{"id":265,"date":"2016-10-24T20:00:51","date_gmt":"2016-10-24T23:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=265"},"modified":"2016-10-24T20:00:51","modified_gmt":"2016-10-24T23:00:51","slug":"jadotville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/10\/24\/jadotville\/","title":{"rendered":"&#8220;Jadotville&#8221;: manter paz ou impor paz"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_266\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-266\" class=\"size-large wp-image-266\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/jado1-624x351.jpg\" alt=\"Jamie Dornan como o Comandante Pat Quinlan\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-266\" class=\"wp-caption-text\">Jamie Dornan como o Comandante Pat Quinlan<\/p><\/div>\n<p>Hist\u00f3rias fascinantes fazem filmes fascinantes? Nem sempre. Entre as diversas partes que formam uma obra cinematogr\u00e1fica, o roteiro, ao lado das atua\u00e7\u00f5es, \u00e9 facilmente a mais not\u00e1vel.\u00a0&#8220;Jadotville&#8221;, longa-metragem de guerra exclusivo da Netflix, \u00e9 recheado de m\u00e9ritos e boas inten\u00e7\u00f5es. A oportunidade de fazer jus \u00e0s for\u00e7as de paz irlandesas que durante d\u00e9cadas foram pintadas como covardes \u00e9 boa demais para se excluir. S\u00f3 que\u00a0o inferno est\u00e1 cheio de boas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A base do roteiro \u00e9 a Guerra Fria, no auge na d\u00e9cada de 1960, e os conflitos da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, antigo Congo Belga. O filme se inicia com uma estranha narra\u00e7\u00e3o em off do primeiro-ministro congol\u00eas, Lumumba, minutos antes de ser assassinado. A ideia \u00e9 mostrar que o l\u00edder queria estatizar as riquezas do Pa\u00eds (uma medida alinhado aos comunista), enquanto os interesses norte-americanos e franceses se aproximam da explora\u00e7\u00e3o capitalista. No meio disso, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) tenta evitar uma Terceira Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 muito contexto. E esse excesso de &#8220;base&#8221; \u00e9 a ru\u00edna de &#8220;Jadotville&#8221;. A trama principal segue a guarni\u00e7\u00e3o irlandesa liderada pelo Comandante Quinlan (Jamie Dornan). Virgens de conflito, eles t\u00eam no &#8220;chefe&#8221; um literato viciado em t\u00e1tica. No primeiro ato, o filme se debru\u00e7a sobre a personalidade do protagonista &#8212; o \u00fanico a ser totalmente definido. Como grande parte dos longas de guerra, &#8220;Jadotville&#8221; tenta apresentar a din\u00e2mica do grupo e at\u00e9 acerta em determinados momentos, como na cena em que todos s\u00e3o vacinados antes de viajar \u00e0 \u00c1frica.<\/p>\n<div id=\"attachment_267\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-267\" class=\"size-large wp-image-267\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/jado2-624x351.jpg\" alt=\"O filme se passa em Jadotville, prov\u00edncia do &quot;Congo&quot;\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-267\" class=\"wp-caption-text\">O filme se passa em Jadotville, cidade do Congo<\/p><\/div>\n<p>Paralelamente, o filme acompanha as negocia\u00e7\u00f5es e estratagemas do enviado irland\u00eas para negocia\u00e7\u00f5es da ONU, Conor Cruise O&#8217;Brien (Mark Strong). A ideia \u00e9 contrapor o idealismo da for\u00e7a de paz com o cinismo dos objetivos da ONU, que pretendia &#8220;impor&#8221; a paz no Congo e depor o Moise Tshombe (Danny Sapani), usurpador do poder na prov\u00edncia de Katanga. Alheio aos golpes, Quinlan e seus 150 homens s\u00e3o alvos f\u00e1ceis para um ex\u00e9rcito de mercen\u00e1rios franceses enviados pelo general franc\u00eas Charles De Gaulle. Ali\u00e1s, em um di\u00e1logo artificial e surreal, em que um acuado l\u00edder congol\u00eas intimida o presidente da Fran\u00e7a. A ideia era criar um vil\u00e3o intimidador, mas incluir De Gaulle nesse \u00ednterim \u00e9 uma for\u00e7a\u00e7\u00e3o de barra.<\/p>\n<p>A parte pol\u00edtica da trama se foca no didatismo para mastigar todas as a\u00e7\u00f5es militares que ocorriam no Congo. O \u00fanico problema \u00e9 que, em nenhum momento, fica claro o porqu\u00ea de milhares de mercen\u00e1rios atacarem uma pequena guarni\u00e7\u00e3o da ONU repetidamente. Afinal, outras for\u00e7as de paz ocupavam espa\u00e7os do d\u00e9spota congol\u00eas e ele insistia em atacar um plantel m\u00ednimo que protegia o nada.<\/p>\n<p>E pior, o falat\u00f3rio intenso (e sem dire\u00e7\u00e3o) &#8220;come&#8221; espa\u00e7o de tela da guerra em si, a parte que funciona bem no longa. Definido como esse sujeito fascinado por t\u00e1ticas, Quinlan toma atitudes pouco usuais e mostra, claramente, o quanto um l\u00edder inteligente consegue mudar o fluxo de uma batalha. A dire\u00e7\u00e3o de fotografia vez por outra cai em clich\u00eas (homem correndo de bomba, excesso c\u00e2mera subjetiva), mas consegue se impor em sequ\u00eancias de tirar o f\u00f4lego.<\/p>\n<div id=\"attachment_268\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-268\" class=\"size-large wp-image-268\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/jado3-624x416.jpg\" alt=\"A obra perpassa o contexto da Guerra Fria nos anos 1960\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-268\" class=\"wp-caption-text\">A obra perpassa o contexto da Guerra Fria nos anos 1960<\/p><\/div>\n<p>O \u00fanico por\u00e9m da parte militar do longa \u00e9 que, com pouco tempo, n\u00e3o conhecemos os comandados de Quinlan. Entre eles, o \u00fanico que se destaca \u00e9 Bil &#8220;Sniper&#8221; Ready (Sam Keeley), que, ironicamente, \u00e9 definido pelo sua fun\u00e7\u00e3o de atirador de elite (sniper, em ingl\u00eas). Assim, fica claro que cada personagem ali existe para cumprir uma fun\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o sabemos quais\u00a0s\u00e3o os la\u00e7os entre eles.<\/p>\n<p>Os defeitos, por\u00e9m, n\u00e3o tiram dois m\u00e9ritos imensos de &#8220;Jadotville&#8221;. O primeiro \u00e9 de mostrar o lado heroico de uma for\u00e7a da paz vista como covarde desde a d\u00e9cada de 1960 at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000. O segundo \u00e9 expor as idiossincrasias pr\u00f3prias dos l\u00edderes, seja o secret\u00e1rio-geral da ONU ou um d\u00e9spota congol\u00eas. De certa forma, a no\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a mantenedora da paz contra uma for\u00e7a impositora da paz fica bem definida. E, de quebra, o filme ganha certos paralelos com a atua\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito brasileiro para manter a paz no Haiti.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<br \/>\n<strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 4\/8.<\/strong><\/p>\n<p>Lan\u00e7ado no dia 7 de outubro, exclusivo na Netflix.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Jadotville<\/strong> (IRL\/AFS, 2016), de Richie Smyth. Com Jamie Dornan, Mark Strong e Michael McElhatton.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rias fascinantes fazem filmes fascinantes? Nem sempre. 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