{"id":1478,"date":"2018-03-05T02:58:13","date_gmt":"2018-03-05T05:58:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=1478"},"modified":"2018-03-05T19:45:56","modified_gmt":"2018-03-05T22:45:56","slug":"oscar-2018-dois-passos-frente-e-um-jet-ski-para-tras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2018\/03\/05\/oscar-2018-dois-passos-frente-e-um-jet-ski-para-tras\/","title":{"rendered":"Oscar 2018: Dois passos \u00e0 frente e um jet-ski para tr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o vamos nos enganar. O Oscar sabe que o discurso sobre representatividade \u00e9, para si, talvez at\u00e9 mais importante do que a representatividade de fato. Se todos acharmos que a ind\u00fastria do cinema est\u00e1 incluindo minorias, \u00f3timo. Pode-se manter o <em>status quo<\/em>. Depois de uma edi\u00e7\u00e3o marcada pelo maior erro da hist\u00f3ria do pr\u00eamio (tirando o Oscar de <em>Crash &#8211; No Limite<\/em>, em 2005&#8230; brincadeira), a Academia de Artes e Ci\u00eancias Cinematogr\u00e1ficas entrou 2018 com n\u00e3o apenas um, mas dois pepinos na m\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_1480\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1480\" class=\"size-medium wp-image-1480\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/03\/mark-bridges-300x185.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"185\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/03\/mark-bridges-300x185.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/03\/mark-bridges-768x473.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/03\/mark-bridges-740x456.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/03\/mark-bridges-120x74.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/03\/mark-bridges.jpg 1920w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1480\" class=\"wp-caption-text\">Mark Bridges, com a atriz Helen Mirren, no famigerado jet-ski<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o bastava ser uma cerim\u00f4nia empoderadora, onde os negros, as mulheres, a popula\u00e7\u00e3o LGBTQ se sentissem representadas. Era tamb\u00e9m sobre esquecer que, h\u00e1 pouco mais de um ano, &#8220;La La Land &#8211; Cantando Esta\u00e7\u00f5es&#8221; foi anunciado erroneamente com o (justo) Oscar que era, de fato, de &#8220;Moonlight &#8211; Sob a Luz do Luar&#8221;. Da\u00ed, o retorno do apresentador, o engra\u00e7adinho Jimmy Kimmel &#8211; com pirotecnias e uma tentativa repetitiva de empatia com o p\u00fablico. Da\u00ed a volta da dupla que protagonizou o infeliz erro no principal pr\u00eamio em 2017, Bonnie e Clyde em pessoa: Faye Dunnaway e Warren Beatty.<\/p>\n<p>J\u00e1 no ano passado, o script pedia maior diversidade &#8211; resposta \u00e0 cobran\u00e7a por acusa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio e pela campanha #OscarSoWhite. Esse ano, o destaque absoluto foi a magn\u00e2nima Frances McDormand, que conclamou todas as mulheres indicadas a qualquer um dos Oscar entregues a se levantar junto \u00e0 ela na comemora\u00e7\u00e3o por levar a categoria melhor atriz (pela segunda vez na carreira). Posso at\u00e9 n\u00e3o gostar (nem um pouco) de &#8220;Tr\u00eas An\u00fancios para um Crime&#8221;, mas Frances merece sempre e \u00e9 certeza de discursos poderosos. Houve ainda espa\u00e7o para Jordan Peele, diretor estreante, fazer hist\u00f3ria como o primeiro negro a ganhar o Oscar de melhor roteiro original por &#8220;Corra!&#8221;, f\u00e1cil o mais original entre os cinco indicados. E teve espa\u00e7o ainda para o chileno &#8220;Uma Mulher Fant\u00e1stica&#8221;, de Sebasti\u00e1n Lelio, levar o Oscar de melhor filme em l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n<p>Pode at\u00e9 parecer repeteco, mas \u00e9 importante ver um latino, um mexicano ganhando os dois pr\u00eamios principais. Al\u00e9m de melhor filme, por &#8220;A Forma da \u00c1gua&#8221;, Guillermo del Toro levou melhor dire\u00e7\u00e3o, estatueta que os amigos e conterr\u00e2neos Alejandro Gonz\u00e1lez I\u00f1\u00e1rritu (2015 e 2016) e Alfonso Cuar\u00f3n (2014) levaram recentemente. Ou seja: quarta vez que um mexicano leva a estatueta de dire\u00e7\u00e3o em cinco anos. Ano passado foi o americano Damien Chazelle. Antes de Cuar\u00f3n, o taiwan\u00eas Ang Lee e antes o franc\u00eas Michel Hazanavicius. Em 2010, um ingl\u00eas, o mediano Tom Hooper. Ou seja, Chazelle \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o em uma categoria globalizada.<\/p>\n<p>Tudo isso aconteceu e marcou. Foi importante. Mas nas quase quatro horas de exibi\u00e7\u00e3o da principal cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o do cinema mundial, um jet-ski pairou sobre todos. Pode parecer bobo. Logo de cara, Jimmy Kimmel prometeu o ve\u00edculo para o agraciado com o Oscar que fizesse o menor discurso. Coube a Mark Bridges, figurinista de &#8220;Trama Fantasma&#8221;, a honra de levar para casa o disputado objeto. Mas a\u00ed cabe a pergunta: por que uma cerim\u00f4nia milion\u00e1ria precisa oferecer um pr\u00eamio extra de alguns milhares de d\u00f3lares?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 simples e vale para tudo no Oscar. Quem fala ali \u00e9 o dinheiro. O Oscar, pr\u00eamio da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, v\u00ea tudo em cifras. E hoje, a representatividade rende dinheiro &#8211; e se voc\u00ea duvida disso, basta olhar as bilheterias de &#8220;Mulher-Maravilha&#8221; e &#8220;Pantera Negra&#8221;. S\u00f3 que \u00e9 bem diferente ver Frances McDormand chamar Meryl Streep para a festa de ver Mark Bridges dedicar a estatueta ao marido. E, depois de meses de escrut\u00ednio geral por conta das acusa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio, dos erros do ano passado, o Oscar tinha de enfrentar o perigo de uma cerim\u00f4nia enorme, com discursos pol\u00edtico fortes e repetitivos. E, como dizem, &#8220;tempo \u00e9 dinheiro&#8221;.<\/p>\n<p>O jet-ski era um movimento defensivo. Um ataque preventivo. A maioria dos premiados &#8220;pequenos&#8221; falava dele, ainda que por brincadeira, mas entenderam a miss\u00e3o dada por Kimmel:&#8221;fa\u00e7a discursos r\u00e1pidos&#8221;. O Oscar vende a igualdade entre brancos e negros, entre homens e mulheres, entre homossexuais e heterossexuais, enquanto pede, de forma charmosa, que os menos importantes mantenham-se na sua insignific\u00e2ncia.<\/p>\n<p>No final das contas, o Oscar \u00e9 isso. Ind\u00fastria. N\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica, n\u00e3o \u00e9 inclus\u00e3o. E \u00e9 por isso que as minorias gritam e devem continuar gritando, cada vez mais. Espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 concess\u00e3o. Espa\u00e7o naquele palco \u00e9 um direito conquistado. E um primeiro passo de tantos. Depois deste domingo, muitos roteiristas negros talvez ganhem uma oportunidade &#8211; assim como mulheres roteiristas, que viram Greta Gerwig concorrer com &#8220;Lady Bird: A Hora de Voar&#8221;. Outros latinos, qui\u00e7\u00e1 brasileiros, tentem uma carreira que os leve ao patamar de del Toro. Outras mulheres trans, como Daniela Vega, talvez subam naquele palco. E isso \u00e9 m\u00e9rito deles. \u00c0 Academia, s\u00f3 cabe a dif\u00edcil tarefa de engolir e fingir que o sabor \u00e9 doce.<\/p>\n<p><em><strong>OS VENCEDORES DA NOITE<\/strong><\/em><br \/>\nMelhor ator coadjuvante: Sam Rockwell (Tr\u00eas An\u00fancios para um Crime)<br \/>\nMelhor cabelo e maquiagem: &#8220;O Destino de uma Na\u00e7\u00e3o&#8221;<br \/>\nMelhor figurino: &#8220;Trama Fantasma&#8221;<br \/>\nMelhor document\u00e1rio: &#8220;Icarus&#8221;<br \/>\nMelhor mixagem de som: &#8220;Dunkirk&#8221;<br \/>\nMelhor edi\u00e7\u00e3o de som: &#8220;Dunkirk&#8221;<br \/>\nMelhor design de produ\u00e7\u00e3o: &#8220;A Forma da \u00c1gua&#8221;<br \/>\nMelhor filme em l\u00edngua estrangeira: &#8220;Uma Mulher Fant\u00e1stica&#8221; (Chile)<br \/>\nMelhor atriz coadjuvante: Allison Janney (Eu, Tonya)<br \/>\nMelhor curta-metragem de anima\u00e7\u00e3o: &#8220;Dear Basketball&#8221;<br \/>\nMelhor anima\u00e7\u00e3o (longa): &#8220;Viva: a Vida \u00e9 uma Festa&#8221;<br \/>\nMelhores efeitos visuais: &#8220;Blade Runner 2049&#8221;<br \/>\nMelhor montagem: &#8220;Dunkirk&#8221;<br \/>\nMelhor document\u00e1rio em curta-metragem: &#8220;Heaven is a traffic jam on the 405&#8221;<br \/>\nMelhor curta-metragem: &#8220;The Silent Child&#8221;<br \/>\nMelhor roteiro adaptado: &#8220;Me Chame pelo seu Nome&#8221;<br \/>\nMelhor roteiro original: &#8220;Corra!&#8221;<br \/>\nMelhor fotografia: Roger A. Deakens &#8211; &#8220;Blade Runner 2049&#8221;<br \/>\nMelhor trilha original: Alexandre Desplat (A Forma da \u00c1gua)<br \/>\nMelhor m\u00fasica original: &#8220;Remember me&#8221; (Viva: a Vida \u00c9 uma Festa)<br \/>\nMelhor diretor: Guillermo del Toro (A Forma da \u00c1gua)<br \/>\nMelhor ator: Gary Oldman (Destino de uma Na\u00e7\u00e3o)<br \/>\nMelhor atriz: Frances McDormand (Tr\u00eas An\u00fancios para um Crime)<br \/>\nMelhor filme: &#8220;A Forma da \u00c1gua&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o vamos nos enganar. 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