{"id":317,"date":"2016-11-07T20:00:39","date_gmt":"2016-11-07T23:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=317"},"modified":"2016-11-07T20:00:39","modified_gmt":"2016-11-07T23:00:39","slug":"cinema-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/11\/07\/cinema-novo\/","title":{"rendered":"&#8220;Cinema Novo&#8221;: poesia e pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_320\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-320\" class=\"size-large wp-image-320\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/11\/herdeiros-624x418.jpg\" alt=\"Cena de &quot;Os Herdeiros&quot; (1970), de Carlos Diegues\" width=\"550\" height=\"368\" \/><p id=\"caption-attachment-320\" class=\"wp-caption-text\">Cena de &#8220;Os Herdeiros&#8221; (1970), de Carlos Diegues<\/p><\/div>\n<p>Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Glauber Rocha, Ruy Guerra, Carlos Diegues, Gustavo Dahl, Arnaldo Jabor. Enfileirados assim, os nomes pouco mais dizem que um artigo da Wikip\u00e9dia. Eryk Rocha, ent\u00e3o, fez mais do que dar voz aos nomes. Ele ilustrou uma trajet\u00f3ria em imagens em movimento. Misturou afeto e verve no document\u00e1rio-ensaio &#8220;Cinema Novo&#8221;.<\/p>\n<p>Diferente da proposta puramente documental, o diretor optou por deixar que o arquivo contasse um pensamento. O filme n\u00e3o conta a hist\u00f3ria do movimento Cinema Novo ou de seus atores. Para o longa, os nomes s\u00e3o apenas isso, nomes. O que importa \u00e9 o que foi feito. Para o diretor, a pouco mais de uma d\u00e9cada de resist\u00eancia social cinematogr\u00e1fica \u00e9 sentimento convertido em arte.<\/p>\n<p>A escolha \u00fanica, por\u00e9m, apresenta bastantes percal\u00e7os. Afinal, &#8220;Cinema Novo&#8221; n\u00e3o prima pelo didatismo. Quase sensorial, o doc passeia por filmes cl\u00e1ssicos e obscuros dos cineastas brasileiros. Com um ritmo fren\u00e9tico, a obra n\u00e3o se debru\u00e7a em legendas. Na verdade, o espectador mais leigo \u00e9 jogado em meio a refer\u00eancias espec\u00edficas do movimento da d\u00e9cada de 1960. \u00c0 ele, cabe aceitar perder-se ou se resignar a n\u00e3o fazer parte do discurso. Mas a recompensa \u00e9 rica para quem resolve soltar as amarras e se perder no caleidosc\u00f3pio cinemanovista.<\/p>\n<div id=\"attachment_318\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-318\" class=\"size-thumbnail wp-image-318\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/11\/a-falecida-150x150.jpg\" alt=\"Cena de &quot;A Falecida&quot; (1965), de Leon Hirszman\" width=\"150\" height=\"150\" \/><p id=\"caption-attachment-318\" class=\"wp-caption-text\">Cena de &#8220;A Falecida&#8221; (1965), de Leon Hirszman<\/p><\/div>\n<p>Apesar de imbu\u00eddo de uma paix\u00e3o, &#8220;Cinema Novo&#8221; \u00e9 fiel \u00e0s hipocrisias do grupo, formado por pares ricos de Bahia e Rio de Janeiro que tentavam traduzir um Brasil injusto do qual n\u00e3o faziam parte. Por vezes, o filme de Eryk Rocha escancara aquela panelinha de homens brancos e ricos que, dentro de toda a genialidade, exclu\u00edam discursos dissonantes e est\u00e9ticas que julgavam inadequadas. H\u00e1 um inc\u00f4modo persistente com a falta de p\u00fablico dos filmes, mas nenhum questionamento sobre aproxima\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o mais pobre, que os cineastas acreditavam representar. \u00c9 quase como parear &#8220;Cinco Vezes Favela&#8221; (1962) e &#8220;5x Favela, Agora por N\u00f3s Mesmos&#8221; (2011)<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, &#8220;Cinema Novo&#8221; permite um mergulho, ainda que raso, em refer\u00eancias e no motor social de uma sequ\u00eancia de diretores. H\u00e1 uma saudade constante ao rever obras queridas. Paralelamente, a curiosidade pulsa quando surge uma imagem desconhecida. A falta de legendas atrapalha nisso, mesmo que adicione agilidade. O efeito caleidosc\u00f3pio funciona, mas tamb\u00e9m frustra quem quer um mergulho mais profundo nas refer\u00eancias.<\/p>\n<div id=\"attachment_319\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-319\" class=\"size-large wp-image-319\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/11\/deus-e-o-diabo-624x429.jpg\" alt=\"Cena de &quot;Deus e o Diabo na Terra do Sol&quot; (1964), de Glauber Rocha\" width=\"550\" height=\"378\" \/><p id=\"caption-attachment-319\" class=\"wp-caption-text\">Cena de &#8220;Deus e o Diabo na Terra do Sol&#8221; (1964), de Glauber Rocha<\/p><\/div>\n<p>Acima de tudo, por\u00e9m, &#8220;Cinema Novo&#8221; tem o m\u00e9rito do tempo. Mais do que uma an\u00e1lise fria, que depurasse as d\u00e9cadas desde o fim do movimento, o document\u00e1rio aproveita um contexto social parelho para relembrar a efervesc\u00eancia daquele momento. Ali, Leon, Glauber e Nelson se moviam \u00e0 revelia de uma ditadura. Usavam a arte para denunciar injusti\u00e7a. Para expressar dor e mis\u00e9ria. Hoje, diante do &#8220;golpe institucional&#8221;, a arte foi das primeiras a se levantar. \u00c9 caminho aberto para uma voz que j\u00e1 falha de tanto gritar.<\/p>\n<p>V\u00edtima de suas paix\u00f5es e art\u00edfice de sua pol\u00edtica, &#8220;Cinema Novo&#8221; mais acerta que erra. Por mais oba-oba e &#8220;Clube do Bolinha&#8221; que pare\u00e7a, h\u00e1 uma verdade universal naquelas express\u00f5es. Eryk n\u00e3o procura os sobreviventes para analisar aquilo, mas retalha os sentimentos que existiam l\u00e1, quando tudo era imediato. Como espelho, os anos 1960 refletem a resist\u00eancia do hoje &#8212; diferente, mas democr\u00e1tica &#8211;, mas ainda combativa, art\u00edstica. Mais que filme de personagens, \u00e9 filme de sentimentos &#8212; e talvez a obra n\u00e3o fa\u00e7a justi\u00e7a a tantos cinemanovistas relevantes. Acaba que, por bem, por mal, &#8220;Cinema Novo&#8221; \u00e9 um filme de dois tempos. O ent\u00e3o e o porvir.<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Cinema Novo<\/strong> (BRA, 2016), de Eryk Rocha. Ensaio documental. Com Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman e Glauber Rocha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Glauber Rocha, Ruy Guerra, Carlos Diegues, Gustavo Dahl, Arnaldo Jabor. 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