{"id":465,"date":"2017-01-02T20:00:11","date_gmt":"2017-01-02T23:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=465"},"modified":"2017-01-02T20:00:11","modified_gmt":"2017-01-02T23:00:11","slug":"passageiros-carisma-para-driblar-tropecos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/01\/02\/passageiros-carisma-para-driblar-tropecos\/","title":{"rendered":"&#8220;Passageiros&#8221;: carisma para driblar trope\u00e7os"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_508\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-508\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/passa-1-624x416.jpg\" alt=\"Miga, sua louca, foge dessa fofura que \u00e9 cilada\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-508\" \/><p id=\"caption-attachment-508\" class=\"wp-caption-text\">Miga, sua louca, foge dessa fofura que \u00e9 cilada<\/p><\/div>\n<p>Jennifer Lawrence e Chris Pratt. N\u00e3o foi o acaso que uniu os dois atores na produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Passageiros&#8221;, longa do noruegu\u00eas Morten Tyldum (de &#8220;O Jogo da Imita\u00e7\u00e3o&#8221;\/2014). N\u00e3o fosse o carisma da dupla de protagonistas, a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica seria um odi\u00e1vel jogo de amor abusivo. Com eles, \u00e9 poss\u00edvel se construir uma for\u00e7ada empatia entre um agressor e uma v\u00edtima.<\/p>\n<p>Pode soar duro, mas grande parte da trama gira em torno de um dos atos mais ego\u00edstas que algu\u00e9m j\u00e1 cogitou cometer. Ap\u00f3s acordar de um sono criog\u00eanico 90 anos antes da data marcada, o engenheiro Jim Preston (Chris Pratt) vive o dilema entre condenar uma mo\u00e7a bonita a uma morte ao lado dele ou viver sua realidade solit\u00e1ria at\u00e9 final. N\u00e3o preciso antecipar suas a\u00e7\u00f5es (mas talvez soe <strong>spoiler<\/strong>): ele a acorda, eles se apaixonam, ela descobre a verdade, passa a odi\u00e1-lo, eles se unem para ultrapassar uma crise, se reaproximam, bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1, clich\u00eas hollywoodianos.<\/p>\n<div id=\"attachment_509\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-509\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/passa2-624x416.jpg\" alt=\"Aviso de fan-service de nudez masculina bem-vinda\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-509\" \/><p id=\"caption-attachment-509\" class=\"wp-caption-text\">Aviso de fan-service de nudez masculina bem-vinda<\/p><\/div>\n<p>O filme gira completamente em torno dos dois personagens. Ele, um engenheiro frustrado em busca de uma nova vida em uma col\u00f4nia da Terra a 120 anos de viagem do nosso planeta. Ela, Aurora Lane (Jennifer Lawrence) uma jornalista\/escritora bem sucedida, que abre m\u00e3o da conviv\u00eancia junto a quem ama para buscar &#8220;a hist\u00f3ria que nunca foi contada&#8221;. Ela, rica, herdeira, em uma profiss\u00e3o criativa. Ele, pobre, pr\u00e1tico, trabalha com as m\u00e3os. <\/p>\n<p>Lawrence e Pratt talvez sejam, hoje, os dois mais carism\u00e1ticos atores de Hollywood. Daqueles que inspiram simpatia mesmo quando o personagem \u00e9 meio babaca &#8211; que o dia a brilhante abertura de &#8220;Guardi\u00f5es da Gal\u00e1xia&#8221;, em que Peter Quill (Pratt) \u00e9 perfeitamente definido como machista, sens\u00edvel, am\u00e1vel, pat\u00e9tico e irresist\u00edvel. E era essa a proposta para Jim. &#8220;Passageiros&#8221; trabalha bem o dilema de algu\u00e9m que, por uma falha mec\u00e2nica, fica preso a um destino solit\u00e1rio. A nave\/transatl\u00e2ntico viajaria mais 90 anos antes de mais algu\u00e9m acordar do sono criog\u00eanico. Jim, ent\u00e3o, recorre a bebida, exerc\u00edcios, jogos e a &#8220;amizade&#8221; com o androide barman Arthur (Michael Sheen).<\/p>\n<p>S\u00f3 que, claro, homem branco heterossexual tem que se ver no direito. N\u00e3o pode sofrer uma opress\u00e3o (do destino) sozinho. Tem que arranjar uma mulher (loura, bonita) para sofrer consigo. Inteligentemente, o filme tenta impor os valores intelectuais dela como parte da &#8220;escolha&#8221; de Jim em acord\u00e1-la. E \u00e9 dif\u00edcil ter raiva do personagem. 1. \u00c9 o Chris Pratt. 2. A situa\u00e7\u00e3o deve ser de fato desesperadora. Mas condenar um inocente a um destino cruel e obrig\u00e1-la a conviver apenas com seu agressor pelo resto da vida \u00e9 um n\u00edvel de abuso novo. Seria genial se fosse tratado como um suspense psicol\u00f3gico. Mas \u00e9 romance \u00e1gua com a\u00e7\u00facar. Se o filme focasse em Aurora e se iniciasse ap\u00f3s a mo\u00e7a &#8220;acordar&#8221;, poderia ser uma obra de tens\u00e3o consider\u00e1vel e roteiro original.<\/p>\n<div id=\"attachment_510\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-510\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/passa3-624x392.jpg\" alt=\"O bartender-rob\u00f4 Arthur (Michael Sheen) rouba a cena\" width=\"550\" height=\"346\" class=\"size-large wp-image-510\" \/><p id=\"caption-attachment-510\" class=\"wp-caption-text\">O bartender-rob\u00f4 Arthur (Michael Sheen) rouba a cena<\/p><\/div>\n<p>Para al\u00e9m da quest\u00e3o social, o filme tem m\u00e9ritos inesperados. O design de produ\u00e7\u00e3o, assinada por Guy Hendrix Dyas, \u00e9 sempre impressionante e funcional, algo essencial em uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Pena que os conceitos cient\u00edficos do roteiro de Jon Spaihts sejam t\u00e3o rasos, sempre com invers\u00f5es l\u00f3gicas para servir bem ao dramatismo. Em uma cena em espec\u00edfico, a nave onde os protagonistas se encontram passa pr\u00f3ximo a uma estrela que parece pequena demais e demasiadamente pr\u00f3xima mesmo para a tecnologia do futuro. E pior, a nave explica tudo nos m\u00ednimos detalhes quando os protagonistas deveriam estar em pleno sono congelado.<\/p>\n<p>Cientificismos e questionamentos sociais de fora, &#8220;Passageiros&#8221; funciona. \u00c9 envolvente. Consegue mostrar bem os dilemas tanto da v\u00edtima quanto do algoz (apesar de n\u00e3o tratar Jim como vil\u00e3o). As sequ\u00eancias de a\u00e7\u00e3o, os jogos com a c\u00e2mera, trazem o bom lado do fasc\u00ednio por viagens interplanet\u00e1rias. Mas a no\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o no espa\u00e7o aberto, aliado ao medo da morte soam derivativas, quando comparada ao universo interior enfrentado por Sandra Bullock no infinitamente melhor &#8220;Gravidade&#8221; (2013), de Alfonso Cuar\u00f3n. O que fica, ent\u00e3o, \u00e9 a presen\u00e7a de Pratt e Lawrence, que n\u00e3o se desgasta com uma obra t\u00e3o mediana.<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 4\/8.<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nPassageiros<\/strong> (Passengers, 2016, EUA), de Morten Tyldum. Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica. 116 minutos. 14 anos. Com Chris Pratt e Jennifer Lawrence<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jennifer Lawrence e Chris Pratt. 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