{"id":420,"date":"2016-12-09T20:00:27","date_gmt":"2016-12-09T23:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=420"},"modified":"2016-12-09T20:00:27","modified_gmt":"2016-12-09T23:00:27","slug":"o-filho-eterno-e-o-pai-finito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/12\/09\/o-filho-eterno-e-o-pai-finito\/","title":{"rendered":"&#8220;O Filho Eterno&#8221; e o pai finito"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_421\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-421\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/12\/O-Filho-Eterno_Marcos-Veras-e-Pedro-Vinicius-Foto-Rosano-Mauro-624x936.jpg\" alt=\"Marcos Veras e Pedro Vinicius\" width=\"550\" height=\"825\" class=\"size-large wp-image-421\" \/><p id=\"caption-attachment-421\" class=\"wp-caption-text\">Marcos Veras e Pedro Vinicius<\/p><\/div>\n<p>&#8220;O Filho Eterno&#8221; tem um vil\u00e3o. E uma v\u00edtima. Como tantos filmes. A diferen\u00e7a \u00e9 que, nesse caso, ambos s\u00e3o a mesma pessoa. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um conflito de personalidades m\u00faltiplas e dissonantes. \u00c9 uma luta entre quem somos e quem acreditamos ser. Baseado no romance hom\u00f4nimo de Crist\u00f3v\u00e3o Tezza, &#8220;O Filho Eterno&#8221;, de Paulo Machline, \u00e9 um filme sobre aceita\u00e7\u00e3o e perd\u00e3o a si\u00a0e aos outros.<\/p>\n<p>O longa surge na mesma nascente da obra-prima de Tezza. Curitiba, 1982. A melhor sele\u00e7\u00e3o brasileira desde 1982 segue confiante rumo ao tetra mundial, enquanto o escritor Roberto (Marcos Veras) j\u00e1 mede os orgulhos que seu primeiro filho, que nasce no dia do jogo, lhe dar\u00e1. Acontece que nem o Brasil ganhou tetra em 1982 e nem o filho, Fabr\u00edcio, foi a b\u00ean\u00e7\u00e3o que Roberto esperava. Diagnosticado com s\u00edndrome de Down, o pequeno parece mais um fardo do que um milagre para o pai.<\/p>\n<div id=\"attachment_422\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-422\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/12\/Marcos-Veras-e-Pedro-Vinicius_-Foto-Rosano-Mauro1.jpg1_-624x416.jpg\" alt=\"Marcos Veras e Pedro Vinicius\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-422\" \/><p id=\"caption-attachment-422\" class=\"wp-caption-text\">Marcos Veras e Pedro Vinicius<\/p><\/div>\n<p>Em ess\u00eancia, a obra foca a desmistifica\u00e7\u00e3o de temas cl\u00e1ssicos. O amor incondicional ao filho \u00e9 substitu\u00eddo por um quase \u00f3dio de algu\u00e9m que pode at\u00e9 comemorar uma morte, que o daria acesso de volta \u00e0 normalidade. Paralelamente, o filme foge do sensacionalismo raso sobre a s\u00edndrome de Down, fugindo de tratar defici\u00eancia como perfumaria. As quest\u00f5es de Fabr\u00edcio (Pedro Vin\u00edcius) n\u00e3o s\u00e3o o foco. O centro \u00e9 a forma como Roberto n\u00e3o consegue lidar com isso.<\/p>\n<p>Relativamento curto, com 82 minutos, &#8220;O Filho Eterno&#8221; acompanha a espiral de autodestrui\u00e7\u00e3o de Roberto, sem ignorar o dano colateral no resto da fam\u00edlia. A felicidade que se transformou em dificuldade \u00e9 tratada com uma dose imensa de sinceridade, mas contraposta por colheradas homeop\u00e1ticas de empatia. Dessa forma, conseguimos entender o protagonista, ainda que com distanciamento suficiente para n\u00e3o julgar suas a\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Apesar de tanto quanto \u00f3bvia e linear, a estrutura do roteiro, adaptado por Leonardo Levis, adiciona uma grande camada de sentimento ao decompor a rela\u00e7\u00e3o de Roberto com o futebol. As Copas de 1982, 1986, 1990 e 1994 s\u00e3o traduzidas na rela\u00e7\u00e3o pai e filho. Antes, o escritor j\u00e1 comemorava o t\u00edtulo que nunca veio, bem como as gl\u00f3rias de um filho ainda n\u00e3o nascido. Depois, o futebol deixou de ser relevante, transparecendo a dist\u00e2ncia entre Roberto e Fabr\u00edcio.<\/p>\n<div id=\"attachment_423\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-423\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/12\/O-Filho-Eterno_Debora-Falabella-e-Marcos-Veras_-Foto-Rosano-Mauro-624x416.jpg\" alt=\"D\u00e9bora Falabella e Marcos Veras\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-423\" \/><p id=\"caption-attachment-423\" class=\"wp-caption-text\">D\u00e9bora Falabella e Marcos Veras<\/p><\/div>\n<p>Esse jogo de crueldade e ternura converge em um \u00e1pice emocionante&#8230; Mas atrapalhado pelos excessos da trilha musical. Em um filme impresso em tons t\u00e3o fortes, n\u00e3o se carece de guia em forma de m\u00fasica. Acaba que esse exagero vira atalho para as emo\u00e7\u00f5es, dando um sentimentalismo maior do que o necess\u00e1rio. As dores, reden\u00e7\u00f5es e perd\u00f5es se bastam. Acaba caindo em um erro que evitou bem ao n\u00e3o se entregar aos excessos da <em>narra\u00e7\u00e3o em off<\/em>, que se foca em texto mais propriamente liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Outro bom m\u00e9rito \u00e9 do elenco, encabe\u00e7ado por Marcos Veras. Escalado &#8220;off-type&#8221;, o em geral comediante tem um desafio enorme em emprestar carisma para algu\u00e9m t\u00e3o dif\u00edcil como Roberto. E Veras consegue manter o equil\u00edbrio, ainda que sem brilhantismo. J\u00e1 D\u00e9bora Falabella d\u00e1 a discri\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e que trabalha, cria filho e o ama incondicionalmente sem qualquer reclama\u00e7\u00e3o. \u00c9 um personagem que n\u00e3o existe no livro, mas que n\u00e3o se imp\u00f5e ao drama da adapta\u00e7\u00e3o. Acaba que aumenta a sensa\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio do pai ausente. J\u00e1 o pequeno Pedro Vinicius \u00e9 encantador, sempre &#8211; tudo que o personagem carecia. <\/p>\n<p>&#8220;O Filho Eterno&#8221; \u00e9 filme de dilema individual. \u00c9 uma viagem interna sem clich\u00eas e sa\u00eddas f\u00e1ceis. N\u00e3o existe uma cura m\u00e1gica para uma personalidade ego\u00edsta ou para a s\u00edndrome de Down. Para Tezza\/Machline, ser pai \u00e9 entender sua finitude, sua incapacidade, seus erros. \u00c9 tr\u00eas doses de inquietude para cada uma de paz. <\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nO Filho Eterno<\/strong> (BRA, 2016), de Paulo Machline. Drama. 82 minutos. Com Marcos Veras e D\u00e9bora Falabella.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O Filho Eterno&#8221; tem um vil\u00e3o. E uma v\u00edtima. Como tantos filmes. A diferen\u00e7a \u00e9 que, nesse caso, ambos s\u00e3o a mesma pessoa. 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