{"id":279,"date":"2016-10-27T08:00:51","date_gmt":"2016-10-27T11:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=279"},"modified":"2016-10-27T08:00:51","modified_gmt":"2016-10-27T11:00:51","slug":"justica-em-fatos-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/10\/27\/justica-em-fatos-reais\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a em fatos reais"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/media4.s-nbcnews.com\/i\/MSNBC\/Components\/Photo\/_new\/tdy-130920-amanda-knox-07.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"960\" \/><\/p>\n<p>O perfil de Amanda Knox no Facebook \u00e9 tal qual o de qualquer jovem com quase 30 anos. Com um namorado fixo, postagens sobre temas aleat\u00f3rios e fotos de viagem. N\u00e3o fosse a carga que seu nome carrega, a jovem estadunidense seria mais uma entre tantas. Protagonista de um dos julgamentos mais pol\u00eamicos da \u00faltima d\u00e9cada, o suposto assassinato cometido por ela em 2007 voltou aos holofotes em 2016, com o document\u00e1rio Amanda Knox, dispon\u00edvel na Netflix.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Amanda n\u00e3o est\u00e1 sozinha. Al\u00e9m dela, tem casos como os de O.J Simpson, famoso jogador de futebol americano nos anos 1980, que conseguiu sair impune de um julgamento que poderia t\u00ea-lo condenado por um duplo assassinato. Sem conseguir fugir de uma culpa que jamais fora sua, Steven Avery, protagonista de Making a Murderer, mostrou ao mundo que nem sempre a honestidade \u00e9 recompensada como se espera.<\/p>\n<p>Casos de assassinatos baseados em fatos reais provocam grande empatia do p\u00fablico. Desde 2015, uma nova onde de document\u00e1rios baseados em crimes pol\u00eamicos veem ganhando espa\u00e7o nos grandes canais e distribuidoras. As obras citadas acima, no entanto, fogem do formul\u00e1ico dos programas semanais sobre o tema, onde o que mais ocorre s\u00e3o reencena\u00e7\u00f5es de qualidade duvidosa. Aqui, os trabalhos dos diretores foca nas v\u00edtimas e no contexto onde cada caso ocorreu.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/www.trbimg.com\/img-56ddbb1e\/turbine\/la-me-ln-oj-simpson-case-knife-dna-test-20160307\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1411\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m delas, outro destaque exibido no come\u00e7o de 2015 foi The Jinx, da HBO. Dividida em seis epis\u00f3dios, a hist\u00f3ria desenvolve as estranhas mortes que rodeiam o multimilion\u00e1rio Robert Durst. A cena final, onde Durst confirma sua culpa nos crimes, foi considerada por muitos um dos pontos altos dentre os seriados do ano passado.<\/p>\n<p><strong>Jogada racial<\/strong><\/p>\n<p>Esquecido h\u00e1 anos pelo grande p\u00fablico, o caso de O.J Simpson retornou aos holofotes em 2016 com duas produ\u00e7\u00f5es distintas. The People vs O.J Simpson: American Crime Story, um retrato fict\u00edcio do caso, ganhou nove pr\u00eamios Emmy este ano, incluindo de Melhor Miniss\u00e9rie. Aclamado pela cr\u00edtica, o document\u00e1rio dividido em cinco partes, O.J: Made in America, exibida no Brasil pelo canal a cabo ESPN, conta com depoimentos dos reais protagonistas do caso.<\/p>\n<p>Em 1994, O.J foi acusado de matar sua ex-esposa Nicole Brown e o amigo Ron Goldman. Apesar de todas as provas, o jogador foi inocentado. O que as duas obras procuram apresentar \u00e9 o contexto social em que o crime foi cometido. Ap\u00f3s atrocidades cometidas pela pol\u00edcia contra a comunidade negra e o fato de um dos detetives respons\u00e1veis ser simpatizante da supremacia racial branca, o caso passou a parecer persegui\u00e7\u00e3o contra um homem negro bem sucedido. Em tempos onde o assunto de crimes racistas continua tanto em evid\u00eancia quanto h\u00e1 20 anos, as obras se tornam ainda mais atuais.<\/p>\n<p><strong>Falsos culpados<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/peopledotcom.files.wordpress.com\/2016\/08\/steven-avery-1024.jpg\" \/><\/p>\n<p>Lan\u00e7ada em dezembro de 2015, Making a Murderer logo se tornou um fen\u00f4meno na Netflix. Com as reviravoltas no caso de Steven Avery revoltando a audi\u00eancia contra o sistema judici\u00e1rio dos Estados Unidos, milhares de pessoas assinaram termos para que a senten\u00e7a do norte-americano fosse revogada. Preso por uma acusa\u00e7\u00e3o de estupro, Avery passou 18 anos encarcerado, at\u00e9 uma prova de DNA inocent\u00e1-lo. No decorrer dos epis\u00f3dios, uma nova acusa\u00e7\u00e3o surge, abrindo margem para que Avery possa estar sendo incriminado pelos pr\u00f3prios investigadores.<\/p>\n<p>Admirador de obras do g\u00eanero, Lucas Moura, do site Tapioca Mec\u00e2nica, conta que, apesar de gostar, n\u00e3o conseguiu terminar sua maratona de Making a Murderer. \u201cO fasc\u00ednio por essas hist\u00f3rias parece ser algo que compartilhamos no inconsciente coletivo. Tanto a curiosidade de saber como os fatos aconteceram, como a vontade de entender as motiva\u00e7\u00f5es do criminoso. Making&#8230; me pegou logo no primeiro epis\u00f3dio, mas ainda n\u00e3o tive est\u00f4mago para assistir at\u00e9 o fim. Fui ficando muito nervoso com o passar dos epis\u00f3dios, sem conseguir acreditar com todos os absurdos que aconteceram\u201d, diz.<\/p>\n<p>Em seu caso, Amanda Knox tamb\u00e9m recebeu acusa\u00e7\u00f5es falsas. Os respons\u00e1veis, no entanto, estavam por tr\u00e1s das c\u00e2meras e jornais respons\u00e1veis por noticiar o caso. Responsabilizada pela morte da colega de quarto durante uma viagem a It\u00e1lia, Amanda foi julgada tr\u00eas vezes, tendo sido presa na primeira condena\u00e7\u00e3o. Inocentada ap\u00f3s solicita\u00e7\u00e3o de recurso, continuou a ser apontada como predadora sexual pelos jornais e tabloides. O real culpado foi preso alguns anos depois, mas recebeu uma aten\u00e7\u00e3o irrelevante por parte da m\u00eddia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O perfil de Amanda Knox no Facebook \u00e9 tal qual o de qualquer jovem com quase 30 anos. 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