{"id":368,"date":"2016-11-25T20:00:41","date_gmt":"2016-11-25T23:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=368"},"modified":"2016-11-25T20:00:41","modified_gmt":"2016-11-25T23:00:41","slug":"indignacao-o-bom-menino-judeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/11\/25\/indignacao-o-bom-menino-judeu\/","title":{"rendered":"&#8220;Indigna\u00e7\u00e3o&#8221;: o bom menino judeu"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_371\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-371\" class=\"size-large wp-image-371\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/11\/indigna\u00e7\u00e3o2-624x351.jpg\" alt=\"Logan Lerman, fenomenal em &quot;Indigna\u00e7\u00e3o&quot;\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-371\" class=\"wp-caption-text\">Logan Lerman, fenomenal em &#8220;Indigna\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p><\/div>\n<p>\u00c0 primeira vista, &#8220;Indigna\u00e7\u00e3o&#8221; pode parecer mais uma obra &#8220;coming of age&#8221; (&#8220;despertar da juventude&#8221;), um drama rom\u00e2ntico sobre um jovem, branco, cisg\u00eanero, heterossexual. A obra de estreia do roteirista James Schamus como diretor, por\u00e9m, tem um diferencial. Ou melhor, nasceu dele: Philip Roth.<\/p>\n<p>Se o nome n\u00e3o faz soar os sinos, estamos diante de uma boa deixa. Roth \u00e9 um dos mais importantes romancistas do mundo e considerado um marco na escrita judaico-contempor\u00e2nea. Isso e os pr\u00eamios, que o gabaritam a ser apontado como o mais laureado dos romancistas norte-americanos da atualidade. Como boa parte das obras de Roth, o livro hom\u00f4nimo\u00a0se debru\u00e7a sobre o homem judeu norte-americano &#8212; e, narcisismo \u00e0 parte, o faz de forma brilhante.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o de adaptar o romance, por\u00e9m, n\u00e3o caiu nos colos de um desconhecido. Debutante na dire\u00e7\u00e3o de longas, Schamus \u00e9 conhecido pelo trabalho por tr\u00e1s das c\u00e2meras como produtor e roteiristas de algumas obras de Ang Lee. Do cineasta taiwan\u00eas radicado nos EUA, Schamus parece ter pegue emprestado o naco pela sensibilidade. &#8220;Indigna\u00e7\u00e3o&#8221;, por\u00e9m, investe ainda em conceitos filos\u00f3ficos e psicol\u00f3gicos para adentrar ainda mais nos sentidos dos protagonistas.<\/p>\n<div id=\"attachment_370\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-370\" class=\"size-large wp-image-370\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/11\/indigna\u00e7\u00e3o3-624x416.jpg\" alt=\"Olivia (Sarah Gadon) e Marcus (Logan Lerman)\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-370\" class=\"wp-caption-text\">Olivia (Sarah Gadon) e Marcus (Logan Lerman)<\/p><\/div>\n<p>Mesmo diante de tanta aspira\u00e7\u00e3o conceitual, &#8220;Indigna\u00e7\u00e3o&#8221; acaba se apresentando como uma obra de personagens. A hist\u00f3ria acompanha Marcus Messner (Logan Lerman), jovem judeu americano, o primeiro da fam\u00edlia a entrar em uma universidade. O ano \u00e9 1951, \u00e9poca em que milhares de norte-americanos viajavam para a guerra da Cor\u00e9ia. De l\u00e1, muitos n\u00e3o voltaram, incluindo primos de Marcus. Nesse contexto pr\u00f3prio, Marcus se v\u00ea rodeado por um pai em preocupa\u00e7\u00e3o constante, uma m\u00e3e engolida pela f\u00faria paterna e toda a nova realidade de estudante universit\u00e1rio. Para aumentar o sentimento deslocado, Marcus estuda ainda em uma pequena universidade crist\u00e3 no Ohio.<\/p>\n<p>Paralelamente, o filme trata do crescimento dos sentimentos de Marcus, apaixonado pela incomum Olivia Hutton (Sarah Gadon), e um crescente isolamento do protagonista. Ateu de ascend\u00eancia judaica, ele \u00e9 obrigado a participar de cultos. C\u00e9tico, ele \u00e9 obrigado a dividir um quarto com dois sujeitos cuja \u00fanica semelhan\u00e7a com Marcus \u00e9 ser de fam\u00edlia judia. Enquanto isso, ele tenta seguir o seu papel na vida: o bom garoto. Qualquer ponto fora da curva parece um dilema para um rapaz que sempre deixou os outros fazerem suas escolhas.<\/p>\n<p>Diante de um emaranhado complexo de sentimentos, a grande responsabilidade do longa ca\u00eda sobre os ombros de Logan Lerman. Com uma composi\u00e7\u00e3o firme e rica, ele dobra os dilemas de Marcus e exp\u00f5e as responsabilidades que o pressionam. Note-se o empostamento da voz e a formalidade, que contrastam com uma aparente timidez do jovem. Lerman consegue se equilibrar entre a discri\u00e7\u00e3o e a exposi\u00e7\u00e3o, o que permite que ele brilhe nos grande di\u00e1logos do filme. O primeiro &#8220;duelo&#8221; do estudante com o reitor da universidade, por exemplo, trabalha conceitos e sentimentos de forma paralela e cristalina. Diante de tanta for\u00e7a, o terceiro ato corrido e as pontas soltas na adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica nem chegam a incomodar.<\/p>\n<div id=\"attachment_372\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-372\" class=\"size-large wp-image-372\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/11\/indigna\u00e7\u00e3o-624x351.jpg\" alt=\"O trabalho da rela\u00e7\u00e3o familar de Marcus \u00e9 essencial no filme\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-372\" class=\"wp-caption-text\">O trabalho da rela\u00e7\u00e3o familar de Marcus \u00e9 essencial no filme<\/p><\/div>\n<p>A base robusta do texto \u00e9 outra ajuda na constru\u00e7\u00e3o de uma fauna \u00fanica de personagens. A forma org\u00e2nica, por exemplo, que o antissemitismo \u00e9 trabalhado na rela\u00e7\u00e3o de Marcus com o reitor, que define o pai do estudante como &#8220;a\u00e7ougueiro kosher&#8221;, cont\u00e9m muito poder na simplicidade. Destaque ainda para atua\u00e7\u00f5es de Sarah Gadon, Tracy Letts e, em especial, Linda Emond, que interpreta a matriaca Messner. A cena final dela com Marcus \u00e9 quase um jogo entre a ascend\u00eancia judaica e a culpa crist\u00e3 &#8212; uma complementaridade ecum\u00eanica. Sublinhe-se ainda a dire\u00e7\u00e3o de fotografia de Christopher Blauvelt, que refor\u00e7a o clich\u00ea do tom s\u00e9pia para retratar uma obra de \u00e9poca, mas oferece uma quebra ao investir em primeir\u00edssimos planos em momentos de tens\u00e3o e imers\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>Rico e complexo, &#8220;Indigna\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 uma surpresa digna do curr\u00edculo de Philip Roth. \u00c9 a sexta e melhor adapta\u00e7\u00e3o de romance do autor, que ter\u00e1 sua &#8220;Pastoral Americana&#8221; nos cinemas em breve.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 7\/8.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Indigna\u00e7\u00e3o<\/strong> (EUA, 2016), de James Schamus. Drama.110 minutos. Com Logan Lerman.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 primeira vista, &#8220;Indigna\u00e7\u00e3o&#8221; pode parecer mais uma obra &#8220;coming of age&#8221; (&#8220;despertar da juventude&#8221;), um drama rom\u00e2ntico sobre um jovem, branco, cisg\u00eanero, heterossexual. 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