{"id":383,"date":"2016-11-30T20:00:03","date_gmt":"2016-11-30T23:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=383"},"modified":"2016-11-30T20:00:03","modified_gmt":"2016-11-30T23:00:03","slug":"3-uma-distopia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/11\/30\/3-uma-distopia-brasileira\/","title":{"rendered":"3% &#8211; Uma distopia brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/sm.ign.com\/ign_br\/screenshot\/default\/3-netflix-10out2016-1_nngh.jpg\" alt=\"\" width=\"1620\" height=\"1080\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em um primeiro momento, pode parecer um spin-off da franquia Jogos Vorazes. Jovens, todos vindos de uma sociedade devastada pela pobreza e fome, se arriscam em uma oportunidade \u00fanica de irem para um lugar pr\u00f3spero, chamado Maralto, destinado a apenas 3% da popula\u00e7\u00e3o. Tudo isso embalado em uma trilha sonora de samba e bossa nova. <\/span><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Primeira produ\u00e7\u00e3o originalmente brasileira realizada pela Netflix, a s\u00e9rie \u201c3%\u201d estreou na \u00faltima sexta-feira, 25. A produ\u00e7\u00e3o, contudo, j\u00e1 era conhecida do p\u00fablico, por ter sido realizada para o Youtube em formato de webs\u00e9rie. A s\u00e9rie da Netflix, disponibilizada em oito epis\u00f3dios, \u00e9 dirigida por C\u00e9sar Charlone, respons\u00e1vel pela fotografia de \u201cCidade de Deus\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao completarem 20 anos, os jovens participam do chamado \u201cProcesso\u201d, constitu\u00eddo de uma s\u00e9rie de avalia\u00e7\u00f5es, psicol\u00f3gicas e f\u00edsicas, para descobrir se os candidatos est\u00e3o aptos a entrarem na sociedade baseada na meritocracia do Maralto. Representada pelo ator Jo\u00e3o Miguel no papel de Ezequiel, a sociedade futurista apresenta um ideal almejado por todos: um mundo sem viol\u00eancia, pr\u00f3spero, com sa\u00fade de qualidade. Mas, claro, restrita a um n\u00famero \u00ednfimo da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/cultura.estadao.com.br\/blogs\/radar-cultural\/wp-content\/uploads\/sites\/97\/2016\/10\/3_101_Unit_00365R1.jpg\" alt=\"\" width=\"3000\" height=\"2000\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As semelhan\u00e7as da s\u00e9rie com obras consagradas como \u201cAdmir\u00e1vel Mundo Novo\u201d ficam evidentes. No livro de Aldous Huxley, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o vive em um ambiente supostamente selvagem, enquanto a \u201celite\u201d se mant\u00e9m ativa em um ambiente est\u00e9ril e voltado unicamente para o prazer do indiv\u00edduo. Em \u201c3%\u201d, apesar de n\u00e3o haver vislumbre algum do Maralto durante os oito epis\u00f3dios, alguns detalhes soltos nos di\u00e1logos mostram a suposta realidade do local, onde n\u00e3o h\u00e1 doen\u00e7as e nem mesmo dinheiro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com uma proposta pouco vista dentro do mercado brasileiro de produ\u00e7\u00f5es audiovisuais, \u201c3%\u201d \u00e9 louv\u00e1vel em sua concep\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, no entanto, problemas de roteiro prejudicam o desenrolar da hist\u00f3ria. Os di\u00e1logos apresentam pouco dinamismo, gerando frases que beiram palestras de autoajuda, aliadas a express\u00f5es constrangedoras. \u201cSe a gente quiser, n\u00f3s vamos conseguir\u201d: \u201cgaroto, deixa de ser rid\u00edculo!\u201d, e mais alguns capazes de revirar os olhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0 frente do elenco, est\u00e3o Biana Comparato, como Michele, Michel Gomes, no papel de Fernando, Vaneza Oliveira, como Joana e Rodolfo Valente, interpretando o sempre odiado Rafael. Apesar de competente em sua maioria, o elenco \u00e9 prejudicado pelos rumos roteiro, ao tomarem decis\u00f5es \u00f3bvias e pouco inventivas. Os personagens, ainda assim, s\u00e3o constru\u00eddos de forma decente, cada um contando com personalidade distinta. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/noticiasdatv.uol.com.br\/media\/_versions\/3_rafael_lozano_pedro_saad_fixed_big.jpeg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"320\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As loca\u00e7\u00f5es escolhidas para as etapas do Processo tamb\u00e9m n\u00e3o ajudam: ainda que tentem soar futuristas, os espa\u00e7os parecem apenas escrit\u00f3rios limpos de pr\u00e9dios de luxo locais. Nas \u00e1reas do Continente, onde vivem os outros 97% da popula\u00e7\u00e3o, \u00e1reas semelhantes a favelas s\u00e3o retratadas, sendo uma escolha acertada por espelhar uma realidade brasileira. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os primeiros quatro epis\u00f3dios da s\u00e9rie falham em construir uma narrativa envolvente. Recheadas de clich\u00eas, as situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o convencem, ainda que as tramas paralelas auxiliem a construir um universo mais cr\u00edvel. A medida que a trama avan\u00e7a, os di\u00e1logos recebem um melhor tratamento e a hist\u00f3ria toma rumos interessantes. Ao final, fica a vontade que a s\u00e9rie volte para uma segunda temporada, para, enfim, conhecermos o futurista Maralto. \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>3% &#8211; Todos os epis\u00f3dios est\u00e3o dispon\u00edveis na Netflix.\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um primeiro momento, pode parecer um spin-off da franquia Jogos Vorazes. 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