{"id":1581,"date":"2018-09-20T18:43:15","date_gmt":"2018-09-20T21:43:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=1581"},"modified":"2018-09-20T18:43:33","modified_gmt":"2018-09-20T21:43:33","slug":"buscando-suspense-2-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2018\/09\/20\/buscando-suspense-2-0\/","title":{"rendered":"Buscando&#8230; &#8211; Suspense 2.0"},"content":{"rendered":"<p>A tecnologia mudou o jogo. Se no cotidiano a presen\u00e7a de smartphones, redes sociais e do constante monitoramento por c\u00e2meras j\u00e1 \u00e9 indissoci\u00e1vel do fazer social, no cinema h\u00e1 uma abertura de novas possibilidades de constru\u00e7\u00e3o narrativa. Hoje \u00e9 f\u00e1cil assistir a um suspense antigo e dispensar com uma simples constata\u00e7\u00e3o de que a exist\u00eancia de um celular alteraria todo o rumo da trama. Buscando&#8230;, longa de estreia do diretor e roteirista indo-americano Aneesh Chaganty, \u00e9 um filho de seu tempo. Um suspense moderno, que entende o quanto a tecnologia apresenta novas possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de um roteiro.<\/p>\n<div id=\"attachment_1584\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1584\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando3-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"size-medium wp-image-1584\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando3-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando3-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando3-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando3-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1584\" class=\"wp-caption-text\">David Kim (John Cho): um pai numa busca desesperada pela filha<\/p><\/div>\n<p>O que pega em Buscando&#8230; \u00e9 a simplicidade. O filme nunca sai da casa do protagonista, David Kim (John Cho), um pai cuja filha adolescente, Margot (Michelle La), sumiu misteriosamente. A investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 feita paralelamente pelo pai e pela detetive Vick (a ser\u00edssima Debra Messing). Toda nova descoberta sobre o poss\u00edvel paradeiro ou supostos sequestradores \u00e9 acompanhada no mesmo ambiente, a casa de David, com ajuda de recursos tecnol\u00f3gicos diversos &#8211; Facetime, Facebook, emails, toda a indexa\u00e7\u00e3o de arquivos da fam\u00edlia, v\u00eddeos de tr\u00e2nsito etc. <\/p>\n<p>Ao usar formas diferentes, atuais de comunica\u00e7\u00e3o, Chaganty consegue compensar a aus\u00eancia de duas personagens centrais da trama. A primeira \u00e9 Margot, por motivos \u00f3bvios. A segunda \u00e9 Pamela (Sara Sohn), esposa de David, m\u00e3e de Margot e que morreu dois anos antes da parte principal da trama. A personagem \u00e9 introduzida em um belo pr\u00f3logo, reminiscente da abertura de Up &#8211; Altas Aventuras (2009) &#8211; ali\u00e1s, a compara\u00e7\u00e3o com a anima\u00e7\u00e3o da Pixar \u00e9 a \u00fanica forma de tirar a for\u00e7a da sequ\u00eancia. Apesar disso tudo, Pamela \u00e9 parte integrante de toda a trama, ora pelos v\u00eddeos em que a filha fala dela, ora pelas anota\u00e7\u00f5es da superorganizada figura materna. Os registros mant\u00eam a personagem viva. <\/p>\n<p>Dentro da investiga\u00e7\u00e3o sobre o paradeiro de Margot, David aos poucos vai conhecendo aspectos da filha que ignorava completamente. E nisso, a surpreendente capacidade dram\u00e1tica de John Cho &#8211; ator conhecido por papeis em com\u00e9dias &#8211; vem muito a calhar. O personagem nunca se martiriza e est\u00e1 pronto para agir o tempo inteiro, liderando a investiga\u00e7\u00e3o mesmo quando uma experiente detetive aceita o caso. O filme varia entre a tens\u00e3o do suspense e o drama pessoal de Margot, uma adolescente, dentre tantas, exclu\u00edda socialmente, fragilizada por uma perda e que recorre a amigos online por um conforto que n\u00e3o encontra no mundo offline. <\/p>\n<div id=\"attachment_1582\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1582\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" class=\"size-medium wp-image-1582\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando1-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando1-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando1-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2018\/09\/buscando1-120x67.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1582\" class=\"wp-caption-text\">A tecnologia \u00e9 personagem frequente na obra<\/p><\/div>\n<p>Existem duas Margots, a do pai (offline) e a das redes sociais. David s\u00f3 conhece uma e descobrir a outra pode ser a chave para desvendar o mist\u00e9rio sobre o sumi\u00e7o da mo\u00e7a. Ao povoar toda a trama com recursos tecnol\u00f3gicos, Chaganty faz mais do que apelar com ferramentas modernas para dar um ar de novo ao filme. Ele mostra o abismo entre o contato constante e a intimidade de verdade. Pai e filha se falam o tempo inteiro, mas com que frequ\u00eancia conversam de fato? A din\u00e2mica entre David e Margot \u00e9 a de muitos, de milh\u00f5es. De quase todos. \u00c9 um filme capaz de entender os tempos atuais e discutir problemas fundamentais da nossa sociedade. Uma obra que s\u00f3 poderia ser feita hoje.<\/p>\n<p>Como dito anteriormente, uma das for\u00e7as de Buscando&#8230; \u00e9 justamente a simplicidade. Pai. Filha. M\u00e3e morta. Casa vazia. Solid\u00e3o online. Amizades online. Sumi\u00e7o. Investiga\u00e7\u00e3o. Num primeiro olhar, n\u00e3o existe tanta complexidade na trama. Aos poucos, por\u00e9m, o filme se desgarra na profundidade das personagens e vai mostrando f\u00f4lego at\u00e9 demais. Existe ali uma tenta\u00e7\u00e3o pelo grandioso, pela reviravolta brusca e pelo maravilhamento f\u00e1cil do p\u00fablico. Chaganty inclusive referencia Garota Exemplar (2014), de David Fincher, suspense conhecido pela pirotecnia do roteiro. <\/p>\n<p>Um pequeno grande filme, Buscando&#8230; traz boas novidades. \u00c9 uma quebra ver uma fam\u00edlia asi\u00e1tica (coreana-americana) protagonizar uma obra hollywoodiana. A presen\u00e7a de John Cho, o Harold de Madrugada Muito Louca, num drama\/suspense \u00e9 das mais acertadas. A melhor novidade, no entanto, \u00e9 Aneesh Chaganty. Que seja o primeiro longa-metragem em uma trajet\u00f3ria de muitas d\u00e9cadas de cinema. <\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tecnologia mudou o jogo. 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