{"id":243,"date":"2016-10-19T20:00:47","date_gmt":"2016-10-19T23:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=243"},"modified":"2016-10-19T20:00:47","modified_gmt":"2016-10-19T23:00:47","slug":"kubo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/10\/19\/kubo\/","title":{"rendered":"&#8220;Kubo e as Cordas M\u00e1gicas&#8221;: Hist\u00f3rias sobre hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/kubo1-624x416.jpg\" alt=\"kubo1\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"alignnone size-large wp-image-244\" \/><\/p>\n<p>Existe uma longa corrente de autores, em diferentes artes, que escreve sobre escrever. Conta hist\u00f3rias sobre contar hist\u00f3rias, filma longas sobre cinema, se debru\u00e7a sobre a arte de transcrever sentimentos para os outros. O escritor ingl\u00eas Neil Gaiman, por exemplo, \u00e9 um mestre em tecer teias narrativas juntando peda\u00e7os de mitologia, sonho e medo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, ent\u00e3o, que o est\u00fadio de anima\u00e7\u00e3o Laika seja o respons\u00e1vel por &#8220;Kubo e as Cordas M\u00e1gicas&#8221;, seu quarto longa. A companhia, especializada em anima\u00e7\u00e3o em stop-motion, foi apresentada pela bela adapta\u00e7\u00e3o de &#8220;Coraline e o Mundo Secreto&#8221; (2009), escrita pelo pr\u00f3prio Gaiman. Depois dos \u00f3timos &#8220;ParaNorman&#8221; (2012) e &#8220;Os Boxtrolls&#8221; (2014), &#8220;Kubo&#8221; mant\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias moldadas para quem gosta de ouvir e contar. Com esse breve rol de belos filmes, a Laika j\u00e1 \u00e9 p\u00e1reo da Pixar na certeza da qualidade, estando bem a frente de est\u00fadios mais produtivos como a irregular Dreaworks e a question\u00e1vel Illumination Entertainment.<\/p>\n<p>Dirigido por Travis Knight, &#8220;Kubo e as Cordas M\u00e1gicas&#8221; conta a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia despeda\u00e7ada. Uma m\u00e3e com poderes especiais, foge do pr\u00f3prio pai e das irm\u00e3s para proteger seu filho. Com sua magia enfraquecida, a matriarca vive reclusa, enquanto o filho usa sua m\u00fasica para dar vida a <em>origamis<\/em> (dobraduras de papel) e contar a trajet\u00f3ria do incr\u00edvel samurai Hanzo. Tudo muda quando Kubo fica fora da caverna durante a noite, na tentativa de contatar seu pai morto, e \u00e9 encontrado pelo av\u00f4, o rei Lua, e tias.<\/p>\n<div id=\"attachment_245\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-245\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/kubo2-624x261.jpg\" alt=\"O garoto pode dar vida a origamis\" width=\"550\" height=\"230\" class=\"size-large wp-image-245\" \/><p id=\"caption-attachment-245\" class=\"wp-caption-text\">O garoto pode dar vida a origamis<\/p><\/div>\n<p>A partir da\u00ed, Kubo segue em uma viagem em busca n\u00e3o s\u00f3 de si, mas de suas ra\u00edzes. Ao lado da maternal Macaca e do confuso Besouro, o garoto viaja por um Jap\u00e3o feudal estilizado para conseguir artefatos que o protejam do av\u00f4. Paulatinamente, Kubo descobre os detalhes da jornada do pai, Hanzo, e da m\u00e3e, Sariatu, e como eles passaram a ser ca\u00e7ados pelo av\u00f4. Apesar da produ\u00e7\u00e3o norte-americana, o filme mant\u00e9m sempre a defer\u00eancia ao conte\u00fado nip\u00f4nico, com refer\u00eancias indo do xinto\u00edsmo e ao <em>bushido<\/em>, o c\u00f3digo de honra samurai.<\/p>\n<p>A maior qualidade da obra, no entanto, \u00e9 claramente est\u00e9tica. Ao contr\u00e1rio de est\u00fadios mais, digamos, robustos, que apostam no grafismo detalhado, a Laika investe em dire\u00e7\u00e3o de arte e continu\u00edsmo. Note-se a forma como os personagens se movimentam ou como a &#8220;c\u00e2mera&#8221; d\u00e1 um fluxo de a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Bem decupado, o longa tem uma montagem pensada nos m\u00ednimos detalhes. Esses detalhes fazem um diferencial na forma como nos relacionamos com os protagonistas. A iconografia do besouro, onipresente, a forma como objetos c\u00eanicos como um brinquedo infantil ganham forma no desenrolar, a plasticidade estilizada de cada cen\u00e1rio. Tudo converge numa trama cheia de m\u00e9ritos.<\/p>\n<div id=\"attachment_246\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-246\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/kubo3-624x386.jpg\" alt=\"O trio Besouro, Kubo e Macaca\" width=\"550\" height=\"340\" class=\"size-large wp-image-246\" \/><p id=\"caption-attachment-246\" class=\"wp-caption-text\">O trio Besouro, Kubo e Macaca<\/p><\/div>\n<p>Afinal, para que tudo funcionasse, o roteiro n\u00e3o podia ser feito de clich\u00eas. Com plot twists (virada da trama) bem constru\u00eddos, o filme foge da previsibilidade. Com resolu\u00e7\u00f5es originais, o filme tem um final muito mais nip\u00f4nico do que ocidentalizado. \u00c9 bem \u00fanico. Ao mesmo tempo, profundamente humano. A Macaca, superprotetora, arisca, e, por que n\u00e3o, chata, \u00e9 das melhores surpresas de &#8220;Kubo e as Cordas M\u00e1gicas&#8221; justamente por inspirar emo\u00e7\u00f5es bem familiares.<\/p>\n<p>&#8220;Kubo e as Cordas M\u00e1gicas&#8221; \u00e9 artesanato. \u00c9 a prova de que stop-motion \u00e9 trabalho herc\u00faleo, mas delicioso. \u00c9 uma obra discreta, bela, inteligente e surpreendentemente profunda sobre como as hist\u00f3rias surgem, morrem e renascem &#8212; bem fiel a no\u00e7\u00e3o de tempo dos japoneses. Que a Laika siga por muitos tecendo roteiros sobre crian\u00e7as que recontam hist\u00f3rias da m\u00e3e sobre as desventuras do pai. Porque, como diz o filme, uma hist\u00f3ria n\u00e3o acaba, ela \u00e9 repassada eternamente.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 7\/8<\/strong><\/p>\n<p>Em Fortaleza, em cartaz nos cinemas UCI Kinoplex Iguatemi, UCI Shopping Parangaba, Cin\u00e9polis RioMar, Centerplex Via Sul e Kinoplex North Shopping.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Kubo e as Cordas M\u00e1gicas<\/strong> (EUA, 2016), de Travis Knight. Anima\u00e7\u00e3o\/Aventura. 101 minutos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma longa corrente de autores, em diferentes artes, que escreve sobre escrever. 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