{"id":272,"date":"2016-10-27T20:00:00","date_gmt":"2016-10-27T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=272"},"modified":"2016-10-27T20:00:00","modified_gmt":"2016-10-27T23:00:00","slug":"trolls","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/10\/27\/trolls\/","title":{"rendered":"&#8220;Trolls&#8221;: quando o irritante conto de fadas agrada"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_275\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-275\" class=\"size-large wp-image-275\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/Trolls-29Junho2016-1-624x259.jpg\" alt=\"Poppy e Tronco\" width=\"550\" height=\"228\" \/><p id=\"caption-attachment-275\" class=\"wp-caption-text\">Poppy e Tronco<\/p><\/div>\n<p>Por mais que nem de perto acerte sempre, a DreamWorks segue como um dos mais importantes e respeitados est\u00fadios de anima\u00e7\u00e3o. Respons\u00e1veis pelos \u00f3timos &#8220;Shrek&#8221; (os dois primeiros de uns 15) e &#8220;Como Treinar Seu Drag\u00e3o&#8221; (1 e 2), a produtora acerta em especial quando investe na fantasia e nos contos de fada. &#8220;Trolls&#8221;, Mike Mitchell e Walt Dohrn, se justap\u00f5e exatamente nesse encontro. A hist\u00f3ria, baseada naqueles irritantes bonecos do cabelo colorido &#8212; que eram febre nos anos 1980 &#8211;, junta o mundo fant\u00e1stico de seres irreais, com uma subtrama emprestada do cl\u00e1ssico &#8220;A Gata Borralheira&#8221; (ou &#8220;Cinderela&#8221;).<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o central do longa de anima\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente o j\u00e1 citado aspecto, digamos, irritante dos brinquedos. Com um pr\u00f3logo muito bem fundamentado, os Trolls s\u00e3o definidos como felicidade pura. Sua ant\u00edtese s\u00e3o os Bergens, cuja \u00fanica felicidade conhecida surge ap\u00f3s comer um dos Trolls. Depois de escapar de um &#8220;trollst\u00edcio&#8221;, o feriado de degluti\u00e7\u00e3o dos pequenos seres felizes, os her\u00f3is encontram um canto de paz, distante de seus n\u00eameses.<\/p>\n<p>Nesse local distante, a princesa Poppy se dedica \u00e0s especialidades de sua esp\u00e9cie: cantar, abra\u00e7ar e fazer colagens. S\u00f3 quem n\u00e3o a acompanha \u00e9 o monocrom\u00e1tico Tronco, que constantemente avisa seus convivas da amea\u00e7a dos Bergens. Um dia, o risco se confirma e cabe \u00e0 (\u00f3bvia) improv\u00e1vel dupla resgatar alguns dos pequenos Trolls raptados.<\/p>\n<p>Assim sendo, o roteiro, de Jonathan Aibel e Glenn Berger, se fundamenta nessa dualidade entre felicidade e tristeza. Algo que &#8220;Divertida Mente&#8221;, da Pixar, j\u00e1 fez com mais propriedade, mas de uma forma bem mais acess\u00edvel. Se no melanc\u00f3lico filme da concorrente, a tristeza imp\u00f5e sua complexidade, &#8220;Trolls&#8221; \u00e9 mais direto, com o lado feliz encontrando a &#8220;luz&#8221;. Outra base do roteiro \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o musical, de Justin Timberlake. \u00c9 ela respons\u00e1vel por algumas das melhores sequ\u00eancias do longa, como quando Poppy tenta animar Tronco ao cantar &#8220;The Sound of Silence&#8221;, de Simon &amp; Garfunkel. As &#8220;participa\u00e7\u00f5es especiais&#8221; de can\u00e7\u00f5es como &#8220;Hello&#8221;, de Adele, &#8220;Can&#8217;t Stop the Feeling&#8221;, do pr\u00f3prio Timberlake ou &#8220;True Colors&#8221;, famosa na voz de Cindy Lauper.<\/p>\n<div id=\"attachment_276\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-276\" class=\"size-large wp-image-276\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/trolls-trailer3-624x390.jpg\" alt=\"A\u00e7\u00facar, tempero e tudo que h\u00e1 de irritante\" width=\"550\" height=\"344\" \/><p id=\"caption-attachment-276\" class=\"wp-caption-text\">A\u00e7\u00facar, tempero e tudo que h\u00e1 de irritante<\/p><\/div>\n<p>A profici\u00eancia musical, no entanto, cria um paradoxo lingu\u00edstico no filme. A obra \u00e9 uma anima\u00e7\u00e3o musical pensada para crian\u00e7as. At\u00e9 a\u00ed, tudo bem. Esse tipo de obra chega ao Brasil, em geral, s\u00f3 com vers\u00f5es dubladas &#8212; o que \u00e9 leg\u00edtimo. O problema \u00e9 que as m\u00fasicas famosas se encaixando na trama do filme s\u00e3o um dos principais ganchos c\u00f4micos de &#8220;Trolls&#8221;. Da\u00ed, a \u00f3tima tradu\u00e7\u00e3o da letra das can\u00e7\u00f5es acaba n\u00e3o fazendo jus ao sentido buscado. J\u00e1 as poss\u00edveis c\u00f3pias legendadas excluem grande parte do p\u00fablico infantil. E ainda h\u00e1 outro paradoxo. Duas das can\u00e7\u00f5es (&#8220;Can&#8217;t Stop the Feeling&#8221; e &#8220;The Sound of Silence&#8221;) s\u00e3o apresentadas com \u00e1udio original e sem legendas. S\u00f3 quem as conhece bem ou \u00e9 fluente em ingl\u00eas entende bem o momento.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dessa pedra no caminho, o filme \u00e9 recheado de m\u00e9ritos. Por se enfocar num p\u00fablico infantil, os buracos no roteiro n\u00e3o incomodam, enquanto a familiaridade das hist\u00f3rias \u00e9 bem agrad\u00e1vel. O melhor ponto \u00e9 a hist\u00f3ria de amor do pr\u00edncipe Bergen, Gristle, com sua empregada, Bridget. Cheio de paralelos com a hist\u00f3ria da Gata Borralheira, a subplot chega a ser emocionante em seu \u00e1pice altru\u00edsta. Ali\u00e1s, esses valores familiares s\u00e3o muito bem apresentados para o p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Trolls<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_274\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-274\" class=\"size-large wp-image-274\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/10\/troll-dolls-624x500.jpg\" alt=\"Nos anos 1980, essas coisas assustadoras eram os Trolls\" width=\"550\" height=\"441\" \/><p id=\"caption-attachment-274\" class=\"wp-caption-text\">Nos anos 1980, essas coisas assustadoras eram os Trolls<\/p><\/div>\n<p>Outro acerto \u00e9 na dire\u00e7\u00e3o de arte, mergulhada no conceito do, digamos, &#8220;fofinho&#8221;. \u00c9 algo como games da Nintendo, como &#8220;Yoshi&#8217;s Wooly World&#8221; ou &#8220;Kirby&#8217;s Epic Yarn&#8221;, com est\u00e9tica de novelo de l\u00e3. S\u00f3 que em &#8220;Trolls&#8221;, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 por imensas colagens (ou <em>scrapbooks<\/em>). Acaba que o impacto visual se torna maior do que um n\u00edvel de detalhismo minucioso &#8212; e que n\u00e3o funcionaria nos personagens principais, j\u00e1 conhecidos como toscos bonecos de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Extremamente adocicado, mas encontrando um equil\u00edbrio entre melancolia e euforia, &#8220;Trolls&#8221; \u00e9, desde j\u00e1, uma das melhores anima\u00e7\u00f5es da Dreamworks. Pode n\u00e3o ser um &#8220;Como Treinar seu Drag\u00e3o&#8221; (2010), mas \u00e9 bem melhor que qualquer &#8220;Madagascar&#8221;, &#8220;O Espanta Tubar\u00f5es&#8221; (2004) ou &#8220;Bee Movie: A Hist\u00f3ria de uma Abelha&#8221; (2007).<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8<\/strong><\/p>\n<p>Estreia hoje nos cinemas de Fortaleza.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Trolls<\/strong> (EUA, 2016), de Mike Mitchell, Walt Dohrn. Anima\u00e7\u00e3o\/ Musical. 92 minutos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais que nem de perto acerte sempre, a DreamWorks segue como um dos mais importantes e respeitados est\u00fadios de anima\u00e7\u00e3o. Respons\u00e1veis pelos \u00f3timos &#8220;Shrek&#8221;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[88,198,746],"class_list":["post-272","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica","tag-animacao","tag-critica","tag-trolls"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}