{"id":430,"date":"2016-12-13T20:00:35","date_gmt":"2016-12-13T23:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=430"},"modified":"2016-12-13T20:00:35","modified_gmt":"2016-12-13T23:00:35","slug":"economia-do-amor-destrocos-entre-quatro-paredes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2016\/12\/13\/economia-do-amor-destrocos-entre-quatro-paredes\/","title":{"rendered":"&#8220;A Economia do Amor&#8221;: destro\u00e7os entre quatro paredes"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-433\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/12\/05_-_mai_2016_-_leconomie_du_couple-1-624x351.jpg\" alt=\"05_-_mai_2016_-_leconomie_du_couple-1\" width=\"550\" height=\"309\" \/><\/p>\n<p>O p\u00f3s-amor \u00e9 um tema delicado. No limiar entre o carinho passado e o \u00f3dio presente, as obras que abordam t\u00e9rminos sempre precisam se equilibrar em nuances que fujam do manique\u00edsmo. O franco-belga &#8220;A Economia do Amor&#8221;, de Joachim Lafosse, percorre esse tortuoso momento em um casal em plena converg\u00eancia de crises &#8211; pessoal, econ\u00f4mica, amorosa, de meia idade.<\/p>\n<p>Nos dois cantos do ringue est\u00e3o Marie (B\u00e9r\u00e9nice Bejo) e Boris (C\u00e9dric Kahn), casal por 15 anos e que se veem obrigados a dividir o mesmo teto. Pais das g\u00eameas Jade e Margaux, eles tentam, inutilmente, fixar regras de conviv\u00eancia que poupe as filhas da tens\u00e3o crescente. O que entra como novidade mais forte do roteiro \u00e9 o contexto da crise econ\u00f4mica europeia, que, ainda que n\u00e3o citada diretamente, \u00e9 agravante no conflito de Marie e Boris. Ao lado do romeno &#8220;O Tesouro&#8221;, de Corneliu Porumboiu, &#8220;A Economia do Amor&#8221; \u00e9 um de dois bonitos dramas europeus sobre a crise a desembarcar no Brasil em nosso conturbado 2016. De certa forma, isso mostra que est\u00e1 dif\u00edcil no mundo todo. O roteiro, de Lafosse e outros quatro escritores, traz ainda pinceladas de luta de classes fortes e bem ponderadas, em uma trama mais complexa que parece.<\/p>\n<div id=\"attachment_432\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-432\" class=\"size-large wp-image-432\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/12\/236055-624x351.jpg\" alt=\"Ponto de vista seria impor essa foto junta \u00e0 de baixo...\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-432\" class=\"wp-caption-text\">Ponto de vista seria impor essa foto junta \u00e0 de baixo&#8230;<\/p><\/div>\n<p>Uma das decis\u00f5es mais interessantes do longa \u00e9 visual e se divide em dire\u00e7\u00e3o de arte e fotografia, assinadas por Olivier Radot e Jean-Fran\u00e7ois Hensgens, respectivamente. O primeiro passo foi ressignificar o recurso do suspense que \u00e9 filmar toda a obra em apenas uma loca\u00e7\u00e3o &#8211; algo visto em &#8220;Janela Indiscreta&#8221; (1954), &#8220;O Quarto do P\u00e2nico&#8221; (2002), &#8220;Louca Obsess\u00e3o&#8221; (1990) e muitos, muitos outros. Assim como &#8220;Deus da Carnificina&#8221; (2011), de Roman Polanski, o cen\u00e1rio estanque aumenta a tens\u00e3o dom\u00e9stica e exp\u00f5e ainda mais as personalidades conflitantes. J\u00e1 a fotografia aposta em longos planos sequ\u00eancia, de uma forma em que a c\u00e2mera passeia em meio ao conflito. A ideia, bem imposta, \u00e9 de uma imparcialidade, j\u00e1 que se foge de closes mais dolorosos e, digamos, opinativos.<\/p>\n<p>Essa fuga de um ponto de vista mais pr\u00f3ximo a Marie ou Boris acaba essencial para que a trama funcione. Contando com belas atua\u00e7\u00f5es, em especial de Bejo (famosa por &#8220;O Artista&#8221;\/2011), &#8220;A Economia do Amor&#8221; trabalha em camadas espelhadas. \u00c9 um morde-e-assopra constante. Se Boris \u00e9 irrespons\u00e1vel, Marie \u00e9 controladora. Se a m\u00e3e organiza, o pai acalenta. De certa forma, mesmo com o caos emocional \u00e0 espreita, \u00e9 bonito ver o quanto Jade e Margaux conseguem unir os pais.<\/p>\n<div id=\"attachment_431\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-431\" class=\"size-large wp-image-431\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2016\/12\/DSC00570__c_Fabrizio_Maltese-624x351.jpg\" alt=\"... algo que o filme evita, mas que eu me permito\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-431\" class=\"wp-caption-text\">&#8230; algo que o filme evita, mas que eu me permito<\/p><\/div>\n<p>&#8220;A Economia do Amor&#8221; n\u00e3o \u00e9 filme sobre cura, sobre f\u00f3rmula de solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre desgaste, sobre solid\u00e3o. A estrela ali \u00e9 Bejo, que mostra a dor de tantas m\u00e3es, que trabalha, cuida dos filhos e ainda remedia as irresponsabilidade de quando Boris decide ser pai. Por mais imparcial que o filme busque ser, existem ali padr\u00f5es de atitudes que se refletem em milhares &#8211; milh\u00f5es &#8211; de casas. Na B\u00e9lgica, no Brasil, nos EUA e em todo o Ocidente.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\n&#8220;A Economia do Amor&#8221; <\/strong>(BEL\/FRA, 2016), de Joachim Lafosse. Drama. 100 minutos. Com B\u00e9r\u00e9nice Bejo e C\u00e9dric Kahn.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O p\u00f3s-amor \u00e9 um tema delicado. 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