamento humano moderno, tanto da perspectiva pessoal quanto dentro do contexto de seu pa\u00eds natal. O filme \u00e9 o representante da R\u00fassia para o Oscar desse ano. <\/span><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fruto de um relacionamento fracassado, o jovem de 12 anos Alyosha (Matvey Novikov) escuta que pode ser mandado para o internato pelos pais. Assombrado com essa possibilidade, Alyosha foge, sem qualquer aviso. Alheia ao desaparecimento do filho, Zhenya (Maryana Spivak) continua sua vida de desimport\u00e2ncia para com o que ocorre ao redor de si. J\u00e1 o pai do garoto, Boris (Aleksey Rozin, parceiro de longa data do diretor), segue a mesma linha da m\u00e3e e do restante dos personagens: um distanciamento a todas as rela\u00e7\u00f5es pessoais, tratando as intera\u00e7\u00f5es com a mais profunda tristeza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A justificativa do t\u00edtulo do longa \u00e9 sentida durante todo seu tempo de dura\u00e7\u00e3o e em todas as rela\u00e7\u00f5es dos personagens. Os pais de Alyosha n\u00e3o demonstram afeto pelo filho em momento algum. Sua av\u00f3, que surge em uma cena pontual, se apresenta como uma representa\u00e7\u00e3o do sentimento de isola\u00e7\u00e3o, ao se afastar tanto da sociedade a ponto de n\u00e3o conseguir mais compreender como receber pessoas em sua casa, tratando uma visita da filha como uma afronta. Aqui, o sexo surge como uma r\u00e1pida v\u00e1lvula de escape de prazer para os protagonistas. N\u00e3o h\u00e1 real investimento nas rela\u00e7\u00f5es paralelas constitu\u00eddas pelos pais de Alyosha. Os novos parceiros de ambos, por mais que supostamente sejam amados, poderiam ser trocados por brinquedos sexuais e n\u00e3o fariam falta alguma ao cotidiano destas pessoas. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1464\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-1-740x370.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"370\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-1-740x370.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-1-300x150.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-1-768x384.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-1-120x60.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-1.jpg 1600w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em um primeiro momento, a cr\u00edtica de Zvyagintsev \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais na era dos smartphones soa um tanto rasa e cansada. Utilizando a m\u00e3e para exemplificar esse ponto, chega a ser exaustiva a quantidade de vezes que vemos a personagem focada no celular. O desaparecimento do filho, ao tirar a protagonista desse ciclo, \u00a0a coloca em movimento para conseguir recuperar aquele que supostamente mais ama na vida. Esse discurso est\u00e1 na fala de Zhenya, mas n\u00e3o em suas atitudes, que remetem o sumi\u00e7o mais a um aborrecimento que um fato tr\u00e1gico. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com sutileza, o diretor mostra dom\u00ednio da mise-en-sc\u00e8ne, utilizando a movimento dos personagens com efici\u00eancia nos ambientes. A ruptura no relacionamento do casal principal n\u00e3o \u00e9 sentida apenas nas in\u00fameras discuss\u00f5es que ocorrem durante o filme, mas, em especial, nas atitudes dos atores. Seja quando Boris baixa o olhar para evitar encarar a ex-esposa, ou quando a mesma puxa uma cadeira para mais longe, para evitar sentar muito perto do ex.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1465\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-3-740x494.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"494\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-3-740x494.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-3-768x513.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-3-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/02\/loveless-3.jpg 1498w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sem se preocupar em dar todas as respostas ao expectador, \u201cSem Amor\u201d \u00e9 um avan\u00e7o do diretor em sua carreira. Por continuar a criticar a falta de empatia dos russos para com eles mesmos, Zvyagintsev tamb\u00e9m faz sua obra e mensagem ressoarem em outras audi\u00eancias. Assim, o longa se mostra necess\u00e1rio aos nossos tempos, por lembrar que empatia e cuidado s\u00e3o necessidades fundamentais nas rela\u00e7\u00f5es humanas. <\/span><\/p>\n<p><b>Cota\u00e7\u00e3o: nota 7\/ 8<\/b><\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica: \u201cSem Amor (RUS, 2017). <\/b><span style=\"font-weight: 400\">De Andrey Zvyagintsev. Com Maryana Spivak, Matvey Novikov e Aleksey Rozin. 128 min. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na R\u00fassia do diretor Andrey Zvyagintsev, a esperan\u00e7a por dias melhores \u00e9 um sentimento que jamais existiu. 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