{"id":223,"date":"2016-10-12T20:00:44","date_gmt":"2016-10-12T23:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=223"},"modified":"2016-10-12T20:00:44","modified_gmt":"2016-10-12T23:00:44","slug":"inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/10\/12\/inferno\/","title":{"rendered":"&#8220;Inferno&#8221; \u00e9 ter de assistir \u00e0 nova aventura de Langdon"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_225\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-225\" class=\"size-large wp-image-225\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/inferno-film-624x416.jpg\" alt=\"Tom Hanks e Felicity Jones\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-225\" class=\"wp-caption-text\">Tom Hanks e Felicity Jones<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Inferno&#8221; consegue, magistralmente, se p\u00f4r a altura de seus antecessores, &#8220;O C\u00f3digo Da Vinci&#8221; (2006) e &#8220;Anjos e Dem\u00f4nios&#8221; (2009). Somados os tr\u00eas, o espectador j\u00e1 ter\u00e1 desperdi\u00e7ado cerca de 408 minutos da pr\u00f3pria exist\u00eancia vendo um trio de filmes formulaicos e unidimensionais. Talvez a \u00fanica vantagem de &#8220;Inferno&#8221; \u00e9 que, com dura\u00e7\u00e3o de 121 minutos, o longa dura menos.<\/p>\n<p>Baseados nos romances best-seller de Dan Brown e dirigidos por Ron Howard (dos \u00f3timos &#8220;Rush: No Limite da Emo\u00e7\u00e3o&#8221;\/2013 e &#8220;Frost\/Nixon&#8221;\/2008, entre outros), os filmes contam &#8220;tramas maravilhosas&#8221; de &#8220;conspira\u00e7\u00f5es milenares&#8221; investigadas pelo &#8220;genial professor&#8221; Robert Langdon (Tom Hanks). Isso e alguns outros clich\u00eas. \u00c9 sempre uma f\u00f3rmula em que algu\u00e9m se depara com um mist\u00e9rio (de Da Vinci, b\u00edblico, dantesco), liga para o protagonista, que se prop\u00f5e a juntar as pistas. Langdon, ent\u00e3o, precisa mastigar tudo que v\u00ea para a acompanhante e vomitar conhecimento enciclop\u00e9dico sobre a cultura milenar europeia (em especial a italiana).<\/p>\n<p>Dessa vez, o personagem acorda sem mem\u00f3ria em um hospital em Floren\u00e7a (It\u00e1lia), sendo cuidado pela dr. Brooks (Felicity Jones, ap\u00e1tica). Juntos, eles precisam desvendar uma ca\u00e7a ao tesouro tem\u00e1tica sobre o segmento &#8220;Inferno&#8221;, da &#8220;Divina Com\u00e9dia&#8221; de Dante Alighieri (1265 &#8211; 1321). O &#8220;jogo&#8221; foi arquitetado por um bioengenheiro bilion\u00e1rio rec\u00e9m-morto. Caso Langdon e Brooks falhem, um v\u00edrus vai ser lan\u00e7ado na atmosfera e matar\u00e1 cerca de 4 bilh\u00f5es de pessoas &#8211; o que, para o bilion\u00e1rio seria a salva\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana.<\/p>\n<p>Nesse \u00ednterim, h\u00e1 ainda uma misteriosa empresa de seguran\u00e7a e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), que parecem querer matar Langdon. Propositadamente, o longa joga o p\u00fablico em meio \u00e0 confus\u00e3o e com pouqu\u00edssimas informa\u00e7\u00f5es. A ideia \u00e9 fugir dos detalhes para que ningu\u00e9m note o quanto o roteiro \u00e9 furado.<\/p>\n<div id=\"attachment_224\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-224\" class=\"size-large wp-image-224\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/inferno-624x418.jpg\" alt=\"Tamb\u00e9m estamos decepcionados com voc\u00ea, Tom\" width=\"550\" height=\"368\" \/><p id=\"caption-attachment-224\" class=\"wp-caption-text\">Tamb\u00e9m estamos decepcionados com voc\u00ea, Tom<\/p><\/div>\n<p>Se a f\u00f3rmula liter\u00e1ria mais utilizada por Dan Brown \u00e9 a estrutura pontuada de <em>cliff-hangers<\/em> &#8211; cortes no \u00e1pice de uma sequ\u00eancia tensa -, no cinema Ron Howard nem mesmo se preocupa com isso. \u00c9 tudo meio desleixado e afixado em di\u00e1logos para conclus\u00f5es previs\u00edveis. Por exemplo, dois especialistas em Dante encaram uma proje\u00e7\u00e3o do inferno de Dante e perdem minutos at\u00e9 encontrar inconsist\u00eancias &#8211; ou pistas, como o roteiro bobo se refere a elas. Na confus\u00e3o do personagem desmemoriado, um longo elenco de apoio \u00e9 apresentado, o que s\u00f3 ajuda a aumentar a confus\u00e3o na trama. Acaba que o \u00e1pice do filme \u00e9 um embate dos protagonistas com um vil\u00e3o que nem nome tem. J\u00e1 Ignacio, amigo citado desde a segunda sequ\u00eancia do longa, nunca d\u00e1 as caras na trama.<\/p>\n<p>Mais do que todos os diretores da atual gera\u00e7\u00e3o, Howard parece capaz de compartimentar suas cria\u00e7\u00f5es. De um lado, longas de qualidade ineg\u00e1vel como &#8220;Rush&#8221; (2013). Do outro, lixos mastig\u00e1veis como os tr\u00eas filmes baseados em obras de Dan Brown. \u00c9 at\u00e9 louv\u00e1vel ver tamanho desleixo de um diretor que parece s\u00f3 filmar aquilo pelo contracheque. A j\u00e1 citada cena final de a\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o, mas t\u00e3o polu\u00edda que a gente quase deseja estar se afogando nas \u00e1guas de Istambul (Turquia). Qui\u00e7\u00e1 seja mais confort\u00e1vel do que aguentar uma c\u00e2mera cambaleante.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de tudo, a f\u00f3rmula do roteiro parece repetida pela terceira vez. Com perd\u00e3o do <strong>spoiler<\/strong>, <del>mas o plot twist de &#8220;Inferno&#8221; \u00e9 quase igual aos de &#8220;O C\u00f3digo Da Vinci&#8221; e &#8220;Anjos e Dem\u00f4nios&#8221;. No primeiro, o personagem de Ian McKellen \u00e9 o traidor. No segundo, o papel cabe a Ewan McGregor. Agora, ficava \u00f3bvio que haveria uma nova trai\u00e7\u00e3o. E como a \u00fanica personagem aprofundada \u00e9 Brooks, \u00e9 \u00f3bvio que se tratava de Felicity Jones.<\/del><\/p>\n<p>Porque, acima de tudo, os filmes do professor Robert Langdon menosprezam o espectador at\u00e9 o limite. S\u00e3o filmes que investem em refer\u00eancias medievais para esconder o conte\u00fado in\u00f3cuo. Fingem-se de inteligentes para n\u00e3o mostrar o v\u00e3o de qualidade. \u00c9 como aquele pol\u00edtico sem conte\u00fado, mas que traveste a ret\u00f3rica de verborragia para tentar convencer quem n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o no discurso. \u00c9 triste. Mas certo est\u00e1 Howard, que guarda as energias para os seus filmes que valem a pena ser vistos.<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 2\/8<\/strong><\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<br \/>\nInferno<\/strong> (EUA, 2016), de Ron Howard. Aventura\/Drama. 121 minutos. Com Tom Hanks, Felicity Jones, Omar Sy.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Inferno&#8221; consegue, magistralmente, se p\u00f4r a altura de seus antecessores, &#8220;O C\u00f3digo Da Vinci&#8221; (2006) e &#8220;Anjos e Dem\u00f4nios&#8221; (2009). 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