{"id":157,"date":"2016-09-28T20:00:45","date_gmt":"2016-09-28T23:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=157"},"modified":"2016-09-28T20:00:45","modified_gmt":"2016-09-28T23:00:45","slug":"sete-homens-e-um-destino-sai-o-bom-mocismo-entra-sede-de-vinganca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/09\/28\/sete-homens-e-um-destino-sai-o-bom-mocismo-entra-sede-de-vinganca\/","title":{"rendered":"Sete Homens e um Destino: Sai o bom-mocismo, entra a sede de vingan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-165\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/09\/seven-624x260.jpg\" alt=\"seven\" width=\"550\" height=\"229\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil negar a coragem e responsabilidade posta sob os ombros ombros de Antoine Fuqua. Eficiente, sem ser brilhante, o diretor de &#8220;Dia de Treinamento&#8221; (2001) e &#8220;Nocaute&#8221; (2015) tomou para si a miss\u00e3o de dirigir o remake de &#8220;Sete Homens e um Destino&#8221; (1960), uma obra-prima adaptada de outra obra-prima.<\/p>\n<p>O faroeste de\u00a0John Sturges nasceu da americaniza\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Sete Samurais&#8221; (1954), para muitos, a obra m\u00e1xima de Akira Kurosawa &#8212; que, para os mesmos, \u00e9 candidato s\u00e9rio a cineasta mais importante da hist\u00f3ria. As tr\u00eas tramas trazem a mesma base: um grupo de her\u00f3is renegados aceitam uma empreitada sem futuro para proteger uma pequena vila de um grupo infinitamente mais forte.<\/p>\n<p>Se Sturges e Kurosawa apostam\u00a0em duelos mais abertos e diretos entre camponeses e saqueadores, Fuqua vai no caminho da met\u00e1fora pol\u00edtica. O empres\u00e1rio rico Bartholomew Bogue (Peter Saarsgard) \u00e9 um vil\u00e3o muito mais odi\u00e1vel que Calvera (Eli Walach), o charmoso &#8220;pai&#8221; dos bandidos da obra de 1960.\u00a0Fuqua foge da repeti\u00e7\u00e3o do drama sobre a natureza humana e ousa ao\u00a0criticar abertamente a l\u00f3gica capitalista do lucro. O inimigo \u00e9 a gan\u00e2ncia, n\u00e3o a mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>No novo filme, Bogue usa sua for\u00e7a (o dinheiro) para obrigar os alde\u00f5es a sa\u00edrem da cidade onde ele instalara uma mina de ouro. \u00c9 uma forma diferente e mais indireta do que o poder da viol\u00eancia mostrado nos filmes de 1954 e 1960. Outra mudan\u00e7a \u00e9 na constru\u00e7\u00e3o dos sete renegados que decidem ajudar a vila. Fuqua \u00e9 did\u00e1tico ao definir as motiva\u00e7\u00f5es de Chisolm (Denzel Washington), Faraday (Chris Pratt), Robicheaux (Ethan Hawke) e companhia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-166\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/09\/seven2-624x262.jpg\" alt=\"seven2\" width=\"550\" height=\"231\" \/><\/p>\n<p>O elenco variado, com protagonista negro, sidekick irland\u00eas e aliados ind\u00edgena, asi\u00e1tico, do sul norte-americano e do M\u00e9xico, \u00e9 outra l\u00f3gica nova. \u00c9 divertido ver o time improv\u00e1vel,\u00a0principalmente pelo <em>timing<\/em> de com\u00e9dia de Chris Pratt, mas as hist\u00f3ria pessoais se amarram frouxamente.\u00a0Parece\u00a0algo como &#8220;O Grande Drag\u00e3o Branco&#8221; (1988) e seus estere\u00f3tipos de na\u00e7\u00e3o ou os &#8220;X-Men&#8221;, j\u00e1 que cada personagem tem uma atribui\u00e7\u00e3o\/poder\/arma distintos. Como obra de \u00e9poca, essa diversifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encaixa muito na l\u00f3gica interna, principalmente porque o filme hesita em discutir racismo em v\u00e1rias oportunidades.<\/p>\n<p>O roteiro, de Nic Pizzolatto e Richard Wenk, constr\u00f3i bem a unicidade da obra, ao mesmo tempo em que reverencia algumas das grandes falas criadas por William Roberts em 1960. \u00c9 \u00f3timo ver Denzel Washington voltando ao cl\u00e1ssico &#8220;J\u00e1 me ofereceram muito pelo meu trabalho, mas nunca tudo&#8221;. Ao todo, s\u00e3o umas seis falas &#8220;repetidas&#8221;, o que d\u00e1 um sabor mais doce a quem conhece o filme original.\u00a0Tentar identificar Chris, Vin, Britt, O&#8217;Reilly, Lee, Harry e Chico em Chisolm, Faraday, Rocks, Robicheaux, Horne, Vasquez e Red Harvest \u00e9 uma del\u00edcia &#8212; Pizzolatto e Wenk fundem alguns, modificam outros e mant\u00e9m alguns, o suficiente para ser interessante, ainda que n\u00e3o tanto original. \u00c9 um <em>easter egg<\/em>, como chamam.<\/p>\n<p>A principal perda, por\u00e9m, fica no personagem de Chisolm, em compara\u00e7\u00e3o a Chris (Yul Brynner). E aviso, a revela\u00e7\u00e3o final pode soar como <strong>spoiler<\/strong>. A atua\u00e7\u00e3o de Washington \u00e9 segura, equilibrada e mostra um personagem com camadas, assim como aquele de Brynner. O carrancudo homem da lei negro, por\u00e9m, esconde motivos para ajudar Emma Cullen (Haley Bennett), motiva\u00e7\u00e3o que Chris n\u00e3o precisara. A vingan\u00e7a \u00e9 quem o move, o que faz o personagem perder a sua ess\u00eancia e o que faz de &#8220;Sete Homens e um Destino&#8221; (1960) uma obra memor\u00e1vel: a humanidade.<\/p>\n<p>Efetivo nas cenas de a\u00e7\u00e3o, divertido com os entrecortes de humor, &#8220;Sete Homens e um Destino&#8221; \u00e9 entretenimento puro. Recicl\u00e1vel, ainda que bom.\u00a0As adi\u00e7\u00f5es de dramas pessoais e efeitos visuais \u00e9 festim. Tentam esconder que,\u00a056 anos depois, o filme de John Sturges ainda oferece muito mais do que a Hollywood de hoje \u00e9 capaz de fazer. O tiro \u00e9 certeiro, s\u00f3 que, hoje, o alvo n\u00e3o se importa tanto assim com o resultado da luta.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: Nota 5\/8<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sete Homens e um Destino<\/strong> (2016, EUA). Faroeste. De Antoine Fuqua. Com Denzel Washington e Chris Pratt.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dif\u00edcil negar a coragem e responsabilidade posta sob os ombros ombros de Antoine Fuqua. 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